Sabonária
Há quem, à força toda, queira fazer de Cavaco e do seu destino eleitoral aquilo que à pescada é popularmente reconhecido como atributo: a qualidade de «antes de o ser já o era». Produto de uma longa e bem montada campanha destinada a apresentá-lo lavado de um passado bastamente incómodo para fazer ruir aquela imagem de pessoa preocupada com o povo que no presente os seus autores julgam indispensável criar, Cavaco Silva aparece vendido como candidato impoluto e vencedor incontestável de umas eleições que estão por realizar.
É oportuno aqui sublinhar que Cavaco Silva é, enquanto candidato, a antítese do que a intensa operação de marketing tem tido cuidado de o apresentar.
Não um candidato que age na sua genuinidade mas um produto artificialmente preparado para iludir o que é e o que representa. Uma candidatura treinada para se não desviar de um guião pré estabelecido que evite que se exponha às fragilidades inevitáveis que resultarão do debate político, para cultivar uma proximidade e identificação com os interesses populares que dez anos de acção governativa de todo desprezaram, para o apresentar com uma capa de simpatia e afabilidade que a sua natural arrogância, a descobrir-se, arruinaria.
Não um candidato que se quer fazer crer recém chegado à vida política nacional, apresentado como eminente investigador dos males de que o país padece e liberto de quaisquer responsabilidades, mas sim alguém com um percurso político preenchido por mais de dez anos de desgoverno do país e de liderança de um dos principais partidos de direita. Uma candidatura que apesar da esforçada lavagem do seu percurso político e da paciente e bem encenada operação de branqueamento não consegue, por mais tempo que perdurasse estendida sob o sol recente da sua vertente académica e tecnocrática, iludir um passado encardido por uma década marcada pelo agravamento dos problemas do país, pela ofensiva contra direitos e conquistas sociais, pela intolerância e arrogância antidemocráticas.
Não um candidato imbatível e antecipadamente vitorioso mas sim um candidato que pode ser, como já foi, derrotado. Um candidato que conhece o peso da derrota política que lhe foi imposta pela luta dos trabalhadores e do povo enquanto primeiro-ministro e que conhece o caminho da fuga e do abandono das responsabilidades do partido a que presidia perante o insucesso eminente. Um candidato que já se viu derrotado eleitoralmente em eleições presidenciais e que pode, por mais lavagens e sabonárias usadas para o branquear, voltar a sê-lo. No caso presente com a importante contribuição que uma expressiva votação em Jerónimo de Sousa pode dar para esse objectivo e para a simultânea afirmação de exigência de uma ruptura democrática e de esquerda com as políticas e direita.
É oportuno aqui sublinhar que Cavaco Silva é, enquanto candidato, a antítese do que a intensa operação de marketing tem tido cuidado de o apresentar.
Não um candidato que age na sua genuinidade mas um produto artificialmente preparado para iludir o que é e o que representa. Uma candidatura treinada para se não desviar de um guião pré estabelecido que evite que se exponha às fragilidades inevitáveis que resultarão do debate político, para cultivar uma proximidade e identificação com os interesses populares que dez anos de acção governativa de todo desprezaram, para o apresentar com uma capa de simpatia e afabilidade que a sua natural arrogância, a descobrir-se, arruinaria.
Não um candidato que se quer fazer crer recém chegado à vida política nacional, apresentado como eminente investigador dos males de que o país padece e liberto de quaisquer responsabilidades, mas sim alguém com um percurso político preenchido por mais de dez anos de desgoverno do país e de liderança de um dos principais partidos de direita. Uma candidatura que apesar da esforçada lavagem do seu percurso político e da paciente e bem encenada operação de branqueamento não consegue, por mais tempo que perdurasse estendida sob o sol recente da sua vertente académica e tecnocrática, iludir um passado encardido por uma década marcada pelo agravamento dos problemas do país, pela ofensiva contra direitos e conquistas sociais, pela intolerância e arrogância antidemocráticas.
Não um candidato imbatível e antecipadamente vitorioso mas sim um candidato que pode ser, como já foi, derrotado. Um candidato que conhece o peso da derrota política que lhe foi imposta pela luta dos trabalhadores e do povo enquanto primeiro-ministro e que conhece o caminho da fuga e do abandono das responsabilidades do partido a que presidia perante o insucesso eminente. Um candidato que já se viu derrotado eleitoralmente em eleições presidenciais e que pode, por mais lavagens e sabonárias usadas para o branquear, voltar a sê-lo. No caso presente com a importante contribuição que uma expressiva votação em Jerónimo de Sousa pode dar para esse objectivo e para a simultânea afirmação de exigência de uma ruptura democrática e de esquerda com as políticas e direita.