Fracasso ou nem por isso….
«Que eles guardem os seus euros, porque nós queremos reformas num quadro de soberania»
Realizou-se nos passados dias 27 e 28 de Novembro, em Barcelona, a Cimeira Euro Mediterrânica. Dez anos após o início do «processo de Barcelona», a cimeira foi marcada pela ausência de todos os chefes de governo dos países árabes (à excepção de Mahmoud Abbas, Presidente da Autoridade Palestiniana), pela inexistência de uma declaração final fruto das tensões e discordâncias existentes entre os participantes, e sobretudo, pela cedência fácil e mesmo colaboração dos governos europeus e da Comissão Europeia face às inaceitáveis manobras do governo sionista de Israel que impediu que os textos reconhecessem os direitos nacionais do povo palestiniano ou exigissem a retirada do exército israelita para as posições anteriores a 1967. Também na questão do Sahara Ocidental foi patente a falta de princípios dos membros europeus da Cimeira ao «ocultarem» nas suas propostas qualquer texto referente a este problema, sobretudo quando uma nova onda de repressão contra o povo Saharaui é levada a cabo por Marrocos.
Para compreender esta Cimeira e os seus resultados é necessário resgatar alguma memória histórica deste processo. Há dez anos, em Barcelona, os governos dos países da União Europeia, maioritariamente social democratas, «embalados» pelo «triunfalismo» do chamado «projecto europeu», pelas condições subjectivas ainda resultantes das derrotas do socialismo e pela propaganda do conceito de «intervenção humanitária» concretizado criminosamente através do desmembramento da Ex-Jugoslávia, lançavam as bases para a definição de uma «parceria Euromed», assente nas ideias da «cooperação» e «democratização» do Mediterrâneo e da constituição de uma zona de «cooperação económica», leia-se de liberalização do mercado. Na altura, os discursos sobre a questão palestiniana eram ainda centrados nos acordos de Oslo que exigiam dolorosos sacrifícios aos palestinianos, sem contrapartidas, como prova a situação actual.
Mas, passados dez anos, os resultados e o modo como se processou a Cimeira são a prova de que tais projectos visavam essencialmente a neo-colonização da zona do Magrebe, um maior domínio político, económico e militar no Médio Oriente, em competição com a crescente intervenção dos EUA, e ainda a exploração das debilidades económicas da margem sul face à União Europeia. Passados dez anos o resultado é este: aumento das exportações europeias e da penetração do capital europeu no Magrebe e Médio Oriente; deterioração das condições de vida dos povos da margem sul; a não resolução de problemas fulcrais para a região; uma situação de tensão provocada pela ofensiva imperialista contra os povos do Médio Oriente e claro o maior fosso social entre os países do Magrebe e Médio Oriente e os membros da União Europeia.
Com tal balanço é natural o embaraço e a secundarização destas questões por parte dos principais responsáveis europeus. A UE, remetendo os assuntos sociais e de equilíbrio económico para um minimalista programa de acção que mais não faz do que reafirmar os objectivos há dez anos proclamados e não alcançados, preferiu apostar em questões como «terrorismo», «boa governância» e «democratização» numa clara linha de competição/articulação com o plano do «Grande Médio Oriente» de Bush. Inspirada na doutrina norte-americana, a UE lançou-se na aprovação de um «código antiterrorista» que seguindo as linhas ideológicas dominantes se centra, mais uma vez, na assimilação ao terrorismo de tudo o que é resistência anti-imperialista e não reconhece o direito dos povos de resistir à ocupação estrangeira.
No plano da cooperação e democracia fica também clara a hipocrisia da EU: «Comprar» bons «alunos» de «democracia ocidental» com os fundos para a ajuda económica. «Que eles guardem os seus euros, porque nós queremos reformas num quadro de soberania», ainda retorquiu um dirigente árabe…
A imprensa fala em fracasso da Cimeira. Assim o foi do ponto de vista dos interesses dos povos da região. Mas já para as classes dominantes europeias não foi tão fracasso assim… E o mais preocupante é que, tal como noutros momentos, quem escancara a porta da diplomacia à política de guerra e exploração da UE, dos EUA e da NATO é mais uma vez a social-democracia europeia em estreita colaboração com a direita.
Para compreender esta Cimeira e os seus resultados é necessário resgatar alguma memória histórica deste processo. Há dez anos, em Barcelona, os governos dos países da União Europeia, maioritariamente social democratas, «embalados» pelo «triunfalismo» do chamado «projecto europeu», pelas condições subjectivas ainda resultantes das derrotas do socialismo e pela propaganda do conceito de «intervenção humanitária» concretizado criminosamente através do desmembramento da Ex-Jugoslávia, lançavam as bases para a definição de uma «parceria Euromed», assente nas ideias da «cooperação» e «democratização» do Mediterrâneo e da constituição de uma zona de «cooperação económica», leia-se de liberalização do mercado. Na altura, os discursos sobre a questão palestiniana eram ainda centrados nos acordos de Oslo que exigiam dolorosos sacrifícios aos palestinianos, sem contrapartidas, como prova a situação actual.
Mas, passados dez anos, os resultados e o modo como se processou a Cimeira são a prova de que tais projectos visavam essencialmente a neo-colonização da zona do Magrebe, um maior domínio político, económico e militar no Médio Oriente, em competição com a crescente intervenção dos EUA, e ainda a exploração das debilidades económicas da margem sul face à União Europeia. Passados dez anos o resultado é este: aumento das exportações europeias e da penetração do capital europeu no Magrebe e Médio Oriente; deterioração das condições de vida dos povos da margem sul; a não resolução de problemas fulcrais para a região; uma situação de tensão provocada pela ofensiva imperialista contra os povos do Médio Oriente e claro o maior fosso social entre os países do Magrebe e Médio Oriente e os membros da União Europeia.
Com tal balanço é natural o embaraço e a secundarização destas questões por parte dos principais responsáveis europeus. A UE, remetendo os assuntos sociais e de equilíbrio económico para um minimalista programa de acção que mais não faz do que reafirmar os objectivos há dez anos proclamados e não alcançados, preferiu apostar em questões como «terrorismo», «boa governância» e «democratização» numa clara linha de competição/articulação com o plano do «Grande Médio Oriente» de Bush. Inspirada na doutrina norte-americana, a UE lançou-se na aprovação de um «código antiterrorista» que seguindo as linhas ideológicas dominantes se centra, mais uma vez, na assimilação ao terrorismo de tudo o que é resistência anti-imperialista e não reconhece o direito dos povos de resistir à ocupação estrangeira.
No plano da cooperação e democracia fica também clara a hipocrisia da EU: «Comprar» bons «alunos» de «democracia ocidental» com os fundos para a ajuda económica. «Que eles guardem os seus euros, porque nós queremos reformas num quadro de soberania», ainda retorquiu um dirigente árabe…
A imprensa fala em fracasso da Cimeira. Assim o foi do ponto de vista dos interesses dos povos da região. Mas já para as classes dominantes europeias não foi tão fracasso assim… E o mais preocupante é que, tal como noutros momentos, quem escancara a porta da diplomacia à política de guerra e exploração da UE, dos EUA e da NATO é mais uma vez a social-democracia europeia em estreita colaboração com a direita.