A pena dos pequeninos
Enquanto os votos não se contam e as sondagens parecem contar muito, há novas contas a fazer, segundo os politólogos do costume que, pelos vistos, não fazem contas à tinta e ao papel gastos neste jogo de ver quem é o maior. «O tamanho conta?», chega a perguntar um tal Paulo Pena, na revista Visão, que se entusiasma com as «transferências» e exulta, sobretudo, quando elas escorregam para fora da área do PCP, como ele próprio. Aliás, não é apenas em momentos «eleitorais» que essa contabilidade é feita no que toca aos comunistas. Ainda nos lembramos, por exemplo, que Eduardo Prado Coelho foi apresentado, durante anos, como «ex-militante do PCP». Nesses tempos em que só havia aquele – que passou fugazmente pelas fileiras comunistas para arrepiar logo caminho assim que lhe cheirou a pouco poder e nenhuma benesse – a coisa justificava-se. De vez em quando, em cada curva mais apertada, alguns saltavam fora e refugiavam-se, apesar dos protestos iniciais de «manter a fé e apontar os erros», em outros partidos à direita de Abril. Sobre tais protestos estamos conversados. É vê-los nas bancadas parlamentares da política de direita, nos ministérios da política de direita, nos grandes grupos económicos do liberalismo renascido. E em cargos aparentemente menores mas de obscuros poderes, como o recente exemplo de um ex-dirigente expulso que hoje faz o frete de ser nada menos que chefe de gabinete de um autarca do PSD. Continuam a afirmar alguns que não se puseram à venda, nem abdicaram das ideias. Talvez seja apenas um caso de aluguer, quem sabe?
O certo é que – e já o assinalámos na passada semana – não é de espantar que surjam hoje certas figuras sombrias cujas convicções mudaram a ponto de apoiarem candidatos que combateram antes com o fervor da beatice hipócrita. Mas também é certo que tais figuras, que o tal Pena realça, já há muito navegavam por outras águas, bastante turvas, após o afastamento do Partido que um dia foi também o deles. Há muitos anos – e muitas eleições – que certos «intelectuais» têm mostrado o seu afastamento, primeiro, os seus novos amores, depois. Desde a canção ligeira à prosa carunchosa.
O que o tal Pena esconde – falta de informação? – é que novos e mais firmes apoiantes se juntam aos comunistas e às suas propostas. E aos apoios de sempre. Tentando menorizar o vasto apoio que a candidatura de Jerónimo de Sousa suscita, afirma que a sua lista é a mais modesta. Ainda não viu, certamente, as muitas centenas de nomes que integram a Comissão Nacional. Vamos publicá-la. Para a semana, a gente acerta contas.
O certo é que – e já o assinalámos na passada semana – não é de espantar que surjam hoje certas figuras sombrias cujas convicções mudaram a ponto de apoiarem candidatos que combateram antes com o fervor da beatice hipócrita. Mas também é certo que tais figuras, que o tal Pena realça, já há muito navegavam por outras águas, bastante turvas, após o afastamento do Partido que um dia foi também o deles. Há muitos anos – e muitas eleições – que certos «intelectuais» têm mostrado o seu afastamento, primeiro, os seus novos amores, depois. Desde a canção ligeira à prosa carunchosa.
O que o tal Pena esconde – falta de informação? – é que novos e mais firmes apoiantes se juntam aos comunistas e às suas propostas. E aos apoios de sempre. Tentando menorizar o vasto apoio que a candidatura de Jerónimo de Sousa suscita, afirma que a sua lista é a mais modesta. Ainda não viu, certamente, as muitas centenas de nomes que integram a Comissão Nacional. Vamos publicá-la. Para a semana, a gente acerta contas.