Greve geral na Índia

Trabalhadores rejeitam neoliberalismo

Cerca de 60 milhões de trabalhadores paralisaram durante 24 horas a Índia em protesto contra as privatizações e as medidas neoliberais do governo.

«A greve é uma demonstração clara da persistência da classe operária»

Sete sindicatos nacionais e cerca de setenta estruturas sectoriais representativas dos trabalhadores realizaram uma greve geral que, na passada quinta-feira, imobilizou quase por completo o segundo país mais populoso do mundo.
A frente sindical teve o apoio dos comunistas numa jornada convocada para rejeitar as chamadas «reformas económicas» propostas pelo governo liderado pelo Partido do Congresso.
Pela primeira vez desde que foi eleito, em Maio de 2004, o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, enfrentou um protesto à escala do país, mas a quebra da confiança política já se arrasta à alguns meses com os comunistas e os restantes aliados da Frente de Esquerda – base parlamentar fundamental para a sustentação do executivo – a oporem-se frontalmente a um conjunto de medidas lesivas dos interesses populares.
Em causa estão, entre outras decisões, a venda da participação do Estado em empresas públicas tidas como alavancas centrais para o desenvolvimento, o estímulo dos investimentos estrangeiros nos sectores financeiro, de pensões e de distribuição de géneros, e a flexibilização da legislação laboral, um pacote que sindicatos, comunistas e população classificam de projecto neoliberal contrário às aspirações expressas anteriormente nas urnas.

Manifestações cheias de razão

A greve que se estendeu do sector público ao privado teve particular adesão nas províncias de Benguela Ocidental e Kerala, governadas pela coligação onde se incluem os comunistas.
Na banca e nos seguros a adesão foi de tal forma massiva, abrangendo aproximadamente um milhão de funcionários, que a capital financeira da Índia, Bombaim, parou completamente em virtude da greve e das manifestações convocadas para a porta das empresas.
Para além do sucesso alcançado pelo protesto junto dos trabalhadores da industria, do comércio e dos serviços – na capital Nova Déli mais de 80 por cento das fábricas nem chegaram a abrir os portões – a greve no sector dos transportes saldou-se num êxito absoluto.
Quase metade dos voos internos foram cancelados e os aeroportos de Calcutá, Nova Déli e Bombaim – os dois últimos em risco de serem privatizados – ficaram totalmente paralisados. Também aqui as reivindicações e as concentrações de trabalhadores incidiram na necessidade de travar a alienação de empresas públicas rentáveis.
Os estudantes juntaram-se à greve um pouco por todo o país, mas foi na região de Meghalaya que se registaram as páginas mais negras de uma jornada de luta que decorreu sem outros incidentes graves.
Polícia e forças armadas foram chamadas a intervir nas manifestações juvenis e os confrontos tornaram-se inevitáveis. Morreram 12 pessoas nas localidades de Williamnagar e Tura.
Na Índia concentram-se mais de mil milhões de pessoas, um quarto das quais sobrevivem com um dólar ou menos por dia.

PCI(M) saúda protesto
Na frente da luta

Em comunicado difundido no dia da paralisação, o Bureau Político do Partido Comunista da Índia (Marxista) exortou a jornada e titulou-a como uma «mensagem de força da classe trabalhadora».
No documento, o PCI(M) saudou «a classe operária que em todo o país respondeu com grande adesão à greve geral convocada pelo comité de sindicatos» e destacou a participação de «milhões de trabalhadores pertencentes a diversos sectores, organizados ou não», bem como a solidariedade de «organizações de massas de agricultores, assalariados rurais, mulheres, jovens e estudantes que também conduziram acções de protesto».
No concreto, os comunistas sublinharam ainda a necessidade de defender a legislação laboral e aprofundar direitos como o de paralisação no sector público. Quanto à privatização de dois dos maiores aeroportos da Índia, em Déli e Bombaim, o PCI(M) afirmou que «o governo deve tomar imediatamente em consideração as propostas alternativas submetidas pelos representantes dos trabalhadores e empregados com vista à modernização de ambas as estruturas».
A concluir, o PCI(M) alerta que «a greve é uma demonstração clara da persistência da classe operária na luta contra as privatizações e fica como um sério aviso ao governo para que não embarque em mudanças na legislação laboral sem consultar e estabelecer acordos prévios com os sindicatos».


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