Uruguai investiga questão dos «desaparecidos»
As Forças Armadas do Uruguai têm um prazo de 60 dias para esclarecerem o que sucedeu aos presos políticos desaparecidos durante a ditadura militar.
«Muitos uruguaios foram sequestrados, torturados e assassinados»
No final da semana passada, o governo do presidente Tabaré Vázquez impôs aos militares um prazo de dois meses para o esclarecimento das violações dos direitos humanos cometidas durante os 12 anos de ditadura. A medida coincide com o 32.º aniversário do golpe de Estado que, a 27 de Junho de 1973, dissolveu o Parlamento Nacional e mergulhou o país na mais feroz repressão.
Nos últimos dias da ditadura militar, muitos uruguaios foram dados como «presos desaparecidos» no país e na Argentina, vítimas do tenebroso plano conhecido como «Operação Condor». Através deste plano, as ditaduras militares sul-americanas que dominaram a região durante as décadas de 70 e 80 do século passado coordenavam a sua acção para perseguir e eliminar os opositores políticos.
Com base nas investigações levadas a cabo pela Comissão de Paz (2000 e 2004), que confirmou que pelos menos 81 uruguaios - 26 no país e 55 na Argentina - foram sequestrados, torturados e assassinados entre 1971 e 1981 em centros clandestinos de reclusão, as Forças Armadas devem esclarecer o que aconteceu aos presos desaparecidos.
O Exército nomeou uma comissão de investigação, mas a Força Aérea Uruguaia (FAU) decidiu levar a cabo uma investigação independente dentro das suas próprias fileiras, e anunciou a intenção de investigar a violência antes de 1973, ano do golpe de Estado. Segundo a imprensa local, esta decisão causou mal-estar nos meios militares, mas a medida parece justificar-se, tendo sido já apresentados pelo menos três casos.
Simultaneamente, o presidente Vázquez decidiu excluir três situações da «Lei da Caducidade», a qual impede o julgamento de militares: os assassinatos em Buenos Aires, em 1976, do ex-senador Zelmar Michelini e do ex-deputado Héctor Gutiérrez Ruiz, e o caso de María Irureta Goyena, nora do conhecido poeta argentino Juan Gelman.
A resolução da questão dos desaparecidos foi uma das promessas eleitorais de Tabaré Vázquez, que se comprometeu a «fazer cumprir toda a Lei da Caducidade», cujo polémico artigo quarto permite a busca das vítimas da repressão. Segundo a Prensa Latina, a política do governo nesta matéria conta com forte apoio popular e cerca de 80 por cento dos uruguaios aprova a entrada de especialistas nas instituições militares para investigar onde foram enterrados os corpos dos assassinados pela ditadura militar.
Greve geral por aumento de salários
Por outro lado, no plano social, a situação está longe de ser consensual.
O Plenário Intersindical e Convenção Nacional de Trabalhadores (PIT-CNT), principal central operária do Uruguai, convocou para hoje, 30 de Junho, uma greve geral entre as 10 e 14 horas.
Os sindicatos exigem um aumento de 20 por cento do salário mínimo, que actualmente é de 2500 pesos (cerca de 100,8 dólares). A actualização para os 3000 pesos (121 dólares) reivindicada pelos trabalhadores só pode ser decida pelo governo.
A greve foi aprovada no dia 22, em Montevideu, e é o primeiro protesto laboral desde que Tabaré Vázquez assumiu a presidência, em 1 de Março.
A central sindical, que apoiou a eleição presidencial de Vázquez, já havia ameaçado com uma greve parcial em Maio, mas o protesto foi adiado por o governo se ter comprometido a debater as reivindicações dos trabalhadores, que acabaram por não ser satisfeitas.
O protesto de hoje visa igualmente exigir a aprovação de uma lei sobre negociação colectiva e outra que «garanta as liberdades sindicais».
Também o sindicato do sector da saúde decidiu convocar um protesto dos funcionários dos hospitais públicos e dos cerca de 4100 médicos que trabalham para o Estado.
Nos últimos dias da ditadura militar, muitos uruguaios foram dados como «presos desaparecidos» no país e na Argentina, vítimas do tenebroso plano conhecido como «Operação Condor». Através deste plano, as ditaduras militares sul-americanas que dominaram a região durante as décadas de 70 e 80 do século passado coordenavam a sua acção para perseguir e eliminar os opositores políticos.
Com base nas investigações levadas a cabo pela Comissão de Paz (2000 e 2004), que confirmou que pelos menos 81 uruguaios - 26 no país e 55 na Argentina - foram sequestrados, torturados e assassinados entre 1971 e 1981 em centros clandestinos de reclusão, as Forças Armadas devem esclarecer o que aconteceu aos presos desaparecidos.
O Exército nomeou uma comissão de investigação, mas a Força Aérea Uruguaia (FAU) decidiu levar a cabo uma investigação independente dentro das suas próprias fileiras, e anunciou a intenção de investigar a violência antes de 1973, ano do golpe de Estado. Segundo a imprensa local, esta decisão causou mal-estar nos meios militares, mas a medida parece justificar-se, tendo sido já apresentados pelo menos três casos.
Simultaneamente, o presidente Vázquez decidiu excluir três situações da «Lei da Caducidade», a qual impede o julgamento de militares: os assassinatos em Buenos Aires, em 1976, do ex-senador Zelmar Michelini e do ex-deputado Héctor Gutiérrez Ruiz, e o caso de María Irureta Goyena, nora do conhecido poeta argentino Juan Gelman.
A resolução da questão dos desaparecidos foi uma das promessas eleitorais de Tabaré Vázquez, que se comprometeu a «fazer cumprir toda a Lei da Caducidade», cujo polémico artigo quarto permite a busca das vítimas da repressão. Segundo a Prensa Latina, a política do governo nesta matéria conta com forte apoio popular e cerca de 80 por cento dos uruguaios aprova a entrada de especialistas nas instituições militares para investigar onde foram enterrados os corpos dos assassinados pela ditadura militar.
Greve geral por aumento de salários
Por outro lado, no plano social, a situação está longe de ser consensual.
O Plenário Intersindical e Convenção Nacional de Trabalhadores (PIT-CNT), principal central operária do Uruguai, convocou para hoje, 30 de Junho, uma greve geral entre as 10 e 14 horas.
Os sindicatos exigem um aumento de 20 por cento do salário mínimo, que actualmente é de 2500 pesos (cerca de 100,8 dólares). A actualização para os 3000 pesos (121 dólares) reivindicada pelos trabalhadores só pode ser decida pelo governo.
A greve foi aprovada no dia 22, em Montevideu, e é o primeiro protesto laboral desde que Tabaré Vázquez assumiu a presidência, em 1 de Março.
A central sindical, que apoiou a eleição presidencial de Vázquez, já havia ameaçado com uma greve parcial em Maio, mas o protesto foi adiado por o governo se ter comprometido a debater as reivindicações dos trabalhadores, que acabaram por não ser satisfeitas.
O protesto de hoje visa igualmente exigir a aprovação de uma lei sobre negociação colectiva e outra que «garanta as liberdades sindicais».
Também o sindicato do sector da saúde decidiu convocar um protesto dos funcionários dos hospitais públicos e dos cerca de 4100 médicos que trabalham para o Estado.