Até sempre, camarada!
Centenas de milhares de pessoas, vindas de todo o País, quiseram prestar a sua última homenagem a Álvaro Cunhal. Na quarta-feira, no funeral, as ruas de Lisboa encheram-se e tingiram-se de vermelho, a cor da causa a que o histórico dirigente comunista dedicou toda a sua vida. Mais do que lamentar uma perda irreparável, as cerimónias fúnebres de Álvaro Cunhal representaram a celebração de uma vida intensamente vivida e da plena confiança de que são indestrutíveis a força e vitalidade do projecto comunista.
Eram muitos. E vinham de todo o País. Dirigentes e militantes do Partido Comunista Português, trabalhadores, mulheres, jovens… Cinco anos depois de a avançada idade e a saúde lhe retirarem a possibilidade de estar entre eles, Álvaro Cunhal foi acompanhado até ao cemitério por uma verdadeira maré vermelha – muitas centenas de milhares –, gente do mesmo povo ao qual se dedicou e entre o qual viveu a maior parte da sua longa vida. Povo que não esquece os seus mais queridos filhos.
Mais do que uma morte, as cerimónias fúnebres de Álvaro Cunhal foram um hino à vida. A uma vida intensamente vivida, bem como ao projecto que deu razão e sentido a essa vida – o projecto de uma nova sociedade, liberta de todas as formas de exploração e opressão.
Quando o corpo do ex-secretário-geral do PCP saiu do Centro de Trabalho Vitória, num caixão coberto pela bandeira rubra com a foice, o martelo e a estrela, eram milhares os que o esperavam na Avenida da Liberdade. A emoção contida explodiu: punhos erguidos, olhos lavados em lágrimas – tantas –, bandeiras rubras ondulando… E compromissos de que a luta continua!
À mesma hora, eram já muitos milhares os que, noutro ponto da cidade – na Praça do Chile, na Avenida Almirante Reis, na rua Morais Soares – esperavam a passagem do corpo de Álvaro Cunhal para começarem então a rumar ao cemitério, onde já se concentravam também milhares de pessoas. Mas tiveram de esperar ainda cerca de duas horas, pois o grandioso desfile começou logo na Avenida da Liberdade.
Um imenso mar vermelho
«Vais-te embora, amigo», dizia, chorando amparado numa árvore, um velho militante comunista, ao ver passar a carrinha que transportava o corpo de Álvaro Cunhal. Mas logo outros camaradas o apoiaram, puxando-o pelo braço: «Anda, senão ficas para trás. Força, a luta tem de continuar».
Ao mesmo tempo que a multidão que seguia o cortejo desde o início era engrossada por outros que ao longo do percurso se iam juntando e se diluía no imenso mar de gente que aguardava na praça para onde estava, aliás, inicialmente marcada a concentração, à tristeza por tão imensa perda somava-se a confiança no futuro e na certeza de que a luta continua e continuará, pela mão daquela interminável massa humana que seguiu o camarada Álvaro Cunhal até ao cemitério.
Nas várias ruas, que pareciam não ter fim, eram muitos os que, à janela, à porta das empresas nas quais trabalhavam, à beira da estrada, saudavam o imenso cortejo. Palmas, panos vermelhos, palavras de incentivo e um imenso agradecimento à vida e à luta daquele homem recentemente desaparecido.
No cemitério, tal como foi seu pedido (ver caixa), não houve discursos. Cerraram-se punhos, agitaram-se bandeiras, cantou-se «A Internacional» e «A Portuguesa». E milhares de olhos voltaram a molhar-se, mas sem nunca perder a confiança no futuro que sempre marcou a vida de Álvaro Cunhal e que marca a de todos – e eram tantos – os que ali se encontravam. Mesmo os que não conseguiram entrar no cemitério, e que encheram completamente a Morais Soares, cantaram, choraram, e despediram-se daquele homem com um sentido «Até sempre, camarada», que surgia em vários cartazes e faixas.
Gratidão e determinação
O corpo de Álvaro Cunhal esteve em câmara ardente no Centro de Trabalho Vitória durante dois dias. Por aí passaram milhares e milhares de pessoas que não quiseram deixar de prestar a sua homenagem ao homem, ao revolucionário, ao comunista. Presentes estiveram altos responsáveis da nação – Presidente da República, Presidente da Assembleia da República, Primeiro-Ministro –, conhecidas personalidades da vida cultural, artística e desportiva, representantes de várias associações e estruturas… Coroas de flores eram mais que muitas. De organismos do Partido, de sindicatos, de autarquias, de camaradas, familiares e amigos, de Fidel Castro…
Mas por lá passou sobretudo o povo. Trabalhadores grandes empresas nacionais, que estiveram na luta pelas nacionalizações; operário agrícolas, nomeadamente dos tempos da Reforma Agrária; jovens que cresceram com o seu exemplo. Aqueles para quem Álvaro Cunhal era – e é – um símbolo de luta por uma vida melhor, por uma sociedade mais justa. E foram sobretudo estes que, chorando ou erguendo o punho, por lá passaram durante os dois dias, esperando longo tempo na fila sem desistir. E muitos milhares assinaram os vários livros de condolências espalhados por vários locais do País.
Para a semana
Suplemento especial
Para a semana, o Avante! publica um suplemento a cores com fotos do funeral do camarada Álvaro Cunhal. Imagens da maré vermelha que inundou Lisboa, que retratam a determinação em prosseguir a sua luta, mas também a dor por tamanha perda. Imagens de uma das maiores concentrações de gente a que Lisboa e Portugal já assistiram. Honrando um homem excepcional, mas também o ideal a que dedicou – e a que preço – toda a sua vida.
Mais do que uma morte, as cerimónias fúnebres de Álvaro Cunhal foram um hino à vida. A uma vida intensamente vivida, bem como ao projecto que deu razão e sentido a essa vida – o projecto de uma nova sociedade, liberta de todas as formas de exploração e opressão.
Quando o corpo do ex-secretário-geral do PCP saiu do Centro de Trabalho Vitória, num caixão coberto pela bandeira rubra com a foice, o martelo e a estrela, eram milhares os que o esperavam na Avenida da Liberdade. A emoção contida explodiu: punhos erguidos, olhos lavados em lágrimas – tantas –, bandeiras rubras ondulando… E compromissos de que a luta continua!
À mesma hora, eram já muitos milhares os que, noutro ponto da cidade – na Praça do Chile, na Avenida Almirante Reis, na rua Morais Soares – esperavam a passagem do corpo de Álvaro Cunhal para começarem então a rumar ao cemitério, onde já se concentravam também milhares de pessoas. Mas tiveram de esperar ainda cerca de duas horas, pois o grandioso desfile começou logo na Avenida da Liberdade.
Um imenso mar vermelho
«Vais-te embora, amigo», dizia, chorando amparado numa árvore, um velho militante comunista, ao ver passar a carrinha que transportava o corpo de Álvaro Cunhal. Mas logo outros camaradas o apoiaram, puxando-o pelo braço: «Anda, senão ficas para trás. Força, a luta tem de continuar».
Ao mesmo tempo que a multidão que seguia o cortejo desde o início era engrossada por outros que ao longo do percurso se iam juntando e se diluía no imenso mar de gente que aguardava na praça para onde estava, aliás, inicialmente marcada a concentração, à tristeza por tão imensa perda somava-se a confiança no futuro e na certeza de que a luta continua e continuará, pela mão daquela interminável massa humana que seguiu o camarada Álvaro Cunhal até ao cemitério.
Nas várias ruas, que pareciam não ter fim, eram muitos os que, à janela, à porta das empresas nas quais trabalhavam, à beira da estrada, saudavam o imenso cortejo. Palmas, panos vermelhos, palavras de incentivo e um imenso agradecimento à vida e à luta daquele homem recentemente desaparecido.
No cemitério, tal como foi seu pedido (ver caixa), não houve discursos. Cerraram-se punhos, agitaram-se bandeiras, cantou-se «A Internacional» e «A Portuguesa». E milhares de olhos voltaram a molhar-se, mas sem nunca perder a confiança no futuro que sempre marcou a vida de Álvaro Cunhal e que marca a de todos – e eram tantos – os que ali se encontravam. Mesmo os que não conseguiram entrar no cemitério, e que encheram completamente a Morais Soares, cantaram, choraram, e despediram-se daquele homem com um sentido «Até sempre, camarada», que surgia em vários cartazes e faixas.
Gratidão e determinação
O corpo de Álvaro Cunhal esteve em câmara ardente no Centro de Trabalho Vitória durante dois dias. Por aí passaram milhares e milhares de pessoas que não quiseram deixar de prestar a sua homenagem ao homem, ao revolucionário, ao comunista. Presentes estiveram altos responsáveis da nação – Presidente da República, Presidente da Assembleia da República, Primeiro-Ministro –, conhecidas personalidades da vida cultural, artística e desportiva, representantes de várias associações e estruturas… Coroas de flores eram mais que muitas. De organismos do Partido, de sindicatos, de autarquias, de camaradas, familiares e amigos, de Fidel Castro…
Mas por lá passou sobretudo o povo. Trabalhadores grandes empresas nacionais, que estiveram na luta pelas nacionalizações; operário agrícolas, nomeadamente dos tempos da Reforma Agrária; jovens que cresceram com o seu exemplo. Aqueles para quem Álvaro Cunhal era – e é – um símbolo de luta por uma vida melhor, por uma sociedade mais justa. E foram sobretudo estes que, chorando ou erguendo o punho, por lá passaram durante os dois dias, esperando longo tempo na fila sem desistir. E muitos milhares assinaram os vários livros de condolências espalhados por vários locais do País.
Para a semana
Suplemento especial
Para a semana, o Avante! publica um suplemento a cores com fotos do funeral do camarada Álvaro Cunhal. Imagens da maré vermelha que inundou Lisboa, que retratam a determinação em prosseguir a sua luta, mas também a dor por tamanha perda. Imagens de uma das maiores concentrações de gente a que Lisboa e Portugal já assistiram. Honrando um homem excepcional, mas também o ideal a que dedicou – e a que preço – toda a sua vida.