Caminhos
Na Única que integra o Expresso de sábado passado, Cândida Pinto, sorridente, conta uma história de terror: «O Caminho de Chávez» – caminho que começou com a afirmação, vejam bem!, de que «o capitalismo é antidemocrático», e que teve como segundo passo a «distribuição de milhares de médicos pelos bairros pobres» - assim criando maus hábitos a milhões de pessoas que, até aí, nunca haviam visto um médico, com a agravante de os médicos serem cubanos. Sempre no mau caminho, o malvado Chávez decidiu, também, matar a fome a milhões de compatriotas seus – a fome que o capitalismo democrático, generoso, lhes fornecera gratuitamente – e para matar tanta fome onde é que ele foi buscar o dinheiro, onde foi?: ao petróleo, imaginem!, ao petróleo!, como se o petróleo venezuelano fosse propriedade do povo venezuelano! Mais e pior: passando todas as marcas do caminho democrático, Chávez diz ser seu objectivo «instaurar o socialismo» – e, «para defender esse regime, sobretudo da ameaça norte-americana, já se apetrechou de uma milícia de dezenas de milhares de venezuelanos». E, pior do que tudo isto: Chávez ganhou as sete eleições realizadas na Venezuela nos últimos seis anos.
Perguntar-se-á: quem é que ensinou tanto sobre a Venezuela à Cândida Pinto?. A resposta é: Mari Cármen. Foi assim: estava ela, a Cândida, em Caracas por altura do referendo do ano passado, toca o telefone, Alô?, era a Mari Cármen, grande dama venezuelana que, apesar de não conhecer a Cândida e de lhe estar a falar pela primeira vez, lhe dizia, «entre soluços, que o resultado do referendo a tinha deixado de rastos, prostrada no chão, em lágrimas». Corre Cândida, solidária, ao encontro da dama Mari Cármen, ergue-a do chão, limpa-lhe as lágrimas e ouve e conta-nos, a história trágica da «vida atribulada» da pobre dama: é «viúva de um grande empresário» e corajosa sucessora do falecido na gestão da fortuna familiar; «teme pelo futuro do país que ama, a Venezuela»; e «tem uns olhos azuis inesquecíveis sublinhados pelo ‘bâton’ nos lábios e uma figura miúda, atrevida, leve e luminosa», enfim, um encanto de dama, vivendo, ai dela, rica coitada!, num mansão de «um bairro elegante de Caracas» (daqueles que são imagem de marca do capitalismo democrático), situado nos antípodas dos «vastos e densos bairros de barracas» (a outra imagem de marca do mesmo capitalismo).
E lá ficaram, as duas, amaldiçoando os caminhos de Chávez e abençoando os caminhos do capitalismo democrático.
Perguntar-se-á: quem é que ensinou tanto sobre a Venezuela à Cândida Pinto?. A resposta é: Mari Cármen. Foi assim: estava ela, a Cândida, em Caracas por altura do referendo do ano passado, toca o telefone, Alô?, era a Mari Cármen, grande dama venezuelana que, apesar de não conhecer a Cândida e de lhe estar a falar pela primeira vez, lhe dizia, «entre soluços, que o resultado do referendo a tinha deixado de rastos, prostrada no chão, em lágrimas». Corre Cândida, solidária, ao encontro da dama Mari Cármen, ergue-a do chão, limpa-lhe as lágrimas e ouve e conta-nos, a história trágica da «vida atribulada» da pobre dama: é «viúva de um grande empresário» e corajosa sucessora do falecido na gestão da fortuna familiar; «teme pelo futuro do país que ama, a Venezuela»; e «tem uns olhos azuis inesquecíveis sublinhados pelo ‘bâton’ nos lábios e uma figura miúda, atrevida, leve e luminosa», enfim, um encanto de dama, vivendo, ai dela, rica coitada!, num mansão de «um bairro elegante de Caracas» (daqueles que são imagem de marca do capitalismo democrático), situado nos antípodas dos «vastos e densos bairros de barracas» (a outra imagem de marca do mesmo capitalismo).
E lá ficaram, as duas, amaldiçoando os caminhos de Chávez e abençoando os caminhos do capitalismo democrático.