Da tortura à malandragem
A Human Rights Watch (HRW), sediada em Nova Iorque, é insuspeita de qualquer matiz progressista. Foi criada, em 1978, para monitorar o respeito dos «direitos humanos» … na ex União Soviética. Esta orientação marcou-lhe, desde o início, uma posição absolutamente tendenciosa, ainda que, a partir de 1980, para «limpar a face», se tenha debruçado minimamente sobre as constantes violações dos direitos humanos na América Central, onde governos ao jeito, ou impostos, por Washington, cometiam – e assim é ainda – atropelos difíceis de imaginar. Hoje, um dos seus alvos na América do Sul é o governo bolivariano da Venezuela. José Miguel Vivanco, director executivo para a região, tem-se portado como um verdadeiro provocador, alinhando pelo diapasão da CIA.
Numa nova tentativa de limpeza facial, exige agora ao «seu» governo, a Washington, investigar a culpabilidade de Donald Rumsfeld (ex Secretário de Estado) e de George Tenet (ex director da CIA) nos casos de tortura de Abu Ghraib. No relatório «Tortura Sem Castigo» apresenta «provas substanciais» que apontam para a necessidade de estabelecer as responsabilidades de ambos e inclui ainda os nomes de Ricardo Sánchez, ex comandante das tropas no Iraque, e do general Geoffrey Millar, responsável pelo campo de prisioneiros de Guantanamo.
«Os soldados de patente mais baixa – afirma-se no relatório – estão a levar a pior parte. (…) enquanto os de mais elevada, que desenharam as políticas, estão a safar-se sem um arranhão. (…) isto é simplesmente injusto». Reed Brody, conselheiro especial da HRW, acrescentou ainda que «esta prática sistemática de abuso em vários países não é o resultado de acções individuais de soldados que contrariaram as regras; é o resultado de decisões adoptadas por oficiais superiores dos Estados Unidos, contrariaram, ignoraram ou actuaram à margem das regras».
É querer limpar a cara, mas é igualmente uma confissão de culpa.
Tropelias na Colômbia
Dois soldados do tio Sam, membros do contingente que invadiu o país ao abrigo do Plano Colômbia, alegadamente para ajudar na luta contra o comércio de narcóticos mas que se concentra, de facto, na luta contra os movimentos guerrilheiros, acabam de ser presos pelas autoridades de Bogotá. Ambos foram apanhados em flagrante crime de contrabando de armas para os movimentos paramilitares de extrema-direita e para agravar a sua situação trataram de subornar as autoridades. Os delitos foram cometidos na Colômbia mas os dois já estão nos Estados Unidos, a coberto de um acordo, assinado em 1974, que garante «imunidade diplomática» – leia-se «impunidade» – ao «pessoal militar» em missões oficiais.
Como é óbvio, este caso tem causado enorme mal-estar no país, tanto mais que está longe de ser o primeiro.
Em Abril, um oficial estado-unidense atropelou mortalmente dois militares colombianos e já está fora do país.
Em Março, ao regressarem à sua base militar nos Estados Unidos, dois soldados foram detidos acusados de contrabandear 16 quilos de cocaína.
Um pouco mais atrás, temos o caso da mulher de um alto oficial gringo apanhada a realizar o mesmo «trabalhinho».
Entretanto, o Plano Colômbia, agora virado também para a previsível agressão contra o governo de Caracas, continua a transformar a Colômbia no país que mais ajuda militar recebe dos Estados Unidos. Já engoliu três mil milhões de dólares e há poucas semanas a «falcão» Condoleezza Rice anunciou, em Bogotá, que este ano contaria com mais seiscentos milhões. O dinheiro norte-americano entra a rodos, mas a política de «segurança democrática» de Uribe rebenta pelas costuras e cria um caos total na administração do país e impede que se cumpra com os deveres, por exemplo, no campo dos serviços de saúde.
Uribe, homem de duas medidas e pouca moral, dá a mão aos paramilitares – não é pessoa de esquecer os favores recebidos – e aperta o punho sobre a guerrilha, produto da repressão governamental iniciada contra os liberais no ano 46. Até o jornal oficialista, El Tiempo, no seu editorial de 26 de Abril, aponta algumas críticas. Algo de grave se passa, escreve. «É um sinal de alarme que os homicídios na cidade (Bogotá) tenham subido 10,6%, passando de 386 no primeiro semestre de 2004 para 427 no que vai de 2005». Com uma população de 43 milhões de habitantes – El Tiempo, 30 de Março – a Colômbia ter perto de 70% da sua gente a viver na pobreza e na indigência. «É uma vergonha para qualquer país e para qualquer governo. Esta é a terrível realidade, agravada pela política de segurança democrática».
Numa nova tentativa de limpeza facial, exige agora ao «seu» governo, a Washington, investigar a culpabilidade de Donald Rumsfeld (ex Secretário de Estado) e de George Tenet (ex director da CIA) nos casos de tortura de Abu Ghraib. No relatório «Tortura Sem Castigo» apresenta «provas substanciais» que apontam para a necessidade de estabelecer as responsabilidades de ambos e inclui ainda os nomes de Ricardo Sánchez, ex comandante das tropas no Iraque, e do general Geoffrey Millar, responsável pelo campo de prisioneiros de Guantanamo.
«Os soldados de patente mais baixa – afirma-se no relatório – estão a levar a pior parte. (…) enquanto os de mais elevada, que desenharam as políticas, estão a safar-se sem um arranhão. (…) isto é simplesmente injusto». Reed Brody, conselheiro especial da HRW, acrescentou ainda que «esta prática sistemática de abuso em vários países não é o resultado de acções individuais de soldados que contrariaram as regras; é o resultado de decisões adoptadas por oficiais superiores dos Estados Unidos, contrariaram, ignoraram ou actuaram à margem das regras».
É querer limpar a cara, mas é igualmente uma confissão de culpa.
Tropelias na Colômbia
Dois soldados do tio Sam, membros do contingente que invadiu o país ao abrigo do Plano Colômbia, alegadamente para ajudar na luta contra o comércio de narcóticos mas que se concentra, de facto, na luta contra os movimentos guerrilheiros, acabam de ser presos pelas autoridades de Bogotá. Ambos foram apanhados em flagrante crime de contrabando de armas para os movimentos paramilitares de extrema-direita e para agravar a sua situação trataram de subornar as autoridades. Os delitos foram cometidos na Colômbia mas os dois já estão nos Estados Unidos, a coberto de um acordo, assinado em 1974, que garante «imunidade diplomática» – leia-se «impunidade» – ao «pessoal militar» em missões oficiais.
Como é óbvio, este caso tem causado enorme mal-estar no país, tanto mais que está longe de ser o primeiro.
Em Abril, um oficial estado-unidense atropelou mortalmente dois militares colombianos e já está fora do país.
Em Março, ao regressarem à sua base militar nos Estados Unidos, dois soldados foram detidos acusados de contrabandear 16 quilos de cocaína.
Um pouco mais atrás, temos o caso da mulher de um alto oficial gringo apanhada a realizar o mesmo «trabalhinho».
Entretanto, o Plano Colômbia, agora virado também para a previsível agressão contra o governo de Caracas, continua a transformar a Colômbia no país que mais ajuda militar recebe dos Estados Unidos. Já engoliu três mil milhões de dólares e há poucas semanas a «falcão» Condoleezza Rice anunciou, em Bogotá, que este ano contaria com mais seiscentos milhões. O dinheiro norte-americano entra a rodos, mas a política de «segurança democrática» de Uribe rebenta pelas costuras e cria um caos total na administração do país e impede que se cumpra com os deveres, por exemplo, no campo dos serviços de saúde.
Uribe, homem de duas medidas e pouca moral, dá a mão aos paramilitares – não é pessoa de esquecer os favores recebidos – e aperta o punho sobre a guerrilha, produto da repressão governamental iniciada contra os liberais no ano 46. Até o jornal oficialista, El Tiempo, no seu editorial de 26 de Abril, aponta algumas críticas. Algo de grave se passa, escreve. «É um sinal de alarme que os homicídios na cidade (Bogotá) tenham subido 10,6%, passando de 386 no primeiro semestre de 2004 para 427 no que vai de 2005». Com uma população de 43 milhões de habitantes – El Tiempo, 30 de Março – a Colômbia ter perto de 70% da sua gente a viver na pobreza e na indigência. «É uma vergonha para qualquer país e para qualquer governo. Esta é a terrível realidade, agravada pela política de segurança democrática».