Penetração da Iberdrola

Um fato à medida

O Grupo Parlamentar comunista acusou o Governo de estar a ser conivente com a estratégia e as pretensões da Iberdrola no nosso País. «Tudo o que vai sendo noticiado indicia o talhar de um fato à medida da ...Iberdrola», alertou o deputado Agostinho Lopes, que suscitou a questão na sessão de perguntas ao Governo que preencheu a agenda plenária de sexta-feira passada.
Interpelando o secretário de Estado da Economia, o parlamentar do PCP desafiou-o a esclarecer o assunto nos seguintes termos: «vai o Governo rever e reconsiderar a distribuição das licenças para Centrais de Ciclo Combinado feita pelo anterior Governo? Com que critérios o vai fazer? Vai ser dada satisfação à reclamação da GALP de mais potência? Vai também atender às reclamações da Iberdrola e da Gás Natural?»
Notícias recentes, que Agostinho Lopes fez questão de recordar ao membro do Governo, têm vindo a referir a vontade da Iberdrola de caminhar para a produção de energia eléctrica com a GALP. A público veio também o facto de a Iberdrola reclamar da distribuição de licenças para Centrais de Ciclo Combinado, decididas pelo anterior governo no dia 21 de Fevereiro, apesar de já ter sido contemplada com 420 MW na Figueira da Foz.
Realçada, em outra notícia, foi também a decisão da administração dos CTT, já fora de prazo (o seu mandato terminou em Dezembro de 2004), de firmar um contrato com a Iberdrola para vender aos seus balcões contratos de energia para consumidores domésticos.
Na resposta ao deputado comunista (que inquirira igualmente sobre o negócio dos CTT com a Iberdrola), o que se ouviu de mais substantivo do governante foi a afirmação de que não havia motivos para «preocupação» e de que, pela sua parte, não tem nenhum preconceito em relação ao capital estrangeiro.
O que só fez acentuar ainda mais as legítimas preocupações do deputado do PCP que, socorrendo-se do aforismo popular que diz que «à mulher de César não lhe basta parecer séria», referiu que «os antecedentes do PS na matéria não são bons» como prova a «história da entrada da ENI e da Iberdrola no capital da GALP», que veio inclusivamente a justificar um inquérito parlamentar.
«Quando se mete a raposa na capoeira ... fica-se sem galinhas», acrescentou ainda Agostinho Lopes, para mostrar a diferença de tratamento entre os governos português e espanhol à entrada de concorrentes estrangeiros. E citou, a propósito, palavras do Presidente da República, em visita a Espanha, no final de 2003, manifestando «surpresa, espanto e admiração pelo que classificou como limitações aos interesses económicos portugueses» decorrentes do «proteccionismo espanhol que limita investimentos e as possibilidades das empresas portugueses».


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