Professores com dúvidas sobre Processo de Bolonha

«Talvez se tenha encarado a dinâmica de Bolonha com algum excesso de voluntarismo. Uma velocidade excessiva pode levar a derrapagens políticas que são graves», afirmou Rui de Alarcão, antigo reitor da Universidade de Coimbra, a propósito do Processo de Bolonha, durante o seminário «Ensino e Mercado de Trabalho, realizado na semana passada naquela cidade.
Para Rui de Alarcão, a Europa «é essencialmente diferença e as diferenças devem ser valorizadas no processo. A unidade na diversidade tem sido a grande riqueza da Europa, pelo que seria mau uma estandardização. A Europa levou séculos a fazer- se. Não se pense que por uma decisão voluntária se vão fazer modificações tão transcendentes e importantes.» Uma das questões levantadas foi a dos prazos da aplicação do processo, considerando-os irrealistas.
O antigo reitor não foi o único a expressar dúvidas em relação a Bolonha durante o seminário. Também Manuel Lopes Porto, professor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, manifestou reservas, considerando que foi «um erro crasso» ter-se admitido excepções à duração dos diplomas, nomeadamente nas ciências da saúde. «É intolerável, inquina o processo à partida», afirmou.
Lopes Porto considera que é «agradável uma pessoa ter uma licenciatura ao fim de três, quatro anos. Mas, ao disputar um lugar no mercado de trabalho da Europa, este diploma, que representou uma poupança na formação, talvez não vingue no resto da vida profissional.»
A Declaração de Bolonha foi subscrita em 1999 por cerca de 40 países europeus, com o objectivo assumido de criar até 2010 um espaço de ensino superior com graus académicos e cursos harmonizados.


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