«Forjado»
Com a displicência que se reserva às questões marginais, a notícia de um diário rezava esta semana assim, ao fundo de uma coluna de última página resumindo acontecimentos de última hora: «Os serviços secretos britânicos advertiram Tony Blair de que os EUA tinham “forjado” provas contra o Iraque. A revelação foi feita ontem pela BBC, com base num documento oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros».
Extraordinário. É o próprio Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico que afirma, preto no branco em documento oficial, que o primeiro-ministro britânico Tony Blair mentiu com todos os dentes que se escancaram, imensos, no seu eterno sorriso, quando há dois anos, solenemente, garantia ao seu próprio povo que o terrível Saddam não só dispunha de «armas de destruição maciça», como as podia «lançar contra o mundo» em escassas horas.
Aliás, era evidente ao mais crédulo e incauto cidadão a monumental burla montada pelo então secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, quando se exibiu pela Europa naquele agora tão célebre como então penoso exercício de prestidigitação, para convencer os europeus e o mundo que umas animações ridículas de uns camiões desenhados no Pentágono eram perigosas «fábricas de armas de destruição maciça» que se passeavam alegremente pelas estradas do Iraque.
Só mesmo demagogos servis, como o então primeiro-ministro português, Durão Barroso, tinham descaramento para fingir que acreditavam em tão grosseiro embuste.
E, na sua esteira, o coro de um diversificado cacharolete, onde cabiam desde as aves canoras de retinto reaccionarismo aos serviçais de pluma mercenária, passando pelos idiotas chapados.
Seja como for, todos nos lembramos do imenso alarido com que os EUA e seus lacaios britânicos bombardearam primeiro o mundo para, depois, o fazerem «justificadamente» no Iraque, já com os explosivos de todos os calibres que o imperialismo estava sofregamente à espera de experimentar «ao vivo», que é como quem diz sobre seres vivos, desarmados e aos milhões.
Daí a estupefacção pela ligeireza com que o mundo político em geral e informativo em particular passaram sobre este desmascaramento de Tony Blair, tal como já havia ocorrido quando o próprio George W. Bush, o rosto desta imensa tragédia que os EUA desencadearam no Iraque e no planeta, confessou ele próprio, com espantoso à vontade, que afinal não se tinham encontrado as tais «armas de destruição maciça» que haviam fundamentado a invasão do Iraque, mas que esta guerra se justificava na mesma porque se Saddam não tinha as tais armas... podia muito bem vir a tê-las no futuro!
É óbvio que estamos a viver um tempo de trevas, cuja escuridão se adensa e alastra pelo planeta. As consequências estão cada vez mais à vista, apesar do avassalador controle com que o imperialismo a todos impõe a visão que lhe interessa: a fome e a injustiça grassam por países e continentes inteiros, a desregulamentação social galopa, desenfreada, a caminho da selvajaria liberal que apenas se interessa pelo lucro e a apropriação da riqueza, as pessoas e as sociedades estão implacavelmente a ser encurraladas num imenso redil, onde um punhado de senhores do mundo exploram o que entendem e como lhes apraz. Para isso, já desencadeiam guerras como a do Iraque para controlar o petróleo e mentem com a desfaçatez de Bush ou de Blair.
Todavia, a corda parte sempre quando a esticam demasiado. É o que mais uma vez vai acontecer. Tão certo, como erradas eram as mentiras de Bush e de Blair.
Extraordinário. É o próprio Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico que afirma, preto no branco em documento oficial, que o primeiro-ministro britânico Tony Blair mentiu com todos os dentes que se escancaram, imensos, no seu eterno sorriso, quando há dois anos, solenemente, garantia ao seu próprio povo que o terrível Saddam não só dispunha de «armas de destruição maciça», como as podia «lançar contra o mundo» em escassas horas.
Aliás, era evidente ao mais crédulo e incauto cidadão a monumental burla montada pelo então secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, quando se exibiu pela Europa naquele agora tão célebre como então penoso exercício de prestidigitação, para convencer os europeus e o mundo que umas animações ridículas de uns camiões desenhados no Pentágono eram perigosas «fábricas de armas de destruição maciça» que se passeavam alegremente pelas estradas do Iraque.
Só mesmo demagogos servis, como o então primeiro-ministro português, Durão Barroso, tinham descaramento para fingir que acreditavam em tão grosseiro embuste.
E, na sua esteira, o coro de um diversificado cacharolete, onde cabiam desde as aves canoras de retinto reaccionarismo aos serviçais de pluma mercenária, passando pelos idiotas chapados.
Seja como for, todos nos lembramos do imenso alarido com que os EUA e seus lacaios britânicos bombardearam primeiro o mundo para, depois, o fazerem «justificadamente» no Iraque, já com os explosivos de todos os calibres que o imperialismo estava sofregamente à espera de experimentar «ao vivo», que é como quem diz sobre seres vivos, desarmados e aos milhões.
Daí a estupefacção pela ligeireza com que o mundo político em geral e informativo em particular passaram sobre este desmascaramento de Tony Blair, tal como já havia ocorrido quando o próprio George W. Bush, o rosto desta imensa tragédia que os EUA desencadearam no Iraque e no planeta, confessou ele próprio, com espantoso à vontade, que afinal não se tinham encontrado as tais «armas de destruição maciça» que haviam fundamentado a invasão do Iraque, mas que esta guerra se justificava na mesma porque se Saddam não tinha as tais armas... podia muito bem vir a tê-las no futuro!
É óbvio que estamos a viver um tempo de trevas, cuja escuridão se adensa e alastra pelo planeta. As consequências estão cada vez mais à vista, apesar do avassalador controle com que o imperialismo a todos impõe a visão que lhe interessa: a fome e a injustiça grassam por países e continentes inteiros, a desregulamentação social galopa, desenfreada, a caminho da selvajaria liberal que apenas se interessa pelo lucro e a apropriação da riqueza, as pessoas e as sociedades estão implacavelmente a ser encurraladas num imenso redil, onde um punhado de senhores do mundo exploram o que entendem e como lhes apraz. Para isso, já desencadeiam guerras como a do Iraque para controlar o petróleo e mentem com a desfaçatez de Bush ou de Blair.
Todavia, a corda parte sempre quando a esticam demasiado. É o que mais uma vez vai acontecer. Tão certo, como erradas eram as mentiras de Bush e de Blair.