Processo de paz continua ameaçado
O governo de Ariel Sharon aprovou, domingo, o novo traçado do muro de separação na Cisjordânia, construção que continua a ameaçar a paz na região.
«O«Muro do Apartheid» separa aldeias e vilas»
Contrariamente ao reclamado pela Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), o executivo liderado por Ariel Sharon aprovou o novo traçado da barreira de separação com a Cisjordânia.
A decisão surgiu na sequência da aprovação, por maioria, da retirada dos colonatos na Faixa de Gaza após quase três décadas de ocupação.
Igualmente abrangidos na retirada estão quatro colonatos no norte da Cisjordânia, mas as medidas não são suficientes para garantirem um rumo seguro para a paz na região.
Em reacção à decisão israelita, a ANP considerou, pelo voz do ministro das Relações Exteriores, Saeb Erekat, que «a medida arruina os esforços para retomar o processo de paz», tanto mais que o desenho redefinido penetra na Cisjordânia de forma a manter a soberania israelita do colonato de Gush Etzion.
A construção, que deverá ter cerca de 700 quilómetros e à qual os palestinianos já chamam «Muro do Apartheid» foi, em Julho do ano passado, condenada pela Assembleia Geral da ONU e pelo Tribunal Internacional de Justiça, organismos que exigiram o seu imediato desmantelamento.
Os palestinianos demonstram também que o «Muro do Apartheid» separa aldeias e vilas, para além de impedir as populações de acederem a determinados recursos hídricos, a propriedades agrícolas, vias de comunicação e mesmo ao contacto com parentes directos.
Ahmed Quorei em xeque
Entretanto o impasse atingiu igualmente o governo da ANP, executivo que se deverá manter em funções até Julho, mês para o qual estão agendadas eleições legislativas.
A proposta apresentada, segunda-feira, pelo primeiro-ministro Ahmed Quorei carece ainda do apoio da maioria dos 85 deputados, tendo sido adiada, para o dia de ontem, a votação da composição ministerial.
Mais de uma vintena de parlamentares anunciaram na Câmara Legislativa a intenção de votarem contra o executivo de Quorei, e o sentido de voto dos restantes deverá também estar dependente do cumprimento da promessa de remodelação dos protagonistas e do combate à corrupção no exercício de cargos executivos na ANP.
Libertações e...
Ainda na segunda-feira, o presidente Mahmud Abbas recebeu alguns dos cerca de 500 ex-prisioneiros libertados das prisões de Israel.
Os activistas palestinianos prestaram tributo a Yasser Arafat junto o túmulo do antigo dirigente antes de seguirem em ambiente de festa para a tão desejada reunião familiar.
A este grupo, agora livre, deverá seguir-se um outro de 400 indivíduos detidos. A libertação surgiu na sequência das conversações de Charm El-Cheik, no Egipto, no passado dia 8 de Fevereiro.
Não obstante, nas prisões israelitas permanecem encarcerados 7500 palestinianos, entre os quais 129 são mulheres, mais de trezentos são menores de idade, 276 cumprem prisão perpétua e um milhar encontra-se doente.
detenções
No mesmo dia em que se celebravam algumas libertações, o ministério palestiniano para os prisioneiros revelou que, desde o recomeço das negociações, o exército israelita não cessou as incursões com vista à captura de activistas e dirigentes políticos.
Nas últimas semanas o número ascende a 70 novos prisioneiros, isto apesar de Israel afirmar ter interrompido as operações de detenção e eliminação selectiva.
Riyad al-Ahskar, porta-voz do ministério, aproveitou ainda para lembrar que num estabelecimento prisional situado no deserto de Neguev continuam cerca de mil prisioneiros ao abrigo de uma figura legal que admite a detenção por períodos renováveis de seis meses, sem no entanto ter sido deduzida qualquer acusação.
A decisão surgiu na sequência da aprovação, por maioria, da retirada dos colonatos na Faixa de Gaza após quase três décadas de ocupação.
Igualmente abrangidos na retirada estão quatro colonatos no norte da Cisjordânia, mas as medidas não são suficientes para garantirem um rumo seguro para a paz na região.
Em reacção à decisão israelita, a ANP considerou, pelo voz do ministro das Relações Exteriores, Saeb Erekat, que «a medida arruina os esforços para retomar o processo de paz», tanto mais que o desenho redefinido penetra na Cisjordânia de forma a manter a soberania israelita do colonato de Gush Etzion.
A construção, que deverá ter cerca de 700 quilómetros e à qual os palestinianos já chamam «Muro do Apartheid» foi, em Julho do ano passado, condenada pela Assembleia Geral da ONU e pelo Tribunal Internacional de Justiça, organismos que exigiram o seu imediato desmantelamento.
Os palestinianos demonstram também que o «Muro do Apartheid» separa aldeias e vilas, para além de impedir as populações de acederem a determinados recursos hídricos, a propriedades agrícolas, vias de comunicação e mesmo ao contacto com parentes directos.
Ahmed Quorei em xeque
Entretanto o impasse atingiu igualmente o governo da ANP, executivo que se deverá manter em funções até Julho, mês para o qual estão agendadas eleições legislativas.
A proposta apresentada, segunda-feira, pelo primeiro-ministro Ahmed Quorei carece ainda do apoio da maioria dos 85 deputados, tendo sido adiada, para o dia de ontem, a votação da composição ministerial.
Mais de uma vintena de parlamentares anunciaram na Câmara Legislativa a intenção de votarem contra o executivo de Quorei, e o sentido de voto dos restantes deverá também estar dependente do cumprimento da promessa de remodelação dos protagonistas e do combate à corrupção no exercício de cargos executivos na ANP.
Libertações e...
Ainda na segunda-feira, o presidente Mahmud Abbas recebeu alguns dos cerca de 500 ex-prisioneiros libertados das prisões de Israel.
Os activistas palestinianos prestaram tributo a Yasser Arafat junto o túmulo do antigo dirigente antes de seguirem em ambiente de festa para a tão desejada reunião familiar.
A este grupo, agora livre, deverá seguir-se um outro de 400 indivíduos detidos. A libertação surgiu na sequência das conversações de Charm El-Cheik, no Egipto, no passado dia 8 de Fevereiro.
Não obstante, nas prisões israelitas permanecem encarcerados 7500 palestinianos, entre os quais 129 são mulheres, mais de trezentos são menores de idade, 276 cumprem prisão perpétua e um milhar encontra-se doente.
detenções
No mesmo dia em que se celebravam algumas libertações, o ministério palestiniano para os prisioneiros revelou que, desde o recomeço das negociações, o exército israelita não cessou as incursões com vista à captura de activistas e dirigentes políticos.
Nas últimas semanas o número ascende a 70 novos prisioneiros, isto apesar de Israel afirmar ter interrompido as operações de detenção e eliminação selectiva.
Riyad al-Ahskar, porta-voz do ministério, aproveitou ainda para lembrar que num estabelecimento prisional situado no deserto de Neguev continuam cerca de mil prisioneiros ao abrigo de uma figura legal que admite a detenção por períodos renováveis de seis meses, sem no entanto ter sido deduzida qualquer acusação.