O rapto de Granda

Venezuela exige desculpas à Colômbia

Venezuela rompe relações com a Colômbia, acusando o país vizinho de suborno de funcionários e violação da soberania venezuelana. Chávez exige explicações.

«A polícia colombiana subornou militares venezuelanos»

O sequestro em território venezuelano de Ricardo González, dirigente das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo (FARC-EP), também conhecido por Rodrigo Granda, abriu uma séria crise entre Caracas e Bogotá.
O embaixador venezuelano na Colômbia foi retirado e não regressará até que o governo colombiano apresente desculpas e esclareça publicamente o sucedido, afirmou o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, garantindo que os envolvidos no caso «serão julgados» e que as autoridades serão «implacáveis com este pequeno grupo de venezuelanos que não merecem usar o uniforme das Forças Armadas de Simón Bolívar».
Ao dirigir a sua mensagem de Ano Novo à Assembleia Nacional (NA), Hugo Chávez denunciou a «violação flagrante da soberania» do seu país pela Colômbia e «convidou» diplomaticamente o seu homólogo colombiano, Alvaro Uribe, a reconhecer o facto e a apresentar «desculpas formais».
Segundo Chávez, a polícia colombiana subornou um punhado de militares a quem pagou o que designa por «resgate» de Rodrigo Granda. Sublinhando a gravidade de o governo colombiano estar a instigar semelhante delito, Chávez fez notar que as autoridades da Venezuela também estão interessadas em capturar «Pedro Carmona, ou o grupo ex-militares venezuelanos, terroristas e golpistas que estão nos EUA, na América Central ou mesmo na Colômbia», mas cingem-se aos procedimentos do direito internacional, única forma de evitar que as relações entre os estados fiquem entregues «à lei da selva».

De ofensor a ofendido

Um comunicado da presidência da Colômbia entretanto divulgado reconhecia que o país «paga recompensas a informadores que permitam a captura de terroristas», mas «não suborna», e exigia que a Venezuela apresentasse «provas do suposto suborno de funcionários».
O documento emitido pelo Palácio Nariño afirma que a Colômbia «entregará provas ao governo da Venezuela sobre a protecção que funcionários desse país» davam a Granda, e sublinha que «albergar terroristas viola a soberania da Colômbia, país ofendido, por fazer aumentar o perigo de terror contra a sua cidadania».
A reacção colombiana veio deitar mais lenha na fogueira. O vice-presidente da Venezuela, Vicente Rangel, classificou-a de «deplorável» por tentar justificar o injustificável, e no domingo, no seu programa «Alô Presidente», Chávez revelou que o tenente-coronel venezuelano implicado no caso, já detido, confessou ter passado a fronteira e entregado «o sequestrado a um comandante da polícia colombiana, pelo que recebeu a primeira parte do suborno». O primeiro pagamento, disse, foi de 10 milhões de bolívares (cerca de 5200 dólares), a que se deveriam seguir outros pagamentos.
Hugo Chávez informou ainda que «há funcionários civis e militares da Colômbia implicados» no caso. «Foi um sequestro» - sublinhou - e «isso é um crime quer seja cometido pela guerrilha, pelo narcotráfico, pelos paramilitares ou por um governo».
Alvaro Uribe diz-se disposto a debater o caso com Hugo Chávez, informou a rádio Caracol, mas no âmbito de um debate mais alargado sobre terrorismo e com a participação de outros governos. Chávez já respondeu estar aberto ao diálogo, mas quer um encontro a dois, «cara a cara», em que Uribe reconheça ter sido «cometido um delito», pois «tudo o mais, neste momento, é secundário».


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