Ajuda internacional continua no papel
A ONU alerta que muita da ajuda anunciada para o sudeste asiático ainda não passou do papel e pode ser esquecida quando a tragédia deixar de ser notícia.
Promessas de auxílio ascendem a 2,69 mil milhões de dólares
Os países doadores da ajuda às vítimas do maremoto na Ásia reuniram-se esta semana em
Genebra, sob a égide da ONU, para tentar concretizar promessas e coordenar a solidariedade com os países devastados pelo sismo e maremoto de 26 de Dezembro.
Na conferência de Genebra, presidida por Jan Egeland, coordenador das operações de emergência das Nações Unidas, esperava-se que os países doadores oficializassem as suas promessas de ajuda e definissem calendários precisos para a respectiva entrega.
Segundo a Lusa, as Nações Unidas, cujo papel de coordenação da ajuda foi confirmado quinta-feira da semana passada durante a conferência de Jacarta, pediram 977 milhões de dólares (744 milhões de euros) para prestar ajuda imediata a cinco milhões de pessoas para os próximos seis meses.
As promessas de auxílio recebidas pela ONU ascendem a 2,69 mil milhões de dólares (1,9 mil milhões de euros), quase três vezes mais do que o montante pedido, mas até à data as promessas não passaram do papel e os doares ainda não indicaram quando é que esse dinheiro vai ser desbloqueado. Por este motivo, as organizações humanitárias receiam que as ajudas fiquem pelo caminho à medida a tragédia deixe de ser notícia.
A propósito, as Nações Unidas já lembraram que o Irão continua sem receber o prometido auxílio para a reconstrução das zonas destruídas no violento sismo que há mais de um ano devastou o país. Recuando um pouco, é bom também ter presente que dos 1 700 milhões de dólares pedidos pela ONU em 2002 para assistência às populações afectadas por desastres naturais, apenas 60 por cento dessa verba foi recolhida.
Na ordem de trabalhos da conferência constava ainda o debate do apelo da ONU para a criação de um fundo de 1,7 mil milhões de dólares (1,2 mil milhões de euros), destinado a financiar em 2005 as suas restantes operações humanitárias, que abrangem 26 milhões de pessoas.
Dados para reflectir
Actualmente, segundo dados do Instituto do Terceiro Mundo (edição de 10 de Janeiro de Gloobal Hoy), estima-se que existam no mundo mais de 22 milhões de refugiados e 30 milhões de deslocados dentro das fronteiras dos seus países. Estes números não incluem os chamados «refugiados ambientais», estimados em 25 milhões.
Esta última categoria de refugiados, que os governos normalmente não têm em conta como tal, é composta por pessoas obrigadas a abandonar as suas casas devido a problemas ambientais diversos - como secas, desertificação, erosão dos solos, acidentes industriais, nucleares e outros -, e está em contínuo crescimento. De acordo com a mesma fonte, estima-se que em 2010 os refugiados ambientais possam chegar aos 50 milhões.
Na origem deste problema, para além dos fenómenos naturais, está o impacto negativo da intervenção humana, cujas consequências afectam sobretudo os mais pobres. Um estudo da ONU, datado de 1998, estima que 96 por cento das mortes causadas por desastres se registam em 66 por cento da população mais pobre do planeta.
Em 2002, perderam a vida 50 mil pessoas em todo o mundo em consequência de catástrofes naturais ocorridas nesse ano. Para além do número de vítimas, as perdas materiais registadas ascenderam a cerca de 91 mil milhões de dólares, mais do dobro das contabilizadas em 1997, o que levou os especialistas a considerar este período um ano «negro» para a vida humana.
De acordo com estudos científicos de diversas estações meteorológicas, os desastres naturais registados na década de 90 provocaram um média de 35 000 milhões de dólares de prejuízos por ano.
Desastres registados em 2002
- Desde meados a finais de Janeiro, as intensas chuvas registadas na província da Zambézia fizeram transbordar o rio Licungo e causaram inundações devastadoras em Moçambique. Mais de 500 000 mil pessoas foram afectadas.
- Em Março, as inundações devastaram uma extensa área no nordeste da Hungria, no noroeste da Roménia e no ocidente da Ucrânia, provocando a deslocação de dezenas de milhares de pessoas.
- Em Julho, no Paquistão, a subida repentina das águas afectou várias zonas do país. As cidades de Islamabad e Rawalpindi foram as mais afectadas e 132 pessoas morreram.
- Em meados de Novembro, 576 vietnamitas morreram devido a desastres naturais, principalmente inundações e tufões. Os danos materiais ascenderam a mais de 200 milhões de dólares.
- A persistente seca, plurianual, sentida em vastas zonas da Ásia, afectou cerca de 60 milhões de pessoas.
- Após vários meses de seca, inundações devastadoras afectaram Argel, a capital argelina, provocando a morte de 751 pessoas. A catástrofe provocou ainda milhares de feridos e deixou cerca de 40 000 pessoas sem casa.
Genebra, sob a égide da ONU, para tentar concretizar promessas e coordenar a solidariedade com os países devastados pelo sismo e maremoto de 26 de Dezembro.
Na conferência de Genebra, presidida por Jan Egeland, coordenador das operações de emergência das Nações Unidas, esperava-se que os países doadores oficializassem as suas promessas de ajuda e definissem calendários precisos para a respectiva entrega.
Segundo a Lusa, as Nações Unidas, cujo papel de coordenação da ajuda foi confirmado quinta-feira da semana passada durante a conferência de Jacarta, pediram 977 milhões de dólares (744 milhões de euros) para prestar ajuda imediata a cinco milhões de pessoas para os próximos seis meses.
As promessas de auxílio recebidas pela ONU ascendem a 2,69 mil milhões de dólares (1,9 mil milhões de euros), quase três vezes mais do que o montante pedido, mas até à data as promessas não passaram do papel e os doares ainda não indicaram quando é que esse dinheiro vai ser desbloqueado. Por este motivo, as organizações humanitárias receiam que as ajudas fiquem pelo caminho à medida a tragédia deixe de ser notícia.
A propósito, as Nações Unidas já lembraram que o Irão continua sem receber o prometido auxílio para a reconstrução das zonas destruídas no violento sismo que há mais de um ano devastou o país. Recuando um pouco, é bom também ter presente que dos 1 700 milhões de dólares pedidos pela ONU em 2002 para assistência às populações afectadas por desastres naturais, apenas 60 por cento dessa verba foi recolhida.
Na ordem de trabalhos da conferência constava ainda o debate do apelo da ONU para a criação de um fundo de 1,7 mil milhões de dólares (1,2 mil milhões de euros), destinado a financiar em 2005 as suas restantes operações humanitárias, que abrangem 26 milhões de pessoas.
Dados para reflectir
Actualmente, segundo dados do Instituto do Terceiro Mundo (edição de 10 de Janeiro de Gloobal Hoy), estima-se que existam no mundo mais de 22 milhões de refugiados e 30 milhões de deslocados dentro das fronteiras dos seus países. Estes números não incluem os chamados «refugiados ambientais», estimados em 25 milhões.
Esta última categoria de refugiados, que os governos normalmente não têm em conta como tal, é composta por pessoas obrigadas a abandonar as suas casas devido a problemas ambientais diversos - como secas, desertificação, erosão dos solos, acidentes industriais, nucleares e outros -, e está em contínuo crescimento. De acordo com a mesma fonte, estima-se que em 2010 os refugiados ambientais possam chegar aos 50 milhões.
Na origem deste problema, para além dos fenómenos naturais, está o impacto negativo da intervenção humana, cujas consequências afectam sobretudo os mais pobres. Um estudo da ONU, datado de 1998, estima que 96 por cento das mortes causadas por desastres se registam em 66 por cento da população mais pobre do planeta.
Em 2002, perderam a vida 50 mil pessoas em todo o mundo em consequência de catástrofes naturais ocorridas nesse ano. Para além do número de vítimas, as perdas materiais registadas ascenderam a cerca de 91 mil milhões de dólares, mais do dobro das contabilizadas em 1997, o que levou os especialistas a considerar este período um ano «negro» para a vida humana.
De acordo com estudos científicos de diversas estações meteorológicas, os desastres naturais registados na década de 90 provocaram um média de 35 000 milhões de dólares de prejuízos por ano.
Desastres registados em 2002
- Desde meados a finais de Janeiro, as intensas chuvas registadas na província da Zambézia fizeram transbordar o rio Licungo e causaram inundações devastadoras em Moçambique. Mais de 500 000 mil pessoas foram afectadas.
- Em Março, as inundações devastaram uma extensa área no nordeste da Hungria, no noroeste da Roménia e no ocidente da Ucrânia, provocando a deslocação de dezenas de milhares de pessoas.
- Em Julho, no Paquistão, a subida repentina das águas afectou várias zonas do país. As cidades de Islamabad e Rawalpindi foram as mais afectadas e 132 pessoas morreram.
- Em meados de Novembro, 576 vietnamitas morreram devido a desastres naturais, principalmente inundações e tufões. Os danos materiais ascenderam a mais de 200 milhões de dólares.
- A persistente seca, plurianual, sentida em vastas zonas da Ásia, afectou cerca de 60 milhões de pessoas.
- Após vários meses de seca, inundações devastadoras afectaram Argel, a capital argelina, provocando a morte de 751 pessoas. A catástrofe provocou ainda milhares de feridos e deixou cerca de 40 000 pessoas sem casa.