Greves por salários e emprego
A par das questões salariais, os sindicatos franceses convocaram greves em Janeiro em defesa dos serviços públicos, contra as supressões maciças de postos de trabalho e a precarização do emprego.
Caminhos de ferro, correios, ensino e administração pública mobilizam-se
Seis federações sindicais francesas (CGT, CFGT, FO, FSU, UNSA e CFTC) convergiram na convocação de uma jornada nacional de luta para o próximo dia 20 que abrange mais de cinco milhões de trabalhadores da Administração Pública, do ensino, correios e caminhos-de-ferro.
As greves e manifestações em todo o pais são a resposta sindical à intransigência do governo de direita que, após o fracasso das negociações, rompidas em 21 de Dezembro pelos sindicatos, tenta impor unilateralmente uma actualização salarial de apenas um por cento em 2005.
Para o sector trata-se de uma proposta inaceitável, tanto mais que, desde Janeiro de 2000, os salários sofreram uma desvalorização real de cinco por cento face á inflação registada.
Todavia a mobilização sindical vai muito para além das questões pecuniárias, lançando exigências mais amplas como a defesa dos serviços públicos, cuja missão está a ser posta em causa por políticas destruidoras que apostam na eliminação maciça de postos de trabalho e na precarização do emprego, provocando carência de efectivos e a degradação das condições de prestação.
Por isso, os sindicatos apelam a uma ampla unidade dos trabalhadores para exigir uma política de serviços públicos que responda às necessidades.
As estruturas sindicais do ensino escolheram igualmente o dia 20 para a realização de uma greve nacional, a primeira desde 25 de Maio do ano transacto, exigindo o abandono do projecto de lei de orientação da escola. Face à ameaça de extinção de milhares de empregos, o pessoal docente volta a unir-se numa frente sindical única.
No correios, mais de 300 mil trabalhadores do quadro e contratados irão paralisar no dia 18, respondendo ao apelo da CGT, SUD e FO, estruturas que representam 73 por cento dos assalariados da empresa pública.
A data escolhida coincide com o início do debate parlamentar do projecto de lei relativo à regulação das actividades postais que visa transpor para a legislação francesa as directivas europeias sobre a liberalização do sector que permitem a entrada de outros operadores neste mercado até hoje defendido das regras da concorrência. O projecto autoriza a ainda La Poste a criar uma instituição de crédito
Os sindicatos manifestam a sua oposição à liberalização do sector postal e à criação deste «banco», alertando para a destruição de milhares de postos de trabalho e para as consequências negativas na prestação universal deste serviço público essencial.
Lucros e desemprego
Nos caminhos-de-ferro franceses (SNCF), a CGT, UNSA, FGAAC e FO convocaram separadamente uma greve para o dia 19, em protesto contra os objectivos traçados no orçamento da empresa para 2005.
Após quatro anos de prejuízos acumulados, a SNCF pretende agora alcançar resultados líquidos de 113 milhões de euros. Para isso, anuncia a extinção de 3 590 postos de trabalho, num total de cerca de 168 mil, ou seja uma redução dos efectivos de dois por cento.
O documento, revelado na segunda-feira pelo diário francês La Tribune, indica que a supressão de empregos será efectuada sem despedimentos. Assim, dos 7300 trabalhadores que abandonarão a empresa, 5 440 passam à situação de reforma. Em contrapartida, estão previstas apenas 3 700 novas contratações:
Para o secretário-geral dos Ferroviários da CGT (sindicato maioritário), a redução de pessoal poderá ser maior que a anunciada, aproximando-se dos quatro mil postos de trabalho. Didier Le Reste, citado pelo Le Monde, calcula que «entre Setembro de 2002 e Setembro de 2005 um total de 11 765 empregos terão desaparecido.
O projecto de orçamento, apesar de reconhecer a existência de um «ambiente económico incerto», propõe-se não só atingir um lucro significativo (113 milhões de euros contra um prejuízo de 93 milhões em 2004), mas também triplicar o resultado de exploração que deverá disparar para 389 milhões de euros.
No dia previsto para a sua aprovação pelo conselho de administração, os trabalhadores prometem parar os comboios.
As greves e manifestações em todo o pais são a resposta sindical à intransigência do governo de direita que, após o fracasso das negociações, rompidas em 21 de Dezembro pelos sindicatos, tenta impor unilateralmente uma actualização salarial de apenas um por cento em 2005.
Para o sector trata-se de uma proposta inaceitável, tanto mais que, desde Janeiro de 2000, os salários sofreram uma desvalorização real de cinco por cento face á inflação registada.
Todavia a mobilização sindical vai muito para além das questões pecuniárias, lançando exigências mais amplas como a defesa dos serviços públicos, cuja missão está a ser posta em causa por políticas destruidoras que apostam na eliminação maciça de postos de trabalho e na precarização do emprego, provocando carência de efectivos e a degradação das condições de prestação.
Por isso, os sindicatos apelam a uma ampla unidade dos trabalhadores para exigir uma política de serviços públicos que responda às necessidades.
As estruturas sindicais do ensino escolheram igualmente o dia 20 para a realização de uma greve nacional, a primeira desde 25 de Maio do ano transacto, exigindo o abandono do projecto de lei de orientação da escola. Face à ameaça de extinção de milhares de empregos, o pessoal docente volta a unir-se numa frente sindical única.
No correios, mais de 300 mil trabalhadores do quadro e contratados irão paralisar no dia 18, respondendo ao apelo da CGT, SUD e FO, estruturas que representam 73 por cento dos assalariados da empresa pública.
A data escolhida coincide com o início do debate parlamentar do projecto de lei relativo à regulação das actividades postais que visa transpor para a legislação francesa as directivas europeias sobre a liberalização do sector que permitem a entrada de outros operadores neste mercado até hoje defendido das regras da concorrência. O projecto autoriza a ainda La Poste a criar uma instituição de crédito
Os sindicatos manifestam a sua oposição à liberalização do sector postal e à criação deste «banco», alertando para a destruição de milhares de postos de trabalho e para as consequências negativas na prestação universal deste serviço público essencial.
Lucros e desemprego
Nos caminhos-de-ferro franceses (SNCF), a CGT, UNSA, FGAAC e FO convocaram separadamente uma greve para o dia 19, em protesto contra os objectivos traçados no orçamento da empresa para 2005.
Após quatro anos de prejuízos acumulados, a SNCF pretende agora alcançar resultados líquidos de 113 milhões de euros. Para isso, anuncia a extinção de 3 590 postos de trabalho, num total de cerca de 168 mil, ou seja uma redução dos efectivos de dois por cento.
O documento, revelado na segunda-feira pelo diário francês La Tribune, indica que a supressão de empregos será efectuada sem despedimentos. Assim, dos 7300 trabalhadores que abandonarão a empresa, 5 440 passam à situação de reforma. Em contrapartida, estão previstas apenas 3 700 novas contratações:
Para o secretário-geral dos Ferroviários da CGT (sindicato maioritário), a redução de pessoal poderá ser maior que a anunciada, aproximando-se dos quatro mil postos de trabalho. Didier Le Reste, citado pelo Le Monde, calcula que «entre Setembro de 2002 e Setembro de 2005 um total de 11 765 empregos terão desaparecido.
O projecto de orçamento, apesar de reconhecer a existência de um «ambiente económico incerto», propõe-se não só atingir um lucro significativo (113 milhões de euros contra um prejuízo de 93 milhões em 2004), mas também triplicar o resultado de exploração que deverá disparar para 389 milhões de euros.
No dia previsto para a sua aprovação pelo conselho de administração, os trabalhadores prometem parar os comboios.