Em família
Os escândalos sucedem-se em catadupa, mas nada parece ser capaz de abalar o pântano em que se transformou uma parte considerável da vida política do país.
Um ministro de opereta cada vez mais sob suspeita de estar atolado até à raiz dos cabelos nos charcos da corrupção, não encontra nada melhor para fazer do que distribuir medalhas como se fossem rebuçados, e com tão pouca parcimónia que esgotou o estoque.
Os partidos da maioria escolhem para o Conselho Superior de Magistratura um incondicional do mesmo ministro, pouco depois de ter dado à estampa uma carta a ilibá-lo do que quer que possa vir a ser acusado, numa manifesta e grosseira ingerência no trabalho da Justiça.
O actual primeiro-ministro aproveita um discurso partidário para reiterar a solidariedade e confiança no seu parceiro de governo, como se suspeitas de corrupção fossem coisa de somenos para quem tem as maiores responsabilidades na vida pública.
Um antigo primeiro-ministro escuda-se no segredo de justiça para não comentar uma carta que lhe foi dirigida há dez anos - e que só agora veio a público - dando conta do esquema de extorsão que terá sido engendrado por autarcas do PS e do PSD para financiamento dos respectivos partidos e desafogo das próprias bolsas. O actual chefe do executivo não se escuda em nada e assobia para o lado.
Uma presidente de Câmara do PS foge para o Brasil para escapar à prisão preventiva e o responsável máximo do partido que lhe apoiou a candidatura não encontra mais para dizer a não ser que não tem nada com isso e sem se dar sequer ao trabalho de desencadear os mecanismos partidários para sancionar a fugitiva.
Um ex-ministro e presidente da Câmara do PSD, com contas na Suíça, «esqueceu-se» de declarar os seus bens ao Tribunal Constitucional e está sob suspeita de enriquecimento ilegítimo, mas o partido que o promoveu não abre a boca sobre o assunto.
O país está em recessão, mas o Governo decidiu gastar uns milhões de contos para enviar um punhado de agentes da GNR para o Iraque de modo a agradar aos americanos.
O rol já vai longo, o fim nem sequer está à vista, e mesmo assim já é demais.
Nesta história, para quem não tenha reparado, não entra o PCP. Não é por acaso nem é de estranhar, que as diferenças existem e não são poucas. E também não é por acaso que anda para aí quem queira meter à força os comunistas no figurino vigente. Sempre ficava tudo mais em família.
Um ministro de opereta cada vez mais sob suspeita de estar atolado até à raiz dos cabelos nos charcos da corrupção, não encontra nada melhor para fazer do que distribuir medalhas como se fossem rebuçados, e com tão pouca parcimónia que esgotou o estoque.
Os partidos da maioria escolhem para o Conselho Superior de Magistratura um incondicional do mesmo ministro, pouco depois de ter dado à estampa uma carta a ilibá-lo do que quer que possa vir a ser acusado, numa manifesta e grosseira ingerência no trabalho da Justiça.
O actual primeiro-ministro aproveita um discurso partidário para reiterar a solidariedade e confiança no seu parceiro de governo, como se suspeitas de corrupção fossem coisa de somenos para quem tem as maiores responsabilidades na vida pública.
Um antigo primeiro-ministro escuda-se no segredo de justiça para não comentar uma carta que lhe foi dirigida há dez anos - e que só agora veio a público - dando conta do esquema de extorsão que terá sido engendrado por autarcas do PS e do PSD para financiamento dos respectivos partidos e desafogo das próprias bolsas. O actual chefe do executivo não se escuda em nada e assobia para o lado.
Uma presidente de Câmara do PS foge para o Brasil para escapar à prisão preventiva e o responsável máximo do partido que lhe apoiou a candidatura não encontra mais para dizer a não ser que não tem nada com isso e sem se dar sequer ao trabalho de desencadear os mecanismos partidários para sancionar a fugitiva.
Um ex-ministro e presidente da Câmara do PSD, com contas na Suíça, «esqueceu-se» de declarar os seus bens ao Tribunal Constitucional e está sob suspeita de enriquecimento ilegítimo, mas o partido que o promoveu não abre a boca sobre o assunto.
O país está em recessão, mas o Governo decidiu gastar uns milhões de contos para enviar um punhado de agentes da GNR para o Iraque de modo a agradar aos americanos.
O rol já vai longo, o fim nem sequer está à vista, e mesmo assim já é demais.
Nesta história, para quem não tenha reparado, não entra o PCP. Não é por acaso nem é de estranhar, que as diferenças existem e não são poucas. E também não é por acaso que anda para aí quem queira meter à força os comunistas no figurino vigente. Sempre ficava tudo mais em família.