Haja memória!
Algumas notícias e comentários sobre a recente 3.ª Convenção do Bloco de Esquerda, manifestamente deslumbrados com a «novidade» da proclamação desta força política como «europeísta de esquerda» (não é tanta novidade assim porque uma entrevista de Miguel Portas à «Capital» nas vésperas das eleições para o Parlamento Europeu de 1999, já tinha como título a afirmação de que «somos europeístas de esquerda»), acabaram por se distrair da consagração de uma outra orientação algo diferente da seguida e afirmada pelo BE desde a sua fundação.
Na verdade, não só agora são muito frequentes as referências no discurso dos responsáveis do BE à necessidade de «convergência» das forças de oposição à direita como nas «Teses Políticas» aprovadas no passado domingo se afirma que «o Bloco é parte do processo de constituição de novas redes e novas lideranças sociais e políticas alternativas aos partidos do centro» e que «esta alternativa, por natureza, aspira à maioria».
Ora o que assim parece certo é que, embora com formulações que estão muito distantes da clareza, franqueza, densidade e desenvolvimento que a questão da alternativa de esquerda necessária ao país está tratada nos documentos do PCP, o Bloco de Esquerda manda para o sotão ou mete discretamente na gaveta a sua orientação fundadora que o levava a afirmar constantemente o propósito de «correr por fora da governação», não ser «candidato a nenhuma plataforma de governo ou acordo para-governativo» e estar acantonado numa dita «estratégia de renovação da oposição».
E convém lembrar que era uma postura assim definida que explica que, a três semanas das legislativas de 17 de Março de 2002, Miguel Portas tivesse sido capaz, em artigo no «DN», de sustentar que o bom «lugar de encontro» para o PS, a CDU e o BE seria «o da oposição».
Mas sobretudo o que mais importa lembrar é que foi com base nesta sua orientação que, durante quatro anos, os mais diversos responsáveis do Bloco se entretiveram a espadeirar contra as posições do PCP (que, em regra, previamente falsificavam e deturpavam), seja acusando-o de estar colado ao Governo do PS «à espera de uns lugares» ou de «um negócio de poder», seja atribuindo desonestamente ao PCP, como fizeram nas últimas legislativas, a ideia de que «o PS é péssimo, horroroso, mas desde que o PCP esteja no Governo, a coisa obviamente que é outra», sempre esquecidos que o PCP colocava na nova política a realizar uma centralidade e grau de exigência bem superiores aos que o Bloco agora enuncia.
Tudo visto, só é pena é que a «nova forma de fazer política» de que o Bloco tanto se reclama não inclua a capacidade de reconhecer que, durante quatro anos, andaram equivocados e a ser injustos com o PCP.
Na verdade, não só agora são muito frequentes as referências no discurso dos responsáveis do BE à necessidade de «convergência» das forças de oposição à direita como nas «Teses Políticas» aprovadas no passado domingo se afirma que «o Bloco é parte do processo de constituição de novas redes e novas lideranças sociais e políticas alternativas aos partidos do centro» e que «esta alternativa, por natureza, aspira à maioria».
Ora o que assim parece certo é que, embora com formulações que estão muito distantes da clareza, franqueza, densidade e desenvolvimento que a questão da alternativa de esquerda necessária ao país está tratada nos documentos do PCP, o Bloco de Esquerda manda para o sotão ou mete discretamente na gaveta a sua orientação fundadora que o levava a afirmar constantemente o propósito de «correr por fora da governação», não ser «candidato a nenhuma plataforma de governo ou acordo para-governativo» e estar acantonado numa dita «estratégia de renovação da oposição».
E convém lembrar que era uma postura assim definida que explica que, a três semanas das legislativas de 17 de Março de 2002, Miguel Portas tivesse sido capaz, em artigo no «DN», de sustentar que o bom «lugar de encontro» para o PS, a CDU e o BE seria «o da oposição».
Mas sobretudo o que mais importa lembrar é que foi com base nesta sua orientação que, durante quatro anos, os mais diversos responsáveis do Bloco se entretiveram a espadeirar contra as posições do PCP (que, em regra, previamente falsificavam e deturpavam), seja acusando-o de estar colado ao Governo do PS «à espera de uns lugares» ou de «um negócio de poder», seja atribuindo desonestamente ao PCP, como fizeram nas últimas legislativas, a ideia de que «o PS é péssimo, horroroso, mas desde que o PCP esteja no Governo, a coisa obviamente que é outra», sempre esquecidos que o PCP colocava na nova política a realizar uma centralidade e grau de exigência bem superiores aos que o Bloco agora enuncia.
Tudo visto, só é pena é que a «nova forma de fazer política» de que o Bloco tanto se reclama não inclua a capacidade de reconhecer que, durante quatro anos, andaram equivocados e a ser injustos com o PCP.