Estaleiros navais espanhóis

Regresso à luta

Os operários dos estaleiros navais espanhóis voltaram às acções de rua após a ruptura do diálogo, na quarta-feira, 18, entre sindicatos e a SEPI, sociedade estatal que gere as instalações fabris públicas.

Os sindicatos acusam a SEPI de romper o acordo de Outubro

Os sindicatos, Comissiones Obreras e UGT, acusam a SEPI, Sociedade Estatal de Participações Industriais, de retomar o plano apresentado em 7 de Setembro, que previa a separação dos estaleiros militares e a privatização dos civis, e exigem a intervenção directa do governo na solução do conflito.
As duas centrais convocaram manifestações e paralisações para os dias 24 e 25, porém, logo no dia seguinte ao rompimento das negociações, os operários da IZAR de Sevilha, San Fernando (Cadiz) e Sestao (País Basco) saíram às ruas em defesa da viabilização dos estaleiros públicos, conforme os princípios acordados em 19 de Outubro.
Nessa data, as partes construíram uma proposta que mantinha a unidade do grupo , assente numa estrutura accionista detida em 49 por cento pelo Estado e 21 por cento pelas caixas de poupança.
Entretanto, a Comissão Europeia manifestou «dúvidas», considerando que a participação estatal «suscita suspeitas» de subvenções públicas. Segundo a porta-voz da pasta da Concorrência, Amelia Torres, a Comissão aceita que certos estaleiros civis sejam incluídos numa futura sociedade militar (área em que não se rege pelas regras comunitárias), mas «temos de enfrentar a realidade, reestruturar o grupo e tomar infelizmente algumas decisões dolorosas», afirmou a responsável.
Os sindicatos não se rendem e acusam a SEPI de utilizar esta posição do executivo comunitário para tentar impor de novo o seu plano inicial, que foi derrotado na rua pelas poderosas manifestações dos trabalhadores e conta com a oposição das comunidades autónomas, do Congresso e do Senado.
Para o presidente da SEPI, Enrique Robles, o futuro dos estaleiros deve ser decidido dentro das normas comunitárias, o que significa a criação de duas sociedades, uma militar e outra civil, solução que terá de ser «rapidamente» aceite pelos sindicatos sob pena de a IZAR entrar em processo de falência.
Robles avisa que a insolvência da IZAR é inevitável, uma vez que até final do exercício terá de dotar-se das provisões necessárias para fazer face a uma eventual devolução das ajudas estatais recebidas a partir de 1997, agora consideradas ilegais por Bruxelas.
Neste contexto, sustenta Robles, a privatização total ou parcial dos estaleiros civis é a única forma de reunir os 1200 milhões de euros exigidos.


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