Diálogos...
A luta contra a guerra e a solidariedade assumiram-se “a partir de baixo” como os grandes eixos do FSE
“É um diálogo entre pessoas, não entre líderes. Este é o êxito do Fórum”. A frase, proferida durante o Fórum Social Mundial de Mumbai, é de uma activista indiana, mas o Fórum Social Europeu, realizado em Londres entre os dias 14 e 17 de Outubro, obriga a pensar nela.
O FSE de Londres foi mais reduzido que os anteriores de Paris e de Florença, cerca de 20 000 participantes. As explicações para uma menor adesão podem ser muitas e variadas. Pegando na frase anterior - plena de boa vontade, ingenuidade, interrogações e contradições - e para ajudar à reflexão, deixo três “imagens” do FSE:
- Uma jovem juntou-se aos comunistas portugueses na manifestação final do FSE pela simples razão de empunharmos bandeiras portuguesas e porque “era de esquerda”. Teve conhecimento dos Fóruns pela Internet e decidiu, sozinha, juntar-se à manifestação empunhando um cartaz “Bush Out”. Para esta jovem “é importante que o pessoal se mexa” e que os Fóruns digam o que fazer para mudar o mundo”. Os partidos? não sabe muito bem, “por exemplo, o que é que o PCP fez ou faz para mudar o mundo? Quais são as vossas propostas?”. A conversa foi longa, interessante, e sincera. No fim “queria receber mais informações... fiquei interessada”. A conversa possibilitou-lhe confrontar a sua generosidade com a realidade da luta organizada e com a ideia de que a luta maior de transformação social é construída diariamente com muitas e pequenas lutas e acima de tudo com um projecto bem definido e com uma organização que não tendo “líderes”, tem direcção, opções, conteúdo colectivo de trabalho e história.
- Aleida Guevara, filha de Che Guevara, protagonizou a maior iniciativa do Fórum Social Europeu. A conferência “desafiando o imperialismo” juntou cerca de 5000 pessoas. A solidariedade com Cuba, a sua revolução e aquilo que significa hoje na materialização da ideia “sim é possível”, ecoou ali de forma inequívoca e emocionante. De igual forma a solidariedade com os povos que hoje estão no centro da luta contra o imperialismo foi a razão de outras grandes iniciativas do Fórum com destaque para a Palestina e o Iraque.
- Ao mesmo tempo que a luta contra a guerra e a solidariedade internacionalista se assumiam “a partir de baixo” como temas marcantes do FSE, alguns dos “líderes” do “movimento” “fecharam-se” em discussões repetitivas ou em negociações que se afastam muito das exigências da luta. Numa conferência sobre a “Europa social” alguns tentaram conciliar o inconciliável: o sim à dita “constituição europeia” com a defesa de uma Europa dos povos, dos trabalhadores, de direitos e de paz. Noutros debates as querelas de poder e protagonismo vinham ao de cima com os recorrentes temas da “estruturação do movimento” ou da negociação de um calendário moldado pelos interesses dos que teimam em reduzir a riqueza das lutas no mundo ao “movimento dos movimentos”, ignorando o papel de importantes organizações revolucionárias e de massas e continuando irresponsavelmente a apresentar o “outro mundo possível” como uma realidade quase imediata, abrindo campo ao voluntarismo, ao reformismo e à frustração.
O FSE de Londres foi mais pequeno. Isso não estará desligado do quadro político britânico e da menor influência das organizações que no país anfitrião assumiram a sua organização. Mas a distância crescente entre as genuínas motivações da maioria dos participantes e os objectivos de alguns dos “líderes” do movimento terá também tido influência. Esta é mais uma razão para que os comunistas continuem a marcar presença nos Fóruns opondo-se à sua instrumentalização e preservando-os como ponto de encontro e diálogo de quantos se opõem ao neolilberalismo e à guerra e combatem o imperialismo.
O FSE de Londres foi mais reduzido que os anteriores de Paris e de Florença, cerca de 20 000 participantes. As explicações para uma menor adesão podem ser muitas e variadas. Pegando na frase anterior - plena de boa vontade, ingenuidade, interrogações e contradições - e para ajudar à reflexão, deixo três “imagens” do FSE:
- Uma jovem juntou-se aos comunistas portugueses na manifestação final do FSE pela simples razão de empunharmos bandeiras portuguesas e porque “era de esquerda”. Teve conhecimento dos Fóruns pela Internet e decidiu, sozinha, juntar-se à manifestação empunhando um cartaz “Bush Out”. Para esta jovem “é importante que o pessoal se mexa” e que os Fóruns digam o que fazer para mudar o mundo”. Os partidos? não sabe muito bem, “por exemplo, o que é que o PCP fez ou faz para mudar o mundo? Quais são as vossas propostas?”. A conversa foi longa, interessante, e sincera. No fim “queria receber mais informações... fiquei interessada”. A conversa possibilitou-lhe confrontar a sua generosidade com a realidade da luta organizada e com a ideia de que a luta maior de transformação social é construída diariamente com muitas e pequenas lutas e acima de tudo com um projecto bem definido e com uma organização que não tendo “líderes”, tem direcção, opções, conteúdo colectivo de trabalho e história.
- Aleida Guevara, filha de Che Guevara, protagonizou a maior iniciativa do Fórum Social Europeu. A conferência “desafiando o imperialismo” juntou cerca de 5000 pessoas. A solidariedade com Cuba, a sua revolução e aquilo que significa hoje na materialização da ideia “sim é possível”, ecoou ali de forma inequívoca e emocionante. De igual forma a solidariedade com os povos que hoje estão no centro da luta contra o imperialismo foi a razão de outras grandes iniciativas do Fórum com destaque para a Palestina e o Iraque.
- Ao mesmo tempo que a luta contra a guerra e a solidariedade internacionalista se assumiam “a partir de baixo” como temas marcantes do FSE, alguns dos “líderes” do “movimento” “fecharam-se” em discussões repetitivas ou em negociações que se afastam muito das exigências da luta. Numa conferência sobre a “Europa social” alguns tentaram conciliar o inconciliável: o sim à dita “constituição europeia” com a defesa de uma Europa dos povos, dos trabalhadores, de direitos e de paz. Noutros debates as querelas de poder e protagonismo vinham ao de cima com os recorrentes temas da “estruturação do movimento” ou da negociação de um calendário moldado pelos interesses dos que teimam em reduzir a riqueza das lutas no mundo ao “movimento dos movimentos”, ignorando o papel de importantes organizações revolucionárias e de massas e continuando irresponsavelmente a apresentar o “outro mundo possível” como uma realidade quase imediata, abrindo campo ao voluntarismo, ao reformismo e à frustração.
O FSE de Londres foi mais pequeno. Isso não estará desligado do quadro político britânico e da menor influência das organizações que no país anfitrião assumiram a sua organização. Mas a distância crescente entre as genuínas motivações da maioria dos participantes e os objectivos de alguns dos “líderes” do movimento terá também tido influência. Esta é mais uma razão para que os comunistas continuem a marcar presença nos Fóruns opondo-se à sua instrumentalização e preservando-os como ponto de encontro e diálogo de quantos se opõem ao neolilberalismo e à guerra e combatem o imperialismo.