Desconvocada greve dos enfermeiros

O ministro da Saúde cedeu às duas principais exigências que levaram à marcação de uma greve de dois dias, anunciou anteontem à noite o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, que por isso desconvocou a luta.
Ao início da noite, o SEP informou ter o ministro assumido que «a definição e certificação de competências são da responsabilidade da Ordem dos Enfermeiros», e não das administrações dos hospitais, e que o grupo profissional proposto (técnicos auxiliares de cuidados de saúde, agora designado por técnicos de apoio hospitalar) «terá funções de colaboração», e não de eventual substituição do pessoal de enfermagem.
«Para o recuo do ministro da Saúde foi determinante a grande mobilização dos enfermeiros, a nível nacional», salienta o sindicato, que vê neste resultado mais uma prova de que, «quando nos congregamos em torno de questões fundamentais para a profissão, conseguimos atingir objectivos».
Esta é uma «grande vitória», que dá aos enfermeiros «mais força para o processo negocial da carreira da Função Pública e do acordo colectivo de trabalho».
Horas antes, em deslocação ao Hospital de Faro, o ministro fora recebido por profissionais de enfermagem, que o confrontaram com a redução de pessoal naquela unidade e com o protesto da classe face à proposta de ACT avançada pelo Governo para os hospitais SA. Este documento é encarado como um ensaio de novas regras laborais, que poderão alargar-se mais tarde a outras unidades de saúde e mesmo a outros sectores, procurando sobretudo reduzir, no imediato, os custos de funcionamento.


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