Crise em Espanha

Sector naval em luta

Os trabalhadores do grupo público de estaleiros navais, IZAR, iniciaram, na terça-feira, 21, a primeira de três jornadas de greve, convocada na passada semana pelos sindicatos do sector, para contestar a reestruturação anunciada pelo governo.
O plano, apresentado no dia 7, pela entidade gestora, a Sociedade Estatal de participações Industriais (SEPI), prevê a separação do grupo de quatro estaleiros (Ferrol, Cartagena, Puerto Real e Cádiz) que seriam integrados numa nova sociedade dedicada a fins militares. As restantes unidades com actividades civis seriam abertas ao capital privado.
Depois de sucessivas reestruturações, o anterior governo do PP decidiu, em 2000, de fundir os estaleiros civis, que acumulavam prejuízos, entre 1984 e 1999, de 2,5 mil milhões de euros, com os militares, que contabilizavam perdas de apenas 644 milhões de euros, dispondo de fundos próprios avaliados em 292 mil milhões de euros.
A situação no sector viria a ser seriamente abalada pela decisão da Comissão Europeia, no passado mês de Maio, de impor ao grupo IZAR a restituição das ajudas públicas recebidas entre 1999 e 2000, num valor que poderá ascender a 1200 milhões de euros.
O director da SEPI, Enrique Martinez Robles, considera hoje que a fusão foi «um grave erro, ao transferir para os estaleiros militares, que eram economicamente viáveis, os problemas financeiros dos estaleiros civis.
Para os próximos dias 28 e 30 estão marcadas novas greves, devendo manter-se nos próximos dias as manifestações de protesto que, no sábado, 18, envolveram dezenas de milhares de pessoas em várias localidades. Em San Fernando (Cádiz), mais de 25 pessoas desfilaram nas ruas, manifestando solidariedade aos operários navais e a sua indignação pelo encerramento dos estaleiros.
Na véspera, sexta-feira, os operários dos estaleiros de Sestao, no País Basco, foram vítimas de forte repressão policial, de que resultaram 19 trabalhadores feridos. Durante a madrugada, tinham efectuado cortes de estrada e impediram a circulação de comboios, recusando o desmantelamento do grupo IZAR e a sua privatização, que aqui é entendida como sinónimo de encerramento e desemprego para cerca de 1200 pessoas.
No mesmo dia, registaram-se igualmente feridos nos confrontos com a polícia, em Sevilha, onde os operários interromperam o tráfego erguendo barricadas com pneus incendiados.


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