O maior palco do mundo
No ano em que se celebram 30 anos de Abril, o Palco cujo nome é a data da Revolução foi um espelho de liberdade. Novos e velhos dançaram a «Carvalhesa» a cada abertura e fecho do palco, escutaram as mensagens de luta e insubmissão e usufruíram a livre expressão no maior palco do mundo.
Na Quinta da Atalaia ouviu-se mais alto a música de combate, aquela que, do Rock ao Ska, do Reagee à música de raiz popular, fazem da palavra e do som estímulos contra a indiferença, a miséria e por um mundo de povos livres, iguais e soberanos do seu destino individual e colectivo.
As tardes de sábado e domingo abriram com os Zorg, um grupo habituado a debitar o mais puro rock aquecendo o ambiente, e os Anti-Clockwise, inspirados nos ritmos Punk-Rock dos ingleses Sex Pistols e Clash.
Suportados durante todo o espectáculo por imagens dos ecrãs gigantes, os Repórter Estrábico apelaram à irreverência contra o consumismo capitalista, a barbárie atómica ou o fascista «Paulo que fecha as portas», como destacou o vocalista da banda.
Na mesma toada crítica subiram ao palco os Quadrilha, grupo que explora os sons de raiz celta misturados com a música popular portuguesa, criando uma empatia singular com um público que nunca parou de dançar, pular e corresponder às mensagens de solidariedade com a Palestina ou a associação Women on Waves, deixada no mar pelo Governo reaccionário.
A fechar a tarde de sábado, depois do som da nova vaga protagonizado pelos internacionalmente consagrados Faithfull, o regresso à música popular portuguesa pela mão dos Gaiteiros de Lisboa.
A intervenção social na ponta da palavra complementou-se com o som das gaitas de foles e dos instrumentos próprios de uma banda que agitou os milhares de corpos que há muito lotavam o recinto.
Contra a exploração, música e Revolução
Antes do comício da Festa, no domingo, actuaram duas bandas que sabem tomar partido.
Fiéis aos seus princípios de denúncia das injustiças sociais do sistema capitalista, os Peste & Sida são a prova de que a música de intervenção pode resistir.
«Proletários de todo o mundo: Uni-vos!» foi o apelo do vocalista, João Sampaio, que elogiou vigorosamente a Festa e a luta do Partido que a realiza, «sempre em defesa dos trabalhadores, contra a exploração» e solidarizou-se com os povos oprimidos do País Basco, Palestina e Iraque.
Em destaque o contributo de João Almendra, antigo vocalista dos Peste, e o título «Ska Cáustico», cuja letra desmonta a demagogia do Governo PSD/PP, fazendo surgir a meio um pedaço da «Carvalhesa» que foi interpretada por elementos do grupo de percussão «Tocá Rufar».
Unidos pela força da luta, seguiram-se os bascos Betagarri.
A banda incendiou o público com músicas que incitaram à resistência dos povos fazendo erguer milhares de punhos, bandeiras vermelhas e ikurriñas.
A independência do País Basco foi referência nos temas dos Betagarri, causa que aliaram à luta dos comunistas com uma versão da revolucionária «Grândola» e um emocionado «obrigado camaradas, viva a Festa do Avante!».
Duas noites memoráveis
No sábado os Mercado Negro abriram a noite com o mais puro reagee cantado em português. O ex-Kussondulola, Messias, provou a criatividade deste novo projecto inspirado em letras de intervenção com incontornáveis referências à luta contra o sistema, sendo obrigado por um público em apoteose a regressar ao palco para um encore.
O verso aguçado continuou a dominar a programação com Sérgio Godinho. Habitualmente presente na Festa, Godinho trouxe o seu mais recente espectáculo onde se revisitam temas gravados na memória de toda a gente. Entre o «Coro das Velhas» e «A Noite Passada», algumas das muitas músicas cantadas em uníssono pela assistência que transbordava o espaço, tempo para um convidado muito especial, Jorge Palma.
A noite terminou com mais uma voz portuense, Pedro Abrunhosa. Quase dez anos depois, Abrunhosa regressou à Festa, espaço que «sabe bem conhecer por dentro porque também já cá andei a ajudar a construir», sublinhou. Do álbum «Viagens» ao seu último trabalho, «Momento», o público da Atalaia consagrou um músico e uma banda, os Bandemónio, que realizaram um espectáculo fascinante do princípio ao fim.
Até para o ano, camaradas
Otis Grand Blues Band deu o tom para a recta final da Festa do Avante! 2004. O britânico soltou toda a sua genialidade deixando boquiaberta a assistência com solos de guitarra, instrumento que nas suas mãos parece ganhar vida própria. Largada a guitarra, Otis levantou a bandeira vermelha do PCP e, com o resto do grupo, ergueu o punho.
Com cheiro a nostalgia da Festa que já se aproximava do fim, domingo encerrou com mais duas referências que vieram da cidade do Porto para abrilhantar a Festa.
Rui Veloso foi acolhido com um enorme carinho neste seu regresso ao Palco 25 de Abril, interpretando sucessos de uma carreira recheada de grandes noites protagonizadas por um músico de excelência no panorama nacional.
Finalmente os Clã, outro regresso agora com um novo trabalho, «Rosa Carne». A banda de Manuela Azevedo encerrou com chave de ouro as noites memoráveis que se viveram na Festa, com um som potente e uma interpretação arrebatadora plena de energia e vigor.
O fogo de artifício e a «Carvalhesa» deram os acordes finais, de um colectivo e emocionado até para o ano, camaradas! .
Circulo de percussão
Na palma das mãos
Antes dos espectáculos da noite de sábado, Rui Júnior assumiu a batuta. Bem no meio do recinto, o fundador dos «Tocá Rufar» iniciou uma oficina de percussão acompanhada por grupos que circundavam milhares de visitantes em ritmos e batidas.
As mãos eram os instrumentos, as mesmas que aplaudiram uma experiência inesquecível, a maior aula de percussão jamais realizada no nosso País.
Na Quinta da Atalaia ouviu-se mais alto a música de combate, aquela que, do Rock ao Ska, do Reagee à música de raiz popular, fazem da palavra e do som estímulos contra a indiferença, a miséria e por um mundo de povos livres, iguais e soberanos do seu destino individual e colectivo.
As tardes de sábado e domingo abriram com os Zorg, um grupo habituado a debitar o mais puro rock aquecendo o ambiente, e os Anti-Clockwise, inspirados nos ritmos Punk-Rock dos ingleses Sex Pistols e Clash.
Suportados durante todo o espectáculo por imagens dos ecrãs gigantes, os Repórter Estrábico apelaram à irreverência contra o consumismo capitalista, a barbárie atómica ou o fascista «Paulo que fecha as portas», como destacou o vocalista da banda.
Na mesma toada crítica subiram ao palco os Quadrilha, grupo que explora os sons de raiz celta misturados com a música popular portuguesa, criando uma empatia singular com um público que nunca parou de dançar, pular e corresponder às mensagens de solidariedade com a Palestina ou a associação Women on Waves, deixada no mar pelo Governo reaccionário.
A fechar a tarde de sábado, depois do som da nova vaga protagonizado pelos internacionalmente consagrados Faithfull, o regresso à música popular portuguesa pela mão dos Gaiteiros de Lisboa.
A intervenção social na ponta da palavra complementou-se com o som das gaitas de foles e dos instrumentos próprios de uma banda que agitou os milhares de corpos que há muito lotavam o recinto.
Contra a exploração, música e Revolução
Antes do comício da Festa, no domingo, actuaram duas bandas que sabem tomar partido.
Fiéis aos seus princípios de denúncia das injustiças sociais do sistema capitalista, os Peste & Sida são a prova de que a música de intervenção pode resistir.
«Proletários de todo o mundo: Uni-vos!» foi o apelo do vocalista, João Sampaio, que elogiou vigorosamente a Festa e a luta do Partido que a realiza, «sempre em defesa dos trabalhadores, contra a exploração» e solidarizou-se com os povos oprimidos do País Basco, Palestina e Iraque.
Em destaque o contributo de João Almendra, antigo vocalista dos Peste, e o título «Ska Cáustico», cuja letra desmonta a demagogia do Governo PSD/PP, fazendo surgir a meio um pedaço da «Carvalhesa» que foi interpretada por elementos do grupo de percussão «Tocá Rufar».
Unidos pela força da luta, seguiram-se os bascos Betagarri.
A banda incendiou o público com músicas que incitaram à resistência dos povos fazendo erguer milhares de punhos, bandeiras vermelhas e ikurriñas.
A independência do País Basco foi referência nos temas dos Betagarri, causa que aliaram à luta dos comunistas com uma versão da revolucionária «Grândola» e um emocionado «obrigado camaradas, viva a Festa do Avante!».
Duas noites memoráveis
No sábado os Mercado Negro abriram a noite com o mais puro reagee cantado em português. O ex-Kussondulola, Messias, provou a criatividade deste novo projecto inspirado em letras de intervenção com incontornáveis referências à luta contra o sistema, sendo obrigado por um público em apoteose a regressar ao palco para um encore.
O verso aguçado continuou a dominar a programação com Sérgio Godinho. Habitualmente presente na Festa, Godinho trouxe o seu mais recente espectáculo onde se revisitam temas gravados na memória de toda a gente. Entre o «Coro das Velhas» e «A Noite Passada», algumas das muitas músicas cantadas em uníssono pela assistência que transbordava o espaço, tempo para um convidado muito especial, Jorge Palma.
A noite terminou com mais uma voz portuense, Pedro Abrunhosa. Quase dez anos depois, Abrunhosa regressou à Festa, espaço que «sabe bem conhecer por dentro porque também já cá andei a ajudar a construir», sublinhou. Do álbum «Viagens» ao seu último trabalho, «Momento», o público da Atalaia consagrou um músico e uma banda, os Bandemónio, que realizaram um espectáculo fascinante do princípio ao fim.
Até para o ano, camaradas
Otis Grand Blues Band deu o tom para a recta final da Festa do Avante! 2004. O britânico soltou toda a sua genialidade deixando boquiaberta a assistência com solos de guitarra, instrumento que nas suas mãos parece ganhar vida própria. Largada a guitarra, Otis levantou a bandeira vermelha do PCP e, com o resto do grupo, ergueu o punho.
Com cheiro a nostalgia da Festa que já se aproximava do fim, domingo encerrou com mais duas referências que vieram da cidade do Porto para abrilhantar a Festa.
Rui Veloso foi acolhido com um enorme carinho neste seu regresso ao Palco 25 de Abril, interpretando sucessos de uma carreira recheada de grandes noites protagonizadas por um músico de excelência no panorama nacional.
Finalmente os Clã, outro regresso agora com um novo trabalho, «Rosa Carne». A banda de Manuela Azevedo encerrou com chave de ouro as noites memoráveis que se viveram na Festa, com um som potente e uma interpretação arrebatadora plena de energia e vigor.
O fogo de artifício e a «Carvalhesa» deram os acordes finais, de um colectivo e emocionado até para o ano, camaradas! .
Circulo de percussão
Na palma das mãos
Antes dos espectáculos da noite de sábado, Rui Júnior assumiu a batuta. Bem no meio do recinto, o fundador dos «Tocá Rufar» iniciou uma oficina de percussão acompanhada por grupos que circundavam milhares de visitantes em ritmos e batidas.
As mãos eram os instrumentos, as mesmas que aplaudiram uma experiência inesquecível, a maior aula de percussão jamais realizada no nosso País.