Solidariedade internacional e internacionalismo
Sob o tema «25 de Abril, 30 anos - Solidariedade internacional e internacionalismo» realizou-se, no Palco da Solidariedade, o primeiro debate do Espaço Internacional, em que participaram centenas de pessoas.
As intervenções estiveram a cargo de Manuela Bernardino, da Secção Internacional do PCP, Sérgio Ribeiro, eurodeputado do PCP, Rui Semedo, secretário-geral do PAICV (Cabo Verde), Seco Intchasso, Membro do Bureau Político e Chefe de Divisão de Relações Exteriores e Cooperação Internacional do PAIGC (Guiné Bissau), Raimundo Mapanzene, representante da FRELIMO (Moçambique) em Portugal, e Roberto Roberto Gerónimo, representante da FRETILIN (Timor-Leste) em Portugal.
«Passados 30 anos, hoje, em Portugal defrontamo-nos com o Governo mais reaccionário desde do 25 de Abril», afirmou, no começo da sua intervenção Manuela Bernardino, moderadora do debate, lembrando que a Revolução dos Cravos foi o resultado da prolongada resistência do povo português à ditadura fascista, «mas também, para todos nós, é obra dos militares do MFA, porque a sua consciência política e social se formou exactamente no quadro da guerra colonial. Foi o confronto com os movimentos de libertação nacional, com as injustiças e crimes perpetuados nas colónias portuguesas que fizeram despertar estes militares para a luta da liberdade e da democracia».
A comunista assinalou ainda que a solidariedade dos comunistas com os povos oprimidos, no período que antecedeu o 25 de Abril, vem muito detrás. «Em 1957, o PCP apontou no seu V Congresso a inevitabilidade da independência das colónias. Proclamámos que não pode ser livre um povo que oprime outros povos, e que a luta dos povos das colónias seria também um contributo para a luta da classe operária e do povo português, para a sua própria libertação», disse Manuela Bernardino, dando ainda o exemplo das décadas de 60 e 70, «onde o imperialismo sofria derrotas, porque o sistema colonial se desmoronava e dezenas de países ascendiam à independência em todos os continentes, desde a Índia à Indonésia, do Vietname à Malásia, à Síria e ao Líbano, à Tunísia, a Marrocos, ao Egipto».
Referiu ainda o apoio e solidariedade do PCP, ao longo dos anos, para com os trabalhadores oprimidos em todo o mundo.
Experiências e vivências
Fundador do CPPC, organização unitária para a paz e cooperação, combatente anti-colonianismo e antifascista, Sérgio Ribeiro fez, nesta iniciativa, uma reflexão a partir de experiências e de vivências, sobre a língua que une os povos dos PALOP, o português, e a solidariedade que existe entre eles.
Para se compreender melhor esta temática, o eurodeputado do PCP dividiu a sua intervenção em três fases: antes, depois (anos 80) e o 25 de Abril de 1974. «Os povos com a construção dos seus estados também sofreram», referiu Sérgio Ribeiro, sublinhando que «o PCP esteve e estará na continuidade desta solidariedade e entreajuda entre os povos».
Os restantes convidados, de Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique e Timor-Leste, passando em revista a actualidade dos seus países, concordaram, perante a assistência, que a solidariedade, sempre activa, dos comunistas e do povo português com os PALOP foi e será sempre inabalável. Nas suas intervenções, todos os partidos agradeceram a oportunidade de participarem Festa do Avante!.
Pelo progresso social, contra o imperialismo
A tarde de sábado, no Espaço Internacional, terminou com o debate «América Latina - Pelo progresso social, contra o imperialismo». Intervenientes na iniciativa foram Miguel Urbano Rodrigues, escritor e jornalista, Luís Carapinha, também jornalista e colaborador da Secção Internacional do PCP. Estiveram ainda presentes representantes de partidos da América Latina, nomeadamente do PC Cubano, do PC do Brasil e Partido dos Trabalhadores (Brasil).
Referindo-se ao referendo eleitoral da Venezuela, que se realizou a 15 de Agosto, Luís Carapinha saudou, antes de tudo, a vitória de Hugo Chávez. «Esta é uma vitória de todos os que no mundo lutam por uma alternativa social, política e económica, portanto é uma vitória de todos nós», disse, ressalvando que «o significado transcendente da vitória bolivariana não ilude contudo o caracter contraditório mas globalmente regressivo da época contemporânea».
Entretanto, na América Latina afirma-se e intensifica-se a resistência da luta dos povos e dos trabalhadores. «Apesar da diversidade de situações que a caracterizam, a América Latina é um exemplo das perspectivas que se abrem a uma mudança qualitativa. Neste aspecto, devemos destacar o exemplo revolucionário de Cuba, que há décadas se encontra submetida a um criminoso bloqueio imperialista norte-americano», disse, destacando a batalha «deste povo pela soberania e independências nacional e a sua coerência, assim como as suas transformações e conquistas em amplos domínios e o seu exemplo internacionalista».
O jornalista falou ainda na vitória de Lula da Silva, e da esquerda, no Brasil. «Sopram ventos de mudança. A eleição do presidente Lula com um número de votos recorde e a vitória da esquerda brasileira são um dos exemplos bem paradigmáticos do recuo do neoliberalismo pelos povos da América Latina e do descontentamento popular que alastra desde o Rio Grande à Patagónia».
Miguel Urbano Rodrigues, concordando com o seu camarada, em nota muito breve, lembrou apenas, falando de Cuba, que «é possível sobreviver dizendo não ao imperialismo norte-americano». Disse ainda que «é preciso globalizar a luta, em defesa do socialismo».
Não à NATO e à militarização da EU
A cooperação entre os partidos comunistas e progressistas, nomeadamente na Europa, tem um papel importante na luta pela paz, contra o imperialismo. Esta constatação foi o ponto de partida do debate de domingo, pela tarde, no Espaço Internacional.
Com o tema «Não à NATO e à militarização da União Europeia», esta iniciativa, contou com a presença, para além de várias centenas de pessoas, de Margarida Botelho e Pedro Guerreiro, ambos do Comité Central do PCP, C. Milota, do Partido Comunista da Boémia e Morávia, e Ozgur Sen, do Partido Comunista da Turquia. A moderação do debate este a cargo de Ângelo Alves, da Secção Internacional do PCP.
Margarida Botelho, primeira interveniente, centrou o seu discurso nas questões relacionadas com a NATO. Recordando a data de fundação desta organização, «quatro anos após o fim da 2.ª Guerra Mundial, quatro anos após a derrota do Nazi/Fascismo», Margarida Botelho denunciou, no seu discurso, que a NATO foi criada para se opor aos países socialistas e aos movimentos de libertação nacional, no sentido de procurar concretizar a hegemonia dos EUA na Europa, e as suas pretensões de domínio mundial.
«A história da NATO é recheada e profundamente ligada a crimes que ocorreram neste últimos 55 anos», disse, a comunista, dando alguns exemplos, nomeadamente, o Golpe dos Coronéis em 1967 (Grécia), as várias tentativas de golpes neofascistas em Itália e, por último, a imposição de bases militares a Norte da Ilha de Chipre. Margarida Botelho falou ainda nas ligações, «comprovadas ao longo da história, da NATO com as ditaduras da Argentina e Brasil, ao Apartheid na África do Sul, à França na guerra contra a Argélia», e tem ainda hoje um papel, «lamentavelmente importante, na frenética corrida ao armamento e às novas armas nucleares».
Na sua intervenção, Margarida Botelho lembrou também que Portugal integrou esta organização internacional desde o principio, com o regime fascista a assinar a sua adesão. «Mesmo durante o 25 de Abril, a NATO pressionou de diversas formas, incluindo com manobras militares, para contrariar a opção progressista do Movimento das Forças Armadas. Entretanto, no nosso País, com o assenso das políticas de direita que temos tido nos últimos 28 anos, agravaram-se ainda mais os laços de dependência de Portugal, face à NATO, e aos EUA», disse.
Margarida Botelho destacou igualmente o facto de a NATO ter deixado, com a guerra da Jugoslávia, de ser oficialmente uma organização defensiva. «A agressão à Jugoslávia, além de ter sido uma guerra injusta e lamentável, que provocou danos materiais e humanos importantes, representou um avanço qualitativo na guerra imperialista e no desenvolvimento da NATO», continuou, salientando que «esta guerra colocou o Kosovo no coração da Europa, sob o domínio da NATO, permitiu a abertura de novas bases a Leste, avançando ainda mais para a Rússia e a China, acelerou a militarização da União Europeia, e serviu de experiência prática para alterar o conceito estratégico da NATO, ou seja, a NATO passou formalmente a ser uma organização agressiva e ofensiva».
Referendo à vista
Outro dos intervenientes no debate foi Pedro Guerreira que falou sobre a evolução da militarização da União Europeia e, na possibilidade de dentro em breve se realizar um referendo sobre este assunto.
«O que nós (PCP) temos vindo a salientar é que para além dos aspectos negativos da Constituição Europeia, nomeadamente a afirmação do capitalismo como sistema, que coloca em causa as conquistas dos trabalhadores, para além de procurar impor os ditames das grandes potências da União Europeia, e das multinacionais, vai-se fazer depender as prioridades e os conceitos de segurança de cada um dos povos à estratégia imperialista, intervencionista, das potências da União Europeia», disse, salientando que também o PCP está a favor do referendo, «mas de um referendo que fale das ameaças concretas com que o nosso povo está confrontado».
C. Milota, do Partido Comunista da Boémia e Morávia, Chefe do Departamento Eleitoral do CC, saudando a luta dos comunistas portugueses e das demais forças progressistas de Portugal, manifestou-se contra a globalização e a militarização das sociedades, o aprofundamento dos antigos antagonismos e o aumento da pobreza e da miséria no nosso planeta. «Estes problemas não se resolvem com palavras, quaisquer que elas sejam, não se resolvem sequer com programas de luta contra o terrorismo, nem com a acção do polícia mundial americano, resolvem-se sim, e apenas, solucionando a própria origem dos problemas», disse C. Milota, sublinhando que «um dos passos no sentido da solução seria a dissolução do bloco político militar e, antes de mais, da NATO, alegadamente uma aliança defensiva que envolve grande parte dos Estados europeus».
Por seu lado, Ozgur Sen, do Partido Comunista da Turquia, Responsável do Departamento Internacional, referiu que «a Nato é um instrumento contra a luta de classes», dando como exemplo os Jogos Olímpicos da Grécia, que se realizaram recentemente, onde as forças militares «impediram as pessoas de ir para a rua manifestar-se, expor as suas ideias, a pretexto da guerra contra o terrorismo». «As ruas são nossas e continuarão a ser nossas para sempre», disse Ozgur Sem.
MI
As intervenções estiveram a cargo de Manuela Bernardino, da Secção Internacional do PCP, Sérgio Ribeiro, eurodeputado do PCP, Rui Semedo, secretário-geral do PAICV (Cabo Verde), Seco Intchasso, Membro do Bureau Político e Chefe de Divisão de Relações Exteriores e Cooperação Internacional do PAIGC (Guiné Bissau), Raimundo Mapanzene, representante da FRELIMO (Moçambique) em Portugal, e Roberto Roberto Gerónimo, representante da FRETILIN (Timor-Leste) em Portugal.
«Passados 30 anos, hoje, em Portugal defrontamo-nos com o Governo mais reaccionário desde do 25 de Abril», afirmou, no começo da sua intervenção Manuela Bernardino, moderadora do debate, lembrando que a Revolução dos Cravos foi o resultado da prolongada resistência do povo português à ditadura fascista, «mas também, para todos nós, é obra dos militares do MFA, porque a sua consciência política e social se formou exactamente no quadro da guerra colonial. Foi o confronto com os movimentos de libertação nacional, com as injustiças e crimes perpetuados nas colónias portuguesas que fizeram despertar estes militares para a luta da liberdade e da democracia».
A comunista assinalou ainda que a solidariedade dos comunistas com os povos oprimidos, no período que antecedeu o 25 de Abril, vem muito detrás. «Em 1957, o PCP apontou no seu V Congresso a inevitabilidade da independência das colónias. Proclamámos que não pode ser livre um povo que oprime outros povos, e que a luta dos povos das colónias seria também um contributo para a luta da classe operária e do povo português, para a sua própria libertação», disse Manuela Bernardino, dando ainda o exemplo das décadas de 60 e 70, «onde o imperialismo sofria derrotas, porque o sistema colonial se desmoronava e dezenas de países ascendiam à independência em todos os continentes, desde a Índia à Indonésia, do Vietname à Malásia, à Síria e ao Líbano, à Tunísia, a Marrocos, ao Egipto».
Referiu ainda o apoio e solidariedade do PCP, ao longo dos anos, para com os trabalhadores oprimidos em todo o mundo.
Experiências e vivências
Fundador do CPPC, organização unitária para a paz e cooperação, combatente anti-colonianismo e antifascista, Sérgio Ribeiro fez, nesta iniciativa, uma reflexão a partir de experiências e de vivências, sobre a língua que une os povos dos PALOP, o português, e a solidariedade que existe entre eles.
Para se compreender melhor esta temática, o eurodeputado do PCP dividiu a sua intervenção em três fases: antes, depois (anos 80) e o 25 de Abril de 1974. «Os povos com a construção dos seus estados também sofreram», referiu Sérgio Ribeiro, sublinhando que «o PCP esteve e estará na continuidade desta solidariedade e entreajuda entre os povos».
Os restantes convidados, de Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique e Timor-Leste, passando em revista a actualidade dos seus países, concordaram, perante a assistência, que a solidariedade, sempre activa, dos comunistas e do povo português com os PALOP foi e será sempre inabalável. Nas suas intervenções, todos os partidos agradeceram a oportunidade de participarem Festa do Avante!.
Pelo progresso social, contra o imperialismo
A tarde de sábado, no Espaço Internacional, terminou com o debate «América Latina - Pelo progresso social, contra o imperialismo». Intervenientes na iniciativa foram Miguel Urbano Rodrigues, escritor e jornalista, Luís Carapinha, também jornalista e colaborador da Secção Internacional do PCP. Estiveram ainda presentes representantes de partidos da América Latina, nomeadamente do PC Cubano, do PC do Brasil e Partido dos Trabalhadores (Brasil).
Referindo-se ao referendo eleitoral da Venezuela, que se realizou a 15 de Agosto, Luís Carapinha saudou, antes de tudo, a vitória de Hugo Chávez. «Esta é uma vitória de todos os que no mundo lutam por uma alternativa social, política e económica, portanto é uma vitória de todos nós», disse, ressalvando que «o significado transcendente da vitória bolivariana não ilude contudo o caracter contraditório mas globalmente regressivo da época contemporânea».
Entretanto, na América Latina afirma-se e intensifica-se a resistência da luta dos povos e dos trabalhadores. «Apesar da diversidade de situações que a caracterizam, a América Latina é um exemplo das perspectivas que se abrem a uma mudança qualitativa. Neste aspecto, devemos destacar o exemplo revolucionário de Cuba, que há décadas se encontra submetida a um criminoso bloqueio imperialista norte-americano», disse, destacando a batalha «deste povo pela soberania e independências nacional e a sua coerência, assim como as suas transformações e conquistas em amplos domínios e o seu exemplo internacionalista».
O jornalista falou ainda na vitória de Lula da Silva, e da esquerda, no Brasil. «Sopram ventos de mudança. A eleição do presidente Lula com um número de votos recorde e a vitória da esquerda brasileira são um dos exemplos bem paradigmáticos do recuo do neoliberalismo pelos povos da América Latina e do descontentamento popular que alastra desde o Rio Grande à Patagónia».
Miguel Urbano Rodrigues, concordando com o seu camarada, em nota muito breve, lembrou apenas, falando de Cuba, que «é possível sobreviver dizendo não ao imperialismo norte-americano». Disse ainda que «é preciso globalizar a luta, em defesa do socialismo».
Não à NATO e à militarização da EU
A cooperação entre os partidos comunistas e progressistas, nomeadamente na Europa, tem um papel importante na luta pela paz, contra o imperialismo. Esta constatação foi o ponto de partida do debate de domingo, pela tarde, no Espaço Internacional.
Com o tema «Não à NATO e à militarização da União Europeia», esta iniciativa, contou com a presença, para além de várias centenas de pessoas, de Margarida Botelho e Pedro Guerreiro, ambos do Comité Central do PCP, C. Milota, do Partido Comunista da Boémia e Morávia, e Ozgur Sen, do Partido Comunista da Turquia. A moderação do debate este a cargo de Ângelo Alves, da Secção Internacional do PCP.
Margarida Botelho, primeira interveniente, centrou o seu discurso nas questões relacionadas com a NATO. Recordando a data de fundação desta organização, «quatro anos após o fim da 2.ª Guerra Mundial, quatro anos após a derrota do Nazi/Fascismo», Margarida Botelho denunciou, no seu discurso, que a NATO foi criada para se opor aos países socialistas e aos movimentos de libertação nacional, no sentido de procurar concretizar a hegemonia dos EUA na Europa, e as suas pretensões de domínio mundial.
«A história da NATO é recheada e profundamente ligada a crimes que ocorreram neste últimos 55 anos», disse, a comunista, dando alguns exemplos, nomeadamente, o Golpe dos Coronéis em 1967 (Grécia), as várias tentativas de golpes neofascistas em Itália e, por último, a imposição de bases militares a Norte da Ilha de Chipre. Margarida Botelho falou ainda nas ligações, «comprovadas ao longo da história, da NATO com as ditaduras da Argentina e Brasil, ao Apartheid na África do Sul, à França na guerra contra a Argélia», e tem ainda hoje um papel, «lamentavelmente importante, na frenética corrida ao armamento e às novas armas nucleares».
Na sua intervenção, Margarida Botelho lembrou também que Portugal integrou esta organização internacional desde o principio, com o regime fascista a assinar a sua adesão. «Mesmo durante o 25 de Abril, a NATO pressionou de diversas formas, incluindo com manobras militares, para contrariar a opção progressista do Movimento das Forças Armadas. Entretanto, no nosso País, com o assenso das políticas de direita que temos tido nos últimos 28 anos, agravaram-se ainda mais os laços de dependência de Portugal, face à NATO, e aos EUA», disse.
Margarida Botelho destacou igualmente o facto de a NATO ter deixado, com a guerra da Jugoslávia, de ser oficialmente uma organização defensiva. «A agressão à Jugoslávia, além de ter sido uma guerra injusta e lamentável, que provocou danos materiais e humanos importantes, representou um avanço qualitativo na guerra imperialista e no desenvolvimento da NATO», continuou, salientando que «esta guerra colocou o Kosovo no coração da Europa, sob o domínio da NATO, permitiu a abertura de novas bases a Leste, avançando ainda mais para a Rússia e a China, acelerou a militarização da União Europeia, e serviu de experiência prática para alterar o conceito estratégico da NATO, ou seja, a NATO passou formalmente a ser uma organização agressiva e ofensiva».
Referendo à vista
Outro dos intervenientes no debate foi Pedro Guerreira que falou sobre a evolução da militarização da União Europeia e, na possibilidade de dentro em breve se realizar um referendo sobre este assunto.
«O que nós (PCP) temos vindo a salientar é que para além dos aspectos negativos da Constituição Europeia, nomeadamente a afirmação do capitalismo como sistema, que coloca em causa as conquistas dos trabalhadores, para além de procurar impor os ditames das grandes potências da União Europeia, e das multinacionais, vai-se fazer depender as prioridades e os conceitos de segurança de cada um dos povos à estratégia imperialista, intervencionista, das potências da União Europeia», disse, salientando que também o PCP está a favor do referendo, «mas de um referendo que fale das ameaças concretas com que o nosso povo está confrontado».
C. Milota, do Partido Comunista da Boémia e Morávia, Chefe do Departamento Eleitoral do CC, saudando a luta dos comunistas portugueses e das demais forças progressistas de Portugal, manifestou-se contra a globalização e a militarização das sociedades, o aprofundamento dos antigos antagonismos e o aumento da pobreza e da miséria no nosso planeta. «Estes problemas não se resolvem com palavras, quaisquer que elas sejam, não se resolvem sequer com programas de luta contra o terrorismo, nem com a acção do polícia mundial americano, resolvem-se sim, e apenas, solucionando a própria origem dos problemas», disse C. Milota, sublinhando que «um dos passos no sentido da solução seria a dissolução do bloco político militar e, antes de mais, da NATO, alegadamente uma aliança defensiva que envolve grande parte dos Estados europeus».
Por seu lado, Ozgur Sen, do Partido Comunista da Turquia, Responsável do Departamento Internacional, referiu que «a Nato é um instrumento contra a luta de classes», dando como exemplo os Jogos Olímpicos da Grécia, que se realizaram recentemente, onde as forças militares «impediram as pessoas de ir para a rua manifestar-se, expor as suas ideias, a pretexto da guerra contra o terrorismo». «As ruas são nossas e continuarão a ser nossas para sempre», disse Ozgur Sem.
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