Exemplo de participação popular
A vitória do presidente Hugo Chávez Frias no refendo revogatório de 15 de Agosto não surgiu por acaso. Quando estive no início de Julho, na Venezuela, mesmo que brevemente, e depois, em Agosto, na semana que antecedeu o referendo, nas visitas que fizemos aos bairros pobres da zona de Caracas, sentimos o apoio às políticas que se estavam a desenvolver.
Era claro o entusiasmo das mulheres que participavam nas comissões criadas, a alegria dos jovens a participar nas diversas acções dos «Programas Bairro Adentro», a felicidade nos olhos das crianças que mostravam os seus trabalhos escolares, o orgulho dos homens que vinham apresentar os seus títulos de propriedade, recentemente entregues nas comissões de terras urbanas, a confirmar a posse do terreno onde estava construída a casa, o sorriso conquistado com as consultas ontológicas e tratamento dos dentes, a que, pela primeira vez, a população dos bairros tem direito.
O que vimos e sentimos era, sem dúvida, a concretização efectiva das políticas descritas na extensa entrevista, mas de leitura imprescindível, que Marta Harnecker fez a Hugo Chávez Frias e publicou no livro «Um Homem, um povo».
Visitar um bairro com Freddy Bernal, ouvir o seu diálogo aberto com a população, apreciar as obras que, finalmente, levam a água canalizada aos milhões de moradores que os governos anteriores ignoraram, sentir a confiança de quem sabe que o povo está do seu lado, é uma experiência marcante. Tal como a espantosa solidariedade dos médicos cubanos que vivem nos bairros, no meio da população, na parte superior de pequenas casas recentemente construídas, onde, no rés-do-chão, funcionam os consultórios, abertos a todos os moradores, a quem também visitam nas suas casas, assegurando uma cobertura total e gratuita nesses locais onde os médicos venezuelanos não queriam ir.
Viver o entusiasmo dos últimos dias da campanha, a alegria popular e enorme participação no referendo, a festa noite dentro, apesar das horas de espera nas filas de quilómetros, numa votação que se prolongou até à meia-noite, fez-me recordar as primeiras eleições livres em Portugal, após a revolução do 25 de Abril de 1974. Tornou também claro que era muito forte a participação popular, que as organizações dos Patrulheiros funcionavam, que o Comanda Maisanta dirigia o processo, que Hugo Chávez não estava sozinho, apesar do que dizia a oposição nas televisões e jornais que controlam.
Vitória de um projecto
A grande vitória no referendo da Venezuela deveu-se quer às reformas políticas e sociais levadas a cabo pelo governo, com a efectiva participação da população, combinando justiça social com respeito pelas liberdades cívicas e direitos humanos, quer à vontade política de usar a riqueza do país, designadamente o petróleo, para o bem-estar de todos os venezuelanos, visando construir um mundo mais pacífico, baseado em relações mais igualitárias entre países. Foi isso que os mais de cinco milhões de venezuelanos apoiaram, numa vantagem superior a um milhão e meio, o que obrigou o imperialismo americano a reconhecer publicamente a validade dos resultados, apesar do histerismo da oposição e do incitamento à violência dos sectores mais radicais, fascistas e golpistas.
Como se salientou na saudação, que subscrevi, dos deputados do Parlamento Europeu presentes no referendo, «o muito alto nível de participação nesta eleição é significativo constituindo para nós, europeus, um contraste cruel com o muito baixo nível de participação nas eleições europeias, e é provavelmente imputável às claras escolhas políticas feitas pelo Projecto Bolivariano na construção de alternativas ao neoliberalismo e na construção de pontes entre instituições e participação popular».
Antes de deixarmos a Venezuela, apelámos a todos os sectores da oposição para respeitarem os resultados tornados públicos pela mais alta autoridade eleitoral, rejeitando quaisquer tentativas de desestabilização do governo, respondendo positivamente aos apelos para o diálogo feitos por Hugo Chávez e seu governo.
A vitória do povo da Venezuela é também uma vitória de todos nós, pela importância que tem para o desenvolvimento da América Latina e da paz mundial, demonstrando que é possível construir alternativas ao neoliberalismo com forte intervenção popular.
Era claro o entusiasmo das mulheres que participavam nas comissões criadas, a alegria dos jovens a participar nas diversas acções dos «Programas Bairro Adentro», a felicidade nos olhos das crianças que mostravam os seus trabalhos escolares, o orgulho dos homens que vinham apresentar os seus títulos de propriedade, recentemente entregues nas comissões de terras urbanas, a confirmar a posse do terreno onde estava construída a casa, o sorriso conquistado com as consultas ontológicas e tratamento dos dentes, a que, pela primeira vez, a população dos bairros tem direito.
O que vimos e sentimos era, sem dúvida, a concretização efectiva das políticas descritas na extensa entrevista, mas de leitura imprescindível, que Marta Harnecker fez a Hugo Chávez Frias e publicou no livro «Um Homem, um povo».
Visitar um bairro com Freddy Bernal, ouvir o seu diálogo aberto com a população, apreciar as obras que, finalmente, levam a água canalizada aos milhões de moradores que os governos anteriores ignoraram, sentir a confiança de quem sabe que o povo está do seu lado, é uma experiência marcante. Tal como a espantosa solidariedade dos médicos cubanos que vivem nos bairros, no meio da população, na parte superior de pequenas casas recentemente construídas, onde, no rés-do-chão, funcionam os consultórios, abertos a todos os moradores, a quem também visitam nas suas casas, assegurando uma cobertura total e gratuita nesses locais onde os médicos venezuelanos não queriam ir.
Viver o entusiasmo dos últimos dias da campanha, a alegria popular e enorme participação no referendo, a festa noite dentro, apesar das horas de espera nas filas de quilómetros, numa votação que se prolongou até à meia-noite, fez-me recordar as primeiras eleições livres em Portugal, após a revolução do 25 de Abril de 1974. Tornou também claro que era muito forte a participação popular, que as organizações dos Patrulheiros funcionavam, que o Comanda Maisanta dirigia o processo, que Hugo Chávez não estava sozinho, apesar do que dizia a oposição nas televisões e jornais que controlam.
Vitória de um projecto
A grande vitória no referendo da Venezuela deveu-se quer às reformas políticas e sociais levadas a cabo pelo governo, com a efectiva participação da população, combinando justiça social com respeito pelas liberdades cívicas e direitos humanos, quer à vontade política de usar a riqueza do país, designadamente o petróleo, para o bem-estar de todos os venezuelanos, visando construir um mundo mais pacífico, baseado em relações mais igualitárias entre países. Foi isso que os mais de cinco milhões de venezuelanos apoiaram, numa vantagem superior a um milhão e meio, o que obrigou o imperialismo americano a reconhecer publicamente a validade dos resultados, apesar do histerismo da oposição e do incitamento à violência dos sectores mais radicais, fascistas e golpistas.
Como se salientou na saudação, que subscrevi, dos deputados do Parlamento Europeu presentes no referendo, «o muito alto nível de participação nesta eleição é significativo constituindo para nós, europeus, um contraste cruel com o muito baixo nível de participação nas eleições europeias, e é provavelmente imputável às claras escolhas políticas feitas pelo Projecto Bolivariano na construção de alternativas ao neoliberalismo e na construção de pontes entre instituições e participação popular».
Antes de deixarmos a Venezuela, apelámos a todos os sectores da oposição para respeitarem os resultados tornados públicos pela mais alta autoridade eleitoral, rejeitando quaisquer tentativas de desestabilização do governo, respondendo positivamente aos apelos para o diálogo feitos por Hugo Chávez e seu governo.
A vitória do povo da Venezuela é também uma vitória de todos nós, pela importância que tem para o desenvolvimento da América Latina e da paz mundial, demonstrando que é possível construir alternativas ao neoliberalismo com forte intervenção popular.