O fantasma do Peru de Fujimori

Surda e cega perante a realidade de uma derrota claramente anunciada por diferentes sondagens, entre elas várias feitas por empresas comprometidas com ela, a oposição continua a insistir na alegada fraude electrónica, esquecendo que aprovou o software utilizado e, em geral, todo o processo, mesmo o da transmissão dos dados, etapa sobre a qual foi o governo quem exprimiu as maiores dúvidas porque passava por CANTV, a telefónica privada controlada pela oposição. Incapaz de assumir a derrota diante do seu eleitorado, a oposição monta outro «burro» de batalha: as eleições peruanas ganhas por Fujimori em 2000... com o aval da OEA. Como se sabe, alguns meses, depois o escândalo Montesinos poria fim ao regime de Fujimori, que seria substituído por Toledo. Na perspectiva da reacção venezuelana, que vê coincidências onde elas não existem, é isso o que vai passar na Venezuela dentro de um par de meses.
Pedagógico, Gaviria recordou o caso peruano para esclarecimento de quem estiver interessado. No Peru, explicou, houve uma primeira volta em Abril ganha por Fujimori. Nessa votação a OEA esteve presente e confirmou os resultados. Não houve fraude. Porque a diferença de Fujimori sobre Toledo era muito pequena – esse não é o caso da Venezuela, acrescentou, onde a diferença entre uma opção e outra é enorme – foi necessário ir a uma segunda volta. Entretanto, as autoridades eleitorais peruanas decidiram modificar o software e como a OEA não teve acesso oportuno ao mesmo não assistiu ao acto eleitoral, no qual, recorde-se, não participou Toledo e Fujimori, sem nenhum tipo de observação eleitoral, ganhou como quis e foi proclamado presidente pelas autoridades eleitorais peruanas. Não é o caso da Venezuela, comentou Gaviria.
Por outro lado, durante a primeira volta, se bem que não houve fraude, havia uma situação pouco ética onde todos os meios de comunicação eram controlados pelo governo de Fujimori e a oposição nem sequer podia comprar espaços publicitários para a sua campanha eleitoral. Essa também não é a situação da Venezuela, voltou a lembrar o secretário-geral da OEA, que de herói da oposição passou a mau da fita, à condição de vendido. Tanto ele como o ex presidente Carter – que, em palavras da oposição, se vendeu ao governo por um contrato de petróleo – já foram «caçaroleados» em lugares públicos de Caracas, uma forma de intimidação reservada às autoridades bolivarianas. Outros observadores internacionais tiveram ainda menos sorte e atiraram um café a ferver para cima de um deles.


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