Utentes exigem serviços públicos de qualidade

A falta de pessoa médico no centro de saúde e o elevado preço da água são algumas das críticas apontadas aos serviços públicos de Santo André, concelho de Santiago do Cacém, pela respectiva comissão de utentes.
A auto-denominada Comissão de Utentes dos Serviços Públicos de Santo André denunciou, na passada semana, em conferência de imprensa, que se realizou junto ao centro de saúde local, um conjunto de situações que alegadamente penaliza os cerca de 12 mil habitantes da freguesia.
José Ferro, representante da comissão, explicou à Lusa que a população de Santo André - a maioria residente na sede da freguesia, elevada a cidade há um ano - tem «crescido muito», sem que essa tendência tenha implicado a instalação ou melhoria de serviços públicos.
«Os principais serviços que uma cidade necessita não existem e queremos chamar a atenção e informar a opinião pública sobre estas dificuldades», argumentou, explicando que a comissão de utentes foi criada em Maio último.
A falta de pessoal médico no centro de saúde, a inexistência de um Serviço de Atendimento a Doentes Urgentes (SADU), os atrasos na homologação de cursos no pólo local do Instituto Piaget, as alterações nos serviços dos CTT e o preço e qualidade da água são as principais questões que motivam o descontentamento.
«O Centro de Saúde de Santo André está cheio de problemas e nós queremos alertar as entidades responsáveis para o que se passa», realçou José Ferro, exemplificando que trabalham nesta unidade «apenas quatro enfermeiros», ou sela, «metade dos que são necessários».
Segundo o mesmo porta-voz, a comissão de utentes já tentou reunir com a direcção do centro de saúde para discutir também a escassez de médicos na unidade ou a instalação de um SADU, sem que, até agora, tenha recebido resposta.
«A carta mais antiga foi escrita há 60 dias. Voltámos a enviar correspondência um mês depois e, até à data, ainda continuamos sem resposta», lamentou, frisando que «não faz sentido os utentes deslocarem-se ao SADU de Santiago do Cacém para, depois, terem de voltar para o Hospital do Litural Alentejano (no caminho para Santo André)».

Outras lutas

Além da saúde, a comissão, formada por uma dezena de pessoas, discorda da possível alteração dos serviços dos CTT na freguesia e insurge-se contra o preço pago pela água de consumo doméstico na zona.
«A água é fornecida pela empresa Águas de Santo André, e estamos a tentar marcar uma reunião com eles porque não percebemos o motivo pelo qual aplicam uma taxa de disponibilidade de cinco euros de dois em dois meses. Não sabemos se isto é legal», reclamou.
A abertura de uma delegação da repartição de Finanças em Santo André é outra das «batalhas» que a comissão de utentes tem vindo a travar, estando mesmo agendada, segundo José ferro, uma reunião com o Director-Geral de Impostos, a 10 de Setembro.
«Os residentes na freguesia consideram que se justifica a criação dessa delegação. Só em dois meses, reunimos quatro mil assinaturas num abaixo-assinado que requer esse serviço», argumentou.

Preocupações oportunas

A propósito de eventuais dificuldades na prestação de cuidados de saúde por falta de recursos humanos, normalmente escassos, a Comissão de Utentes da Saúde da Freguesia de Corroios, concelho de Seixal, reuniu recentemente com a Directora do Centro de Saúde daquela localidade. Sobre este ponto a comissão foi informada de que não haveria qualquer diminuição da qualidade e quantidade no atendimento aos utentes que procurarão os serviços de saúde.
Outro dos problemas levantados foi a gestão dos centros de saúde, tendo sido solicitado informações sobre a aplicação do Dec-LEI 60/03, de 1 de Abril. Segundo uma nota enviada ao Avante!, pela resposta da directora do centro de saúde, ficou-se a saber que a legislação, em vigor, apenas está a ser cumprida quanto à nomeação de directores. Pergunta-se: «será que o Governo não é obrigado a cumprir legislação que ele próprio aprova?».
Por fim a comissão de utentes teve a oportunidade de, mais uma vez, alertar para a necessidade de resolver os problemas de acessibilidade ao local onde vai ser construído o novo centro de saúde de Corroios.


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