Manifestações em Lisboa e no Porto

Pela contratação colectiva

Às confederações patronais e ao Governo, o movimento sindical unitário imputou as responsabilidades pelo bloqueamento da revisão dos contratos, com prejuízo para milhares de trabalhadores.

O Governo permite o bloqueio patronal e até dá o exemplo

No dia 15, a CGTP-IN promoveu uma jornada de luta em defesa da contratação colectiva, com acções em Lisboa e no Porto. Durante a manhã, o alvo dos protestos foram as associações patronais de alguns dos mais importantes sectores onde a revisão dos contratos colectivos está parada. De tarde, dirigentes e activistas sindicais concentraram-se na Praça do Saldanha e na Rotunda da Boavista.
No Porto, desfilaram até à delegação do Ministério do Trabalho e, segundo a Lusa, eram mais de um milhar. Entregaram ali uma moção que exige o desbloqueamento da contratação colectiva.
Durante toda a manhã, no âmbito desta jornada de luta, a Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícios, Vestuário, Calçado e Peles de Portugal realizou uma «caravana de protesto», deixando ofícios nas sedes das associações patronais dos têxteis, lanifícios e têxteis-lar, do calçado e do vestuário. Vários milhares de trabalhadores continuam sem actualização salarial, ficando as já baixas remunerações ainda mais próximas dos valores do salário mínimo nacional.
Dirigentes e delegados do Sindicato do Comércio, Escritórios e Serviços, neste dia, manifestaram-se junto à Associação de Comerciantes do Porto, acusando-a de ter apresentado uma proposta de revisão do contrato colectivo que possibilitaria o trabalho ao domingo e a mobilidade geográfica, entre outras profundas alterações. Entretanto, cerca de seis mil trabalhadores não tiveram ainda actualização salarial.
Em Lisboa, o desfile que partiu do Saldanha para o Ministério do Trabalho fez uma paragem junto à sede da Confederação da Indústria Portuguesa. Numa moção ali aprovada e depois entregue à central patronal, exige-se à CIP que intervenha junto dos seus associados para que a contratação colectiva seja desbloqueada. Pela actual situação de bloqueamento são responsabilizadas algumas associações patronais e empresas, que procuram diminuir os direitos dos trabalhadores e não actualizar os salários. O patronato provoca assim a degradação do clima laboral nas empresas e é culpado dos conflitos colectivos de trabalho em curso e que se poderão desencadear ou agravar, se persistir no bloqueamento da contratação colectiva.
Junto do Ministério do Trabalho concentraram-se alguns milhares de manifestantes, que ouviram o secretário-geral da CGTP-IN acusar o ministro Bagão Félix de, em dois anos de exercício do cargo, apenas ter contribuído para o aumento do desemprego, a redução dos salários reais e a perda de direitos laborais e sociais. Uma moção aprovada e logo entregue ao cuidado do ministro exige que o Governo cumpra com a obrigação de promover a contratação colectiva e a resolução de conflitos colectivos de trabalho dela decorrentes.
Com o bloqueio da contratação colectiva fica claro o objectivo de «fazer regredir as condições de trabalho e reduzir os salários». O patronato, refere-se na moção, «tem utilizado as disposições do Código de Trabalho e uma interpretação abusiva das suas normas sobre a contratação colectiva, como pretexto para não negociar, tendo como objectivo fazer caducar as convenções colectivas, esvaziar os direitos contratuais e introduzir normas gravosas para os trabalhadores».
Cabe ao Governo uma dupla responsabilidade: o Código de Trabalho «veio pôr em causa o direito de contratação colectiva, consagrado na Constituição, desequilibrando a relação de forças a favor do patronato» e o executivo PSD/PP «deu, ele mesmo, o exemplo, ao não negociar na Administração Pública e ter imposto a redução dos salários reais». Mas o Governo também não faz publicar os regulamentos de extensão de convenções colectivas, o que prejudica os trabalhadores de empresas que não estão filiadas em associações patronais.


Mais artigos de: Trabalhadores

CGTP lamenta promulgação

A CGTP lamenta a promulgação da regulamentação do Código de Trabalho pelo Presidente da República e insiste na inconstitucionalidade de algumas normas

Guardas-florestais protestaram em Lisboa

Duas centenas de mestres e guardas florestais concentraram-se, dia 15, junto à Direcção-Geral dos Recursos Florestais, reclamando um estatuto digno e uma estrutura própria para o Corpo Nacional da Guarda Florestal.Vindos de diversos pontos do País, numa acção promovida pela Federação Nacional dos Sindicatos da Função...

Médicos avançam para greve

Os médicos do internato complementar vão realizar, nos próximos dia 28 e 29, a sua primeira greve a nível nacional. A paralisação surge como forma de protesto contra a unificação do internato médico e pela exigência do pagamento das horas extraordinárias pela tabela aplicada aos médicos especialistas com exclusividade de...

Tenacidade e confiança

O que se perspectiva para os trabalhadores exige que prossiga «com tenacidade e confiança a denúncia das políticas conservadoras e do populismo», comentou a CGTP-IN.

Os mesmos objectivos na administração local

«Continua no poder a velha política de extrema-direita, contra a qual vamos continuar a luta», afirma o STAL/CGTP-IN, que critica Sampaio porque, «ignorando a vontade da maioria do povo português, o Presidente da República impôs ao País um Governo recauchutado e a mesma coligação que nos últimos dois anos levou a cabo...

O «programa» fundamental

Em exposição dirigida ao Presidente da República, a Fequimetal/CGTP-IN frisa que a Constituição «é o programa do País e dos portugueses». No documento, que a federação divulgou sexta-feira, é reclamado zelo do PR para que seja respeitado aquele programa, que «continuará sendo guia das nossas bandeiras de luta».«Só por...