Festival de Teatro de Almada

20 anos do melhor teatro

A 21.ª edição do Festival de Teatro de Almada, que termina no próximo domingo, confirma mais uma vez o evento como um dos mais importantes do género, na Europa e no mundo.

O Festival surge em vários títulos da imprensa estrangeira

Quando terminar, no domingo, a peça de Marius von Mayenburg «Cara de Fogo», trazida à cena pela Comuna, acabará também mais uma edição – a vigésima primeira – do Festival Internacional de Teatro de Almada. Apesar das dificuldades orçamentais, provocadas pelos pesados cortes nos apoios públicos e privados, foi (está a ser!) possível manter o elevado nível a que o festival almadense habituou os seus espectadores. O reduzido orçamento de que dispôs obrigou a um maior recurso à imaginação e novas parcerias, como afirmou na apresentação o director Joaquim Benite.
Longe vão os tempos da primeira «Festa do Teatro de Almada», realizada em 1984, numa pequena rua da zona histórica da cidade por iniciativa do então Grupo de Teatro de Campolide, que se tinha sediado em Almada poucos anos antes – na linha do movimento de descentralização teatral em curso nesses anos.
Nessa altura, nem os mais ambiciosos ousaram sonhar com a dimensão que, anos depois, o Festival viria a assumir. O certame é, hoje, considerado um dos melhores do género – na Europa e no mundo – e a sua realização é motivo de referência na imprensa estrangeira. Pelos seus palcos passou e passa muito do melhor teatro que se faz em Portugal e no mundo.

Nova viagem à Sbörnia

Exemplo disso foi o regresso, no sábado, do espectáculo «Tangos e Tragédias», da Caravana Produções, espectáculo de honra de 2003. Com o palco grande da Escola D. António da Costa a ser pequeno para acolher todos quantos quiseram assistir ao espectáculo, os dois actores (que são também exímios cantores e instrumentistas) voltaram a revelar o seu humor inteligente e a conseguir transportar o público para a Sbörnia, o imaginário país de origem das duas personagens.
Sendo a mesma peça apresentada no ano passado, os dois protagonistas não perderam a oportunidade de a «actualizar», com alusões à situação política nacional, marcada pelo abandono de funções do primeiro-ministro Durão Barroso. À semelhança do ano anterior, todo o espectáculo foi marcado por uma grande interacção com o público, que se comportou como uma terceira personagem muito participativa.
Foi mais uma vez possível perceber porque é que «Tangos e Tragédias» se mantém na estrada desde 1984, percorrendo inúmeros festivais internacionais de teatro, e é já objecto de culto no Brasil. A julgar pelas suas duas apresentações no nosso país, e pela reacção do público, bem que o pode vir a ser também entre nós.

Nomes maiores do teatro mundial

Figura maior da edição deste ano do Festival, o francês Roger Planchon fez a sua aparição em dois espectáculos no Centro Cultural de Belém, nos passados dias 11 e 12. A peça, «Emmanuel Kant», do austríaco Thomas Bernhard, é insólita e as interpretações dos actores não o são menos.
A peça apresenta o filósofo alemão (que na realidade nunca saiu da sua terra, Königsberg) numa viagem transatlântica para os Estados Unidos. Doutor honoris causa pela Universidade de Columbia, Kant pretende aproveitar a sua estadia naquele país para ser operado às cataratas de que padece. Partindo deste quadro, o autor ironiza com alguns dos «mitos» do século XX e põe em causa a própria Razão, que surge como muito próxima da Loucura. A obra, passando em revista – de forma irónica e desconcertante – alguns acontecimentos e teorias do século XX, não deixa de estar tremendamente actual e de arrancar do público gargalhadas (e reflexões).
«Presente» desde o primeiro dia, encontra-se outro dos grandes nomes do teatro mundial, o cenógrafo checo Joseph Svoboda. Uma exposição de alguns dos seus mais emblemáticos trabalhos está patente no Fórum Municipal Romeu Correia.


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