Teatro de qualidade
A reposição em cena da peça «Gente Feliz com Lágrimas», a partir do romance homónimo de João de Melo, marcou domingo o arranque do festival de teatro.
Dalila Rocha é a figura homenageada deste ano
A reposição em cena da peça «Gente Feliz com Lágrimas», a partir do romance homónimo de João de Melo, marcou domingo o arranque do festival de teatro.
Na edição deste ano, que termina a 18 de Julho e traz pela primeira vez a Portugal o actor francês Roger Planchon, do Teatro Nacional Popular, participam 19 companhias de teatro, das quais dez são estrangeiras.
Brasil, França, República Checa, Argentina, Espanha e Itália são os países que, além de Portugal, estão representados no certame organizado em conjunto pela Companhia de Teatro de Almada e Câmara Municipal de Almada.
Entretanto, apesar das dificuldades financeiras invocadas pela direcção do certame para contratar mais companhias e que obrigam ao reforço das parcerias com grupos portugueses, o ministério da tutela decidiu este ano agraciar o Festival com a Medalha de Mérito Cultural, apresentando-o como um dos mais importantes eventos do género da Europa.
«Gente Feliz com Lágrimas», uma encenação de João Brites, de O Bando, a partir da obra de João Melo que aborda o universo da emigração açoriana, foi o espectáculo que inaugurou o Festival. Entre outras, a presença portuguesa vai estar assinalada por duas estreias a encerrar o certame: «Medo/Triangulo», uma produção do grupo Útero, com direcção de Miguel Moreira, e «Dois Irmãos», uma encenação de Jorge Silva Melo, dos Artistas Unidos, do texto do dramaturgo italiano Fausto Paravidino.
No âmbito deste ciclo, organizado em colaboração com o grupo Artistas Unidos, serão apresentadas três peças de novos autores italianos e realizadas sessões de leitura de textos de contemporâneos como Letizia Russo, Davide Enia e António Tarantino.
O Festival termina com «Cara de Fogo», de Marius von Mayenburg, pela Comuna, numa encenação de João Mota.
Várias iniciativas
A esperada presença de Roger Planchon, que fundou em 1950 o Teatro da Cidade de Villeurbane, mais tarde designado de Teatro Nacional Popular, chega, sábado e domingo, dias 10 e 11, com a peça «Emmanuel Kant», de Thomas Bernhard, em que o actor francês, especialista em textos de Molière e Shakespeare, é o protagonista e tem a seu cargo a encenação.
Do mesmo dramaturgo austríaco, a companhia checa Divadlo na Zábradlí apresenta, nos dias 15 e 16, «A Praça dos Heróis», que integra no elenco Marie Málková, que ganhou, consecutivamente, nos últimos três anos, o Prémio de Melhor Actriz Checa.
Dalila Rocha, fundadora do Teatro Experimental do Porto e da Cornucópia que representou textos de dramaturgos consagrados como Shakespeare, Brecht, Heiner Müller, Eduardo de Fillipo, Gil Vicente e António José da Silva, é a figura homenageada deste ano.
Ainda numa espécie de tributo à mulher, o Festival traz a Portugal, hoje e amanhã, nos dias 8 e 9, a dupla de actrizes espanholas mais famosa: Amparo Rivelles e Nuria Espert, que protagonizam «A Brisa da Vida», do dramaturgo inglês contemporâneo David Hare, numa encenação de Lluis Pasqual, fundador do Teatro Lliure de Barcelona.
Eleito pelo público no ano passado como Espectáculo de Honra 2004, «Tangos e Tragédias», com os brasileiros Hique Gomez e Nico Nicolaiewsky, é representada no sábado, dia 10.
Além do teatro, a programação do certame inclui encontros com encenadores, exposições documentais, espectáculos musicais, dança e ópera.
As diversas iniciativas realizam-se em Almada (Casa da Cerca, Escola D. António da Costa, Fórum Romeu Correia e Teatro Municipal) e Lisboa (Centro Cultural de Belém, Teatro da Trindade, Teatro do Bairro Alto/Cornucópia, Teatro de São Luís e Teatro Taborda). Para mais informações, pode sempre visitar o site www.ctalmada.pt .
Um acontecimento cultural
Roger Planchon, que vem a Portugal pela primeira vez, fundou em 1950 o Théâtre de la Cité de Villeurbane, perto de Lyon, onde desenvolveu um trabalho que o tornou famoso. Em 1972, o Estado francês atribui à Companhia de Planchon o estatuto de Teatro Nacional, com o nome de Théâtre National Populaire, uma das salas mais prestigiadas de França.
O texto que Roger Planchon traz agora ao Festival de Almada é uma das peças mais polémicas de Thomas Bernhard: Emmanuel Kant. Na peça do célebre autor austríaco, Kant, que, como se sabe, nunca saiu de Königsberg, empreende uma viajem a Nova Iorque para receber um doutoramento Honoris Causa. O espectáculo é a história dessa viagem e é um dos textos mais desconcertantes de Thomas Bernhard.
Com Planchon colabora neste espectáculo um famoso cenógrafo, Ezio Frigerio, que iniciou a sua carreira no Piccolo Teatro di Milano e veio tornar-se num dos cenógrafos europeus mais importantes, tendo trabalhado com Giorgio Strehler, Frederico Fellini, Vitorio de Sica, Eduardo de Filippo, Marco Ferreri, Claude Regy, Liliana Cavanni, etc.
Na edição deste ano, que termina a 18 de Julho e traz pela primeira vez a Portugal o actor francês Roger Planchon, do Teatro Nacional Popular, participam 19 companhias de teatro, das quais dez são estrangeiras.
Brasil, França, República Checa, Argentina, Espanha e Itália são os países que, além de Portugal, estão representados no certame organizado em conjunto pela Companhia de Teatro de Almada e Câmara Municipal de Almada.
Entretanto, apesar das dificuldades financeiras invocadas pela direcção do certame para contratar mais companhias e que obrigam ao reforço das parcerias com grupos portugueses, o ministério da tutela decidiu este ano agraciar o Festival com a Medalha de Mérito Cultural, apresentando-o como um dos mais importantes eventos do género da Europa.
«Gente Feliz com Lágrimas», uma encenação de João Brites, de O Bando, a partir da obra de João Melo que aborda o universo da emigração açoriana, foi o espectáculo que inaugurou o Festival. Entre outras, a presença portuguesa vai estar assinalada por duas estreias a encerrar o certame: «Medo/Triangulo», uma produção do grupo Útero, com direcção de Miguel Moreira, e «Dois Irmãos», uma encenação de Jorge Silva Melo, dos Artistas Unidos, do texto do dramaturgo italiano Fausto Paravidino.
No âmbito deste ciclo, organizado em colaboração com o grupo Artistas Unidos, serão apresentadas três peças de novos autores italianos e realizadas sessões de leitura de textos de contemporâneos como Letizia Russo, Davide Enia e António Tarantino.
O Festival termina com «Cara de Fogo», de Marius von Mayenburg, pela Comuna, numa encenação de João Mota.
Várias iniciativas
A esperada presença de Roger Planchon, que fundou em 1950 o Teatro da Cidade de Villeurbane, mais tarde designado de Teatro Nacional Popular, chega, sábado e domingo, dias 10 e 11, com a peça «Emmanuel Kant», de Thomas Bernhard, em que o actor francês, especialista em textos de Molière e Shakespeare, é o protagonista e tem a seu cargo a encenação.
Do mesmo dramaturgo austríaco, a companhia checa Divadlo na Zábradlí apresenta, nos dias 15 e 16, «A Praça dos Heróis», que integra no elenco Marie Málková, que ganhou, consecutivamente, nos últimos três anos, o Prémio de Melhor Actriz Checa.
Dalila Rocha, fundadora do Teatro Experimental do Porto e da Cornucópia que representou textos de dramaturgos consagrados como Shakespeare, Brecht, Heiner Müller, Eduardo de Fillipo, Gil Vicente e António José da Silva, é a figura homenageada deste ano.
Ainda numa espécie de tributo à mulher, o Festival traz a Portugal, hoje e amanhã, nos dias 8 e 9, a dupla de actrizes espanholas mais famosa: Amparo Rivelles e Nuria Espert, que protagonizam «A Brisa da Vida», do dramaturgo inglês contemporâneo David Hare, numa encenação de Lluis Pasqual, fundador do Teatro Lliure de Barcelona.
Eleito pelo público no ano passado como Espectáculo de Honra 2004, «Tangos e Tragédias», com os brasileiros Hique Gomez e Nico Nicolaiewsky, é representada no sábado, dia 10.
Além do teatro, a programação do certame inclui encontros com encenadores, exposições documentais, espectáculos musicais, dança e ópera.
As diversas iniciativas realizam-se em Almada (Casa da Cerca, Escola D. António da Costa, Fórum Romeu Correia e Teatro Municipal) e Lisboa (Centro Cultural de Belém, Teatro da Trindade, Teatro do Bairro Alto/Cornucópia, Teatro de São Luís e Teatro Taborda). Para mais informações, pode sempre visitar o site www.ctalmada.pt .
Um acontecimento cultural
Roger Planchon, que vem a Portugal pela primeira vez, fundou em 1950 o Théâtre de la Cité de Villeurbane, perto de Lyon, onde desenvolveu um trabalho que o tornou famoso. Em 1972, o Estado francês atribui à Companhia de Planchon o estatuto de Teatro Nacional, com o nome de Théâtre National Populaire, uma das salas mais prestigiadas de França.
O texto que Roger Planchon traz agora ao Festival de Almada é uma das peças mais polémicas de Thomas Bernhard: Emmanuel Kant. Na peça do célebre autor austríaco, Kant, que, como se sabe, nunca saiu de Königsberg, empreende uma viajem a Nova Iorque para receber um doutoramento Honoris Causa. O espectáculo é a história dessa viagem e é um dos textos mais desconcertantes de Thomas Bernhard.
Com Planchon colabora neste espectáculo um famoso cenógrafo, Ezio Frigerio, que iniciou a sua carreira no Piccolo Teatro di Milano e veio tornar-se num dos cenógrafos europeus mais importantes, tendo trabalhado com Giorgio Strehler, Frederico Fellini, Vitorio de Sica, Eduardo de Filippo, Marco Ferreri, Claude Regy, Liliana Cavanni, etc.