Intervenção no Iraque

O «nim» da NATO

A NATO vai participar na formação das forças de segurança do Iraque, decidiu a cimeira de Istambul. É o «consenso mínimo possível» entre os 26 países aliados.

As consequências seriam mais negativas do que positivas

Em comunicado divulgado na segunda-feira, os chefes de Estado e de governo da Aliança anunciaram que «decidiram oferecer a assistência da NATO ao governo do Iraque na formação das forças de segurança» iraquianas, bem como «encorajar as nações a contribuir para a formação das forças armadas» do país.
Os aliados oferecem ainda a sua «total cooperação ao novo governo interino soberano nos seus esforços para reforçar a segurança interna e para preparar a realização de eleições gerais em 2005», mas não especificam as modalidades que tal cooperação deverá assumir. Essa matéria foi remetida para o Conselho Atlântico, órgão máximo político da NATO, onde estão representados os 26 países membros e cujas decisões se adoptam por unanimidade.
A decisão surge na sequência de um pedido apresentando pelo governo interino do Iraque e dá seguimento à resolução 1546 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, «que pede às organizações internacionais e regionais» para que ajudem a «força
multinacional naquele país.
Este vago compromisso de Istambul, que tanto os EUA como a Grã-Bretanha apresentaram como um «êxito» político, cujo alcance a França e a Alemanha insistem em minimizar, assemelha-se muito a um «nim» da NATO face à questão do Iraque.
Enquanto Bush e Blair tentam fazer crer que estão ultrapassadas as divergências quanto as motivações do ataque e ocupação do Iraque, agora que formalmente foi feita a passagem do testemunho aos iraquianos, Paris e Bona preocupam-se em passar a mensagem de que a NATO não irá substituir no terreno as forças de ocupação anglo-saxónicas.

Assunto encerrado

«A NATO não dispõe de meios, são os países aliados que devem assumir essa formação, porque são os únicos que dispõem de meios para o fazer», afirmou o presidente francês, Jacques Chirac, a propósito da participação na formação das forças de segurança iraquianas.
Segundo Chirac, a NATO só pode realizar a formação de oficiais iraquianos no seu colégio militar de Roma e assessorar os países aliados que queiram oferecer de forma bilateral essa formação dentro ou fora do Iraque».
De acordo com o presidente francês, a presença de uma estrutura da NATO no Iraque é impensável. «Essa questão não se coloca», afirmou, acrescentando que «essa possibilidade não está de acordo com as decisões adoptadas».
Chirac foi mesmo mais longe ao afirmar que «não haverá rasto da NATO em solo iraquiano, porque isso seria contraproducente», insistindo que «a NATO não tem vocação para intervir no Iraque», pois «as consequências seriam mais negativas do que positivas».
Sem especificar para quem é que essas consequências seriam negativas - se para os iraquianos ou se para a própria NATO -, o eixo franco-germânico acolitado pela Espanha acaba por permitir que cada um dos 26 países membros acorde, bilateralmente, a forma de intervir no Iraque, ao mesmo tempo que deixa a Washington e a Londres o necessário campo de manobra para, a nível interno, ostentarem a pacificação da família internacional e apresentarem a questão do Iraque como um assunto encerrado.
Entretanto, no que toca ao Afeganistão, os 26 comprometeram-se a reforçar a «força de pacificação» da NATO presente no país, para garantir a segurança nas eleições agendadas para Setembro e participar na reconstrução, tarefa que se afigura de difícil concretização para quem, ao fim de todo este tempo, não conseguiu levar a «paz» para além de Cabul.


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