Presidenciais na Sérvia sob pressão

Radicais ganham primeira volta

Cinco anos depois do ataque da NATO à Jugoslávia e quando se começa a saber que o «genocídio» no Kosovo não existiu, os radicais sérvios estão em vias de ganhar as presidenciais.

«Nós ajudámos o UCK a criar um Kosovo etnicamente puro»

O candidato do Partido Radical Sérvio (SRS), Tomislav Nikolic, foi o mais votado na primeira volta das eleições presidenciais de domingo.
Nikolic, de 52 anos, obteve 30,1 por cento dos votos, contra os 27,3 por cento alcançados por Boris Tadic, do Partido Democrático (DS), do assassinado primeiro-ministro, Zoran Djindjic. Em terceiro lugar ficou o empresário multimilionário Bogoljub Karic (19,3%), que cativou mais votos do que Dragan Marsicanin (13,3%), o candidato da coligação reformista do primeiro-ministro Vojislav Kostunica.
Esta é a segunda vitória dos radicais sérvios num espaço de seis meses, pois já nas legislativas de Dezembro passado foram os mais votados, o que forçou Kostunica a um entendimento com o Partido Socialista da Sérvia (SPS), de Slobodan Milosevic.
A segunda volta das presidenciais está marcada para o próximo dia 27, sendo de esperar que até lá se intensifiquem as pressões sobre o eleitorado no sentido de evitar uma vitória do SRS, cujo dirigente, Vojislav Seselj, se encontra detido em Haia às ordens do Tribunal Penal Internacional (TPI), acusado de crimes de guerra no Kosovo.
Apesar dos escassos poderes do presidente, alguns diplomatas ocidentais não se eximiram de alertar para as possíveis consequências de uma vitória de Nikolic, afirmando designadamente que poderá afastar investidores estrangeiros.
Em 1999, Nikolic foi vice-presidente do governo da federação jugoslava.
O candidato do SRS é um dos mais de 800 políticos e personalidades da antiga Jugoslávia proibidos de entrar na União Europeia, devido à sua colaboração com o regime de Milosevic, igualmente detido em Haia por alegados crimes de guerra e contra a humanidade.

O genocídio forjado

«Há cinco anos, nos écrans dos nossos televisores sucediam-se imagens de albaneses do Kosovo que fugiam através das fronteiras para procurar refúgio na Macedónia e na Albânia. Relatórios alarmistas diziam que as forças de segurança de Slobodan Milosevic levavam a cabo uma campanha genocida, e que pelo menos 100 mil albaneses do Kosovo tinham sido massacrados e enterrados em valas comuns por toda a província. (...) O genocídio, proclamado pelo Ocidente, jamais existiu: os 100 mil mortos, pretensamente enterrados nas valas comuns, andam à volta de 2000, entre todas as etnias, contando com os que caíram em combate».
As palavras são do major-general canadiano Mackenzie, ex-comandante das forças ocidentais na Bósnia, actualmente na reforma, acerca da actuação da NATO no Kosovo e contra a Jugoslávia.
Mackenzie, hoje comentador de assuntos internacionais para o National Post e para cadeias de televisão americanas, afirma (o original encontra-se em The National Post, 06/Abr/04) coisas tão graves como:
- «Foram os albaneses que começaram, mas nós apresentámo-los como vítimas»;
- «Milosevic limitou-se a reagir»;
- «A NATO entregou o Kosovo à mafia»;
- «Nós ajudámos o UCK a criar um Kosovo etnicamente puro»;
- «Encorajámos os terroristas do mundo inteiro».
Cinco anos depois, a Sérvia continua a pagar a factura. Esta é a quarta vez, desde Setembro de 2002, que o país tenta eleger um presidente. Os três escrutínios anteriores foram anulados porque a participação não ultrapassou os 50 por cento, uma exigência legal para validar as eleições. O Parlamento aboliu esta norma em Fevereiro último. Segundo os dados disponíveis, no domingo a afluência às urnas ficou-se pelos 47,7 por cento.


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