Químicos e metalúrgicos pela contratação colectiva

Elevada adesão à luta

A jornada dos sectores químico, no dia 21, e metalúrgico, dia 22, em defesa dos contratos colectivos de trabalho, registou uma forte adesão.

Milhares de trabalhadores aderiram ao dia de luta

Delfim Mendes, dirigente da Fequimetal/CGTP-IN, revelou ao Avante! como a «significativa adesão» à jornada se revestiu de várias formas adoptadas em cada local de trabalho. Realizaram-se paralisações, plenários e concentrações à porta das empresas, com maior incidência nas que dirigem as associações patronais.
O Avante! visitou três unidades, situadas em Sacavém e Vila Franca de Xira, onde se efectuaram paragens totais da produção. Foi assim na Robbialac e na Dyrup de Sacavém, e na metalúrgica VFerro, de Vila Franca de Xira.
Na Robbialac, dezenas de trabalhadores estiveram concentrados à entrada das instalações. João Dias, da CT, explicou que está em causa o contrato Colectivo. Com 70 trabalhadores, a fábrica registou uma adesão de cerca de 50. A produção esteve totalmente parada e não saiu tinta para distribuição. Os trabalhadores alertaram, em plenário, para situações de discriminação já denunciadas à IGT, através de prémios criados para quem fura as greves.
Na Dyrup, em Sacavém, a paralisação efectuou-se entre as 15 e as 17 horas com a realização de um plenário. Manuel Formas, dirigente do Sinquifa, revelou a intenção da empresa de dar apenas 2,5 por cento de aumento salarial, proposta liminarmente recusada pelos trabalhadores. Aqui estão agendadas mais greves de seis horas para os dias 27, 28, 29 e 30 deste mês. Além disso, de 9 até 30 de Abril, os trabalhadores estão em greve às horas extraordinárias. Manuel Formas denunciou ainda a forma como a administração está a «pressionar as pessoas a aceitarem horários desfasados que podem ir até 50 horas semanais». A adesão à luta na Dyrup foi na ordem dos oitenta por cento.
Na VFerro, em Vila Franca, os trabalhadores concentraram-se à hora do almoço, em protesto, à porta das instalações. António Cardoso, da CT, salientou a falta de vontade do patronato para negociar o caderno reivindicativo. Aqui, os trabalhadores estão a reivindicar 4,5 por cento de aumento salarial. Com uma adesão de 80 por cento, pararam no primeiro turno, das 13 às 17.30, e durante todo o segundo turno de oito horas.

A luta não pára

Um dos pontos altos da jornada de metalurgia e metalomecânica ocorreu em Setúbal, logo pela manhã. Mais de mil trabalhadores concentraram-se frente ao Governo Civil e à Alstom, empresa que participa na direcção da associação patronal.
Em Lisboa, à tarde, representantes dos trabalhadores concentraram-se na Praça do Areeiro para, em defesa do Contrato Colectivo, exigirem também uma política de defesa do aparelho produtivo nacional, viabilizando empresas e promovendo o emprego com salários justos e com direito aos prometidos 25 dias de férias. Realizaram-se também concentrações em Braga, frente à Faprosinal e em Leiria na Fornocerâmica.
O Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e Metalomecânicas do Sul destaca a forte adesão registada nas Metalsines, Lisnave, Gestnave, na CPB, Lever, Continental, Mabor, CNB/Camac, Euroresinas, Linde Sogás, Sopac, Ferro, Polipoli, Flexipol, Reeves Revestimentos, Fabopol e muitas outras que aderiram à luta de dia 22. Na Lisnave, os trabalhadores receiam que a cedência do capital social da empresa pelo consórcio alemão que venceu o concurso para a construção de dois submarinos poderá acarretar um fim idêntico ao anunciado para a Bombardier.
A Fisipe no Barreiro parou oito horas a cem por cento. Certo, para já, é que os trabalhadores «vão continuar a luta até que o patronato abandone a proposta de destruição da Contratação Colectiva», garantiu Delfim Mendes.


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