Os «beduínos» da Delphi
Duzentos trabalhadores já receberam as cartas de rescisão. O SIESI/CGTP-IN alerta os mil trabalhadores do Grupo em Portugal, para a iminência do despedimento.
Recebem apoios do Estado e abandonam impunemente o País
A primeira deslocalização efectuada por esta multinacional norte-americana, consagrada como o maior construtor mundial de componentes automóveis, deu-se na unidade de Carnaxide, em Novembro de 2002, quando foram despedidos 500 trabalhadores, em apenas uma semana. Segundo o Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas e a Comissão Intersindical da empresa, na altura, a administração argumentou a falta de encomendas para convencer os trabalhadores a aceitar as rescisões. Agora, pretendem deslocalizar a unidade do Linhó para o estrangeiro.
A multinacional justifica a atitude com o fim da produção de cablagens eléctricas para a Mercedes, a partir de Maio. Num comunicado aos trabalhadores, o sindicato informou, a 22 de Março, ter solicitado uma reunião com a administração com vista a procurar alternativas de mercado que garantam a continuidade daquela unidade. Foram também solicitados encontros com os ministros do Trabalho e da Economia, os grupos parlamentares e com a Comissão Parlamentar de Trabalho, no sentido de reclamar a intervenção do Governo para assegurar os postos de trabalho, reduzindo a precariedade e garantindo a continuidade da empresa. O SIESI alerta ainda para o facto de centenas de trabalhadores temporários terem sido, entretanto recrutados «fora dos parâmetros da lei».
A necessidade de os trabalhadores estarem unidos na recusa das chamadas «rescisões por mútuo acordo» é uma das prioridades para o sindicato, uma vez que, devido a estas, pode ficar comprometido o direito ao subsídio de desemprego. Perante a gravidade da situação, as ORT’s agendaram um conjunto de reuniões com os trabalhadores, de forma a consciencializá-los para a necessidade de salvaguardar os seus direitos.
Segundo as estruturas sindicais, a administração pretende realizar uma «operação de limpeza» de trabalhadores com doenças profissionais. Estes, são prioritariamente seleccionados pelas chefias para rescindir os contratos.
Esta postura mereceu o «repúdio e a reprovação» por parte das ORT’s, por considerarem ser uma estratégia da multinacional para evitar a adopção de medidas de protecção da saúde, e as «pesadas multas» que poderiam ser impostas pela IGT.
O SIESI solicitou à Autoridade de Saúde do Concelho de Sintra e ao Delegado Regional de Saúde de Lisboa, que fiscalizem os ritmos de trabalho impostos e se os portadores de doença profissional continuam a realizar tarefas que lhes tenham provocado lesões.
Precariedade e imobiliário
Do total dos 350 trabalhadores no Linhó, cerca de 85 por cento são do sexo feminino, na maior parte com idades inferiores a 40 anos. Metade têm contratos a prazo, contratadas por empresas de recursos humanos. Pouco qualificadas, auferindo salários ainda mais baixos e ameaçadas de não verem renovados os seus contratos, estão numa situação impeditiva de poderem ter capacidade reivindicativa, só possível de contrariar com a unidade de todos. As ORT’s apelam à unidade dos trabalhadores para que consigam impedir o encerramento e os despedimentos.
Alvo de cobiça dos investidores são os «valiosos» terrenos onde se encontra a unidade do Linhó. Os sindicatos temem que possa acontecer o mesmo que se passou em Carnaxide, onde o fecho da empresa levou a uma especulação imobiliária com a venda dos terrenos.
Pirataria empresarial
Instalada em Portugal desde 1980, a Delphi tem fábricas no Linhó, no Seixal, Ponte de Sôr, Guarda, Castelo Branco e Braga. No conjunto destas seis unidades, emprega cerca de mil trabalhadores. A unidade em Braga foi adquirida em Novembro passado à Grundig por 58 milhões de euros.
Instalada por todo o mundo, conta com um total de 188 mil trabalhadores em 167 unidades. Em 2002, o grupo facturou cerca de 23 mil milhões de euros.
Apenas com o propósito de garantir mais lucros à custa de mão-de-obra mais barata, a multinacional pretende deslocalizar-se agora para a Polónia e a República Checa, na lógica «beduína» autorizada com a total complacência do Governo PSD/PP.
A multinacional justifica a atitude com o fim da produção de cablagens eléctricas para a Mercedes, a partir de Maio. Num comunicado aos trabalhadores, o sindicato informou, a 22 de Março, ter solicitado uma reunião com a administração com vista a procurar alternativas de mercado que garantam a continuidade daquela unidade. Foram também solicitados encontros com os ministros do Trabalho e da Economia, os grupos parlamentares e com a Comissão Parlamentar de Trabalho, no sentido de reclamar a intervenção do Governo para assegurar os postos de trabalho, reduzindo a precariedade e garantindo a continuidade da empresa. O SIESI alerta ainda para o facto de centenas de trabalhadores temporários terem sido, entretanto recrutados «fora dos parâmetros da lei».
A necessidade de os trabalhadores estarem unidos na recusa das chamadas «rescisões por mútuo acordo» é uma das prioridades para o sindicato, uma vez que, devido a estas, pode ficar comprometido o direito ao subsídio de desemprego. Perante a gravidade da situação, as ORT’s agendaram um conjunto de reuniões com os trabalhadores, de forma a consciencializá-los para a necessidade de salvaguardar os seus direitos.
Segundo as estruturas sindicais, a administração pretende realizar uma «operação de limpeza» de trabalhadores com doenças profissionais. Estes, são prioritariamente seleccionados pelas chefias para rescindir os contratos.
Esta postura mereceu o «repúdio e a reprovação» por parte das ORT’s, por considerarem ser uma estratégia da multinacional para evitar a adopção de medidas de protecção da saúde, e as «pesadas multas» que poderiam ser impostas pela IGT.
O SIESI solicitou à Autoridade de Saúde do Concelho de Sintra e ao Delegado Regional de Saúde de Lisboa, que fiscalizem os ritmos de trabalho impostos e se os portadores de doença profissional continuam a realizar tarefas que lhes tenham provocado lesões.
Precariedade e imobiliário
Do total dos 350 trabalhadores no Linhó, cerca de 85 por cento são do sexo feminino, na maior parte com idades inferiores a 40 anos. Metade têm contratos a prazo, contratadas por empresas de recursos humanos. Pouco qualificadas, auferindo salários ainda mais baixos e ameaçadas de não verem renovados os seus contratos, estão numa situação impeditiva de poderem ter capacidade reivindicativa, só possível de contrariar com a unidade de todos. As ORT’s apelam à unidade dos trabalhadores para que consigam impedir o encerramento e os despedimentos.
Alvo de cobiça dos investidores são os «valiosos» terrenos onde se encontra a unidade do Linhó. Os sindicatos temem que possa acontecer o mesmo que se passou em Carnaxide, onde o fecho da empresa levou a uma especulação imobiliária com a venda dos terrenos.
Pirataria empresarial
Instalada em Portugal desde 1980, a Delphi tem fábricas no Linhó, no Seixal, Ponte de Sôr, Guarda, Castelo Branco e Braga. No conjunto destas seis unidades, emprega cerca de mil trabalhadores. A unidade em Braga foi adquirida em Novembro passado à Grundig por 58 milhões de euros.
Instalada por todo o mundo, conta com um total de 188 mil trabalhadores em 167 unidades. Em 2002, o grupo facturou cerca de 23 mil milhões de euros.
Apenas com o propósito de garantir mais lucros à custa de mão-de-obra mais barata, a multinacional pretende deslocalizar-se agora para a Polónia e a República Checa, na lógica «beduína» autorizada com a total complacência do Governo PSD/PP.