Tudo feito!
Em Montemor-o-Novo, os contactos com os militantes estão feitos. Dos mais de 1200 militantes inscritos, apenas faltam contactar sete, que não vivem no concelho.
Até ao fim do Verão, oitenta por cento dos contactos estavam feitos
Em Montemor-o-Novo, o Partido está bem organizado. Num concelho com pouco mais de 18 mil habitantes, o PCP conta com mais de 1100 militantes. Destes, 901 pagaram a sua quota até ao fim de Janeiro de 2004.
Este é, sem dúvida, um dos «segredos» do sucesso que a acção nacional de contactos com os membros do Partido está a ter no concelho. Dos militantes inscritos, apenas faltam contactar sete, conta António Gervásio, responsável concelhio. As fichas em falta são relativas a camaradas que estão emigrados. «Temos que esperar que venham à terra para resolver a sua situação.»
No início da campanha, o Partido contava com 1250 fichas no seu ficheiro. Hoje, tem 1140. Os outros cento e dez, conta António Gervásio, são relativos a falecimentos, perdas de contacto e saídas. «Muito poucos colocaram divergências ideológicas como motivo para a saída», destaca o dirigente comunista. As desistências são sobretudo de militantes de muita idade e pouca saúde, que já não se sentem úteis. «Mas outros fazem exactamente o contrário», realça o membro do Comité Central. «Dizem que querem ficar no Partido até ao fim.»
António Gervásio participou activamente no contacto com os militantes do Partido e destaca a sua importância para se «conhecer melhor o estado de espírito de muitos camaradas». Na sua opinião, existe alguma desmotivação. A destruição da Reforma Agrária e a derrocada da União Soviética e do mundo socialista pesou muito sobre os comunistas alentejanos. Mas, para o responsável concelhio, é a ausência de produção – agrícola ou industrial – a maior barreira ao rejuvenescimento do Partido. «Não temos produção. A terra está de novo entregue aos grandes e a vinha está quase toda mecanizada», recorda Gervásio. Até os mármores estão em crise, com a invasão do Iraque.
A dureza da ofensiva do Governo também é responsável por alguma da falta de confiança existente entre alguns militantes, nomeadamente nas zonas rurais, deprimidas e envelhecidas. «Há gente que só vê saída no plano institucional, mas o que vêem é alternância e não alternativa», afirma António Gervásio. «Temos de lhes mostrar que a luta vai encontrar essa saída.»
Um Partido activo
Chegar-se a esta altura com todos os contactos feitos está longe de ser obra do acaso. Segundo o responsável pela organização concelhia, o ficheiro do Partido em Montemor-o-Novo sempre esteve organizado. De dois em dois meses, faz-se um balanço das transferências, entradas e saídas. Daí que «muitos dos dados que nos eram pedidos nas fichas já nós tínhamos, o que nos facilitou muito o trabalho. Foi só conversar com os militantes», destaca Gervásio. Para além de relativamente actualizado quanto à situação dos militantes, o ficheiro estava dividido pelas organizações locais.
Mas não é só o ficheiro a estar organizado e a funcionar bem. A organização do Partido é exemplar, envolvendo regularmente muitos militantes.
Para além dos organismos de direcção concelhia, locais e de freguesia, em Montemor funcionam ainda regularmente duas células: a da associação dos reformados – com cerca de 300 militantes e com um secretariado de 12 – e a dos trabalhadores da Câmara Municipal. A autarquia emprega 300 trabalhadores, dos quais 65 são comunistas e participam na célula do Partido. O secretariado tem oito membros.
A Comissão de Centro – responsável pela gestão do Centro de Trabalho, pelo património, pela contabilidade, pelo atendimento e pela propaganda – tem 25 camaradas. Destes, 8 fazem parte do secretariado e reúnem regularmente. Há ainda um grupo de cinco militantes, responsável pela venda do Avante! e pela distribuição de propaganda. «Eles vão pelas ruas, entram nos cafés e nas tabernas e distribuem tudo», destaca António Gervásio. Quanto ao Avante!, são vendidos cerca de 100. O que para um concelho com muita gente analfabeta não é de desprezar.
Planeamento e empenho
António Gervásio lembra que quando teve início a acção de contactos, não foi fácil convencer as organizações do Partido a empenhar-se nela. «Uma parte do Partido não a agarrou e viu-a como uma tarefa muito complicada, porque o questionário tinha muitas perguntas», recorda. Mas havia outra razão, que era a necessidade de contactar com os militantes, coisa de que «muita gente foge».
«Nós agarrámos a tarefa, mas foi preciso discuti-la muito», realça o dirigente do PCP. Foi criado um colectivo – constituído fundamentalmente por membros do secretariado da Comissão Concelhia.
Num concelho com uma alta taxa de analfabetismo, a tarefa de preencher as fichas não se afigurava simples. Mas a razoável organização e actualização que o ficheiro concelhio apresentava foi decisiva para levar a cabo os contactos. «Os dados que conhecíamos preenchíamos e deixávamos os dados mais pessoais para o contacto com os camaradas», relata Gervásio.
Depois, aproveitando os diversos plenários e reuniões realizadas nas organizações ao longo do ano passado, as fichas começaram a ser preenchidas. Nestas reuniões, «demos logo um salto de algumas centenas de fichas». Depois, os contactos «casa a casa» fizeram o resto. Sempre acompanhados de um militante da respectiva zona, os membros do secretariado percorreram os bairros, as ruas e as localidades do concelho e contactaram todos os camaradas. «Começámos do simples para o complexo», conta o membro do Comité Central. Foi no período do Verão que a acção mais avançou. Em Setembro, já estavam feitos cerca de 80 por cento dos contactos.
Agora, a organização concelhia de Montemor prepara-se para passar para a segunda fase da acção de contactos, o estudo detalhado das fichas. «Vamos saber onde trabalham e vivem os militantes, quem paga ou não a quota», destaca. «Esta é uma tarefa muito importante para o nosso Partido», conclui António Gervásio.
António Gervásio lembra que quando teve início a acção de contactos, não foi fácil convencer as organizações do Partido a empenhar-se nela. «Uma parte do Partido não a agarrou e viu-a como uma tarefa muito complicada, porque o questionário tinha muitas perguntas», recorda. Mas havia outra razão, que era a necessidade de contactar com os militantes, coisa de que «muita gente foge».
«Nós agarrámos a tarefa, mas foi preciso discuti-la muito», realça o dirigente do PCP. Foi criado um colectivo – constituído fundamentalmente por membros do secretariado da Comissão Concelhia.
Num concelho com uma alta taxa de analfabetismo, a tarefa de preencher as fichas não se afigurava simples. Mas a razoável organização e actualização que o ficheiro concelhio apresentava foi decisiva para levar a cabo os contactos. «Os dados que conhecíamos preenchíamos e deixávamos os dados mais pessoais para o contacto com os camaradas», relata Gervásio.
Depois, aproveitando os diversos plenários e reuniões realizadas nas organizações ao longo do ano passado, as fichas começaram a ser preenchidas. Nestas reuniões, «demos logo um salto de algumas centenas de fichas». Depois, os contactos «casa a casa» fizeram o resto. Sempre acompanhados de um militante da respectiva zona, os membros do secretariado percorreram os bairros, as ruas e as localidades do concelho e contactaram todos os camaradas. «Começámos do simples para o complexo», conta o membro do Comité Central. Foi no período do Verão que a acção mais avançou. Em Setembro, já estavam feitos cerca de 80 por cento dos contactos.
Agora, a organização concelhia de Montemor prepara-se para passar para a segunda fase da acção de contactos, o estudo detalhado das fichas. «Vamos saber onde trabalham e vivem os militantes, quem paga ou não a quota», destaca. «Esta é uma tarefa muito importante para o nosso Partido», conclui António Gervásio.
Este é, sem dúvida, um dos «segredos» do sucesso que a acção nacional de contactos com os membros do Partido está a ter no concelho. Dos militantes inscritos, apenas faltam contactar sete, conta António Gervásio, responsável concelhio. As fichas em falta são relativas a camaradas que estão emigrados. «Temos que esperar que venham à terra para resolver a sua situação.»
No início da campanha, o Partido contava com 1250 fichas no seu ficheiro. Hoje, tem 1140. Os outros cento e dez, conta António Gervásio, são relativos a falecimentos, perdas de contacto e saídas. «Muito poucos colocaram divergências ideológicas como motivo para a saída», destaca o dirigente comunista. As desistências são sobretudo de militantes de muita idade e pouca saúde, que já não se sentem úteis. «Mas outros fazem exactamente o contrário», realça o membro do Comité Central. «Dizem que querem ficar no Partido até ao fim.»
António Gervásio participou activamente no contacto com os militantes do Partido e destaca a sua importância para se «conhecer melhor o estado de espírito de muitos camaradas». Na sua opinião, existe alguma desmotivação. A destruição da Reforma Agrária e a derrocada da União Soviética e do mundo socialista pesou muito sobre os comunistas alentejanos. Mas, para o responsável concelhio, é a ausência de produção – agrícola ou industrial – a maior barreira ao rejuvenescimento do Partido. «Não temos produção. A terra está de novo entregue aos grandes e a vinha está quase toda mecanizada», recorda Gervásio. Até os mármores estão em crise, com a invasão do Iraque.
A dureza da ofensiva do Governo também é responsável por alguma da falta de confiança existente entre alguns militantes, nomeadamente nas zonas rurais, deprimidas e envelhecidas. «Há gente que só vê saída no plano institucional, mas o que vêem é alternância e não alternativa», afirma António Gervásio. «Temos de lhes mostrar que a luta vai encontrar essa saída.»
Um Partido activo
Chegar-se a esta altura com todos os contactos feitos está longe de ser obra do acaso. Segundo o responsável pela organização concelhia, o ficheiro do Partido em Montemor-o-Novo sempre esteve organizado. De dois em dois meses, faz-se um balanço das transferências, entradas e saídas. Daí que «muitos dos dados que nos eram pedidos nas fichas já nós tínhamos, o que nos facilitou muito o trabalho. Foi só conversar com os militantes», destaca Gervásio. Para além de relativamente actualizado quanto à situação dos militantes, o ficheiro estava dividido pelas organizações locais.
Mas não é só o ficheiro a estar organizado e a funcionar bem. A organização do Partido é exemplar, envolvendo regularmente muitos militantes.
Para além dos organismos de direcção concelhia, locais e de freguesia, em Montemor funcionam ainda regularmente duas células: a da associação dos reformados – com cerca de 300 militantes e com um secretariado de 12 – e a dos trabalhadores da Câmara Municipal. A autarquia emprega 300 trabalhadores, dos quais 65 são comunistas e participam na célula do Partido. O secretariado tem oito membros.
A Comissão de Centro – responsável pela gestão do Centro de Trabalho, pelo património, pela contabilidade, pelo atendimento e pela propaganda – tem 25 camaradas. Destes, 8 fazem parte do secretariado e reúnem regularmente. Há ainda um grupo de cinco militantes, responsável pela venda do Avante! e pela distribuição de propaganda. «Eles vão pelas ruas, entram nos cafés e nas tabernas e distribuem tudo», destaca António Gervásio. Quanto ao Avante!, são vendidos cerca de 100. O que para um concelho com muita gente analfabeta não é de desprezar.
Planeamento e empenho
António Gervásio lembra que quando teve início a acção de contactos, não foi fácil convencer as organizações do Partido a empenhar-se nela. «Uma parte do Partido não a agarrou e viu-a como uma tarefa muito complicada, porque o questionário tinha muitas perguntas», recorda. Mas havia outra razão, que era a necessidade de contactar com os militantes, coisa de que «muita gente foge».
«Nós agarrámos a tarefa, mas foi preciso discuti-la muito», realça o dirigente do PCP. Foi criado um colectivo – constituído fundamentalmente por membros do secretariado da Comissão Concelhia.
Num concelho com uma alta taxa de analfabetismo, a tarefa de preencher as fichas não se afigurava simples. Mas a razoável organização e actualização que o ficheiro concelhio apresentava foi decisiva para levar a cabo os contactos. «Os dados que conhecíamos preenchíamos e deixávamos os dados mais pessoais para o contacto com os camaradas», relata Gervásio.
Depois, aproveitando os diversos plenários e reuniões realizadas nas organizações ao longo do ano passado, as fichas começaram a ser preenchidas. Nestas reuniões, «demos logo um salto de algumas centenas de fichas». Depois, os contactos «casa a casa» fizeram o resto. Sempre acompanhados de um militante da respectiva zona, os membros do secretariado percorreram os bairros, as ruas e as localidades do concelho e contactaram todos os camaradas. «Começámos do simples para o complexo», conta o membro do Comité Central. Foi no período do Verão que a acção mais avançou. Em Setembro, já estavam feitos cerca de 80 por cento dos contactos.
Agora, a organização concelhia de Montemor prepara-se para passar para a segunda fase da acção de contactos, o estudo detalhado das fichas. «Vamos saber onde trabalham e vivem os militantes, quem paga ou não a quota», destaca. «Esta é uma tarefa muito importante para o nosso Partido», conclui António Gervásio.
António Gervásio lembra que quando teve início a acção de contactos, não foi fácil convencer as organizações do Partido a empenhar-se nela. «Uma parte do Partido não a agarrou e viu-a como uma tarefa muito complicada, porque o questionário tinha muitas perguntas», recorda. Mas havia outra razão, que era a necessidade de contactar com os militantes, coisa de que «muita gente foge».
«Nós agarrámos a tarefa, mas foi preciso discuti-la muito», realça o dirigente do PCP. Foi criado um colectivo – constituído fundamentalmente por membros do secretariado da Comissão Concelhia.
Num concelho com uma alta taxa de analfabetismo, a tarefa de preencher as fichas não se afigurava simples. Mas a razoável organização e actualização que o ficheiro concelhio apresentava foi decisiva para levar a cabo os contactos. «Os dados que conhecíamos preenchíamos e deixávamos os dados mais pessoais para o contacto com os camaradas», relata Gervásio.
Depois, aproveitando os diversos plenários e reuniões realizadas nas organizações ao longo do ano passado, as fichas começaram a ser preenchidas. Nestas reuniões, «demos logo um salto de algumas centenas de fichas». Depois, os contactos «casa a casa» fizeram o resto. Sempre acompanhados de um militante da respectiva zona, os membros do secretariado percorreram os bairros, as ruas e as localidades do concelho e contactaram todos os camaradas. «Começámos do simples para o complexo», conta o membro do Comité Central. Foi no período do Verão que a acção mais avançou. Em Setembro, já estavam feitos cerca de 80 por cento dos contactos.
Agora, a organização concelhia de Montemor prepara-se para passar para a segunda fase da acção de contactos, o estudo detalhado das fichas. «Vamos saber onde trabalham e vivem os militantes, quem paga ou não a quota», destaca. «Esta é uma tarefa muito importante para o nosso Partido», conclui António Gervásio.