Pelo povo fala o povo
A Coordenadora Democrática (CD) do Haiti defende que cabe ao «movimento popular» a palavra final nos destinos do país e não aos grupos em confronto.
O país não possuí parlamento, cujo mandato terminou há um ano
A insurreição armada em curso no Haiti começou a dar sinais mais claros da matriz política que lhe está subjacente. Depois da ocupação da quarta maior cidade do país, Gonaives, por parte da Frente de Resistência Revolucionária de Arbonite (FRRA) e dos apelos do seu líder, Winter Etienne, à sublevação popular na capital, Port-au-Prince, e noutras cidades do país, dois ex-chefes paramilitares da ditadura juntaram-se no sábado à revolta, imprimindo-lhe um cariz reaccionário e antipopular.
Colocando um ponto final ao exílio na vizinha República Dominicana, Louis-Jodel Chamblain e Guy Philippe juntaram-se à FRRA e trouxeram consigo homens e meios para marcharem sobre a capital até ao final deste mês, como fizeram questão de sublinhar, caso Jean Bertrand Aristide continue a ocupar a cadeira presidencial.
De acordo com uma proposta da Comunidade de Países do Caribe, Aristide admitiu, quinta-feira, abandonar a presidência do Haiti no final do mandato, em 2006, mas nem o contingente policial de cinco mil homens de que dispõe, ao qual se juntaram entretanto algumas milícias do partido Lavalas barricadas nos acessos à capital, devem ser suficientes para travar a investida militar da FRRA, uma vez que para além do corpo policial, o país não dispõe de um exército regular, dissolvido em 1995.
Nem Aristide, nem Etienne
À margem dos combates entre governo e revoltosos, a Coordenadora Democrática (CD) continua a dinamizar actividades de protesto pela renúncia do presidente e a exigir a constituição de um governo que corresponda aos interesses e aspirações de uma imensa maioria popular atolada no caos e na miséria.
A CD contesta a legitimidade do último sufrágio que elegeu Aristide e acusa o Lavalas de fraude eleitoral, aproveitando para recordar que o país não possuí parlamento, cujo mandato terminou há cerca de um ano, e que Aristide tem governado, desde então, por decreto.
Depois das grandes manifestações estudantis e da greve geral, que decorreram nos últimos meses, a oposição movida pela CD ganhou novo alento e parece disposta a criar uma verdadeira alternativa ao poder instituído e ao poder insurrecto. A julgar pelas declarações de um dos responsáveis da Coordenadora, Micha Gaillard, cabe ao «movimento popular» a palavra final nos destinos daquela ilha caribenha, e não a nenhum dos beligerantes entrincheirados.
EUA exortam Aristide a pôr fim à crise
Altos responsáveis dos Estados Unidos, do Canadá e de países das Caraíbas, reunidos em Washington, no fim-de-semana, exortaram o presidente do Haiti, Jean Bertrand Aristide, a pôr fim à crise que assola o país.
«O que nós esperamos do presidente Aristide, agora, são actos e não apenas palavras de apoio» aos esforços desenvolvidos pela comunidade dos países da região caribenha (Caricom) para devolver a calma ao país, declarou Powell.
Falando no final de um encontro com vários ministros dos Negócios Estrangeiros, o secretário de Estado norte-americano declarou ainda que não é aceitável qualquer saída para a crise «que se traduza por uma partida ilegal do presidente eleito do Haiti».
Powell garantiu, por outro lado, que não está na ordem do dia qualquer projecto de intervenção militar no Haiti, mas não descartou a hipótese, caso as partes em conflito cheguem a um compromisso político e façam um pedido nesse sentido, de um «número modesto» de polícias estrangeiros ser enviado para o Haiti a título de «assistência».
No comunicado conjunto divulgado no final da reunião, em que participaram também o ministro dos Negócios Estrangeiros do Canadá, Bill Graham, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Cesar Gavirira, e os ministros dos Negócios Estrangeiros de vários países das Caraíbas, exige-se uma solução «pacífica, negociada, democrática e constitucional» para a crise haitiana.
Em nome da Caricom, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Jamaica, Keith Desmond Knight, declarou-se contra «um golpe de Estado qualquer que ele seja», mas fez questão de sublinhar que isso não deve ser interpretado como «um apoio sem críticas ao presidente haitiano».
Os confrontos no Haiti provocaram já a morte de pelo menos meia centena de pessoas, segundo as agências internacionais, não sendo possível avançar com o número de feridos e exilados decorrentes do conflito.
Colocando um ponto final ao exílio na vizinha República Dominicana, Louis-Jodel Chamblain e Guy Philippe juntaram-se à FRRA e trouxeram consigo homens e meios para marcharem sobre a capital até ao final deste mês, como fizeram questão de sublinhar, caso Jean Bertrand Aristide continue a ocupar a cadeira presidencial.
De acordo com uma proposta da Comunidade de Países do Caribe, Aristide admitiu, quinta-feira, abandonar a presidência do Haiti no final do mandato, em 2006, mas nem o contingente policial de cinco mil homens de que dispõe, ao qual se juntaram entretanto algumas milícias do partido Lavalas barricadas nos acessos à capital, devem ser suficientes para travar a investida militar da FRRA, uma vez que para além do corpo policial, o país não dispõe de um exército regular, dissolvido em 1995.
Nem Aristide, nem Etienne
À margem dos combates entre governo e revoltosos, a Coordenadora Democrática (CD) continua a dinamizar actividades de protesto pela renúncia do presidente e a exigir a constituição de um governo que corresponda aos interesses e aspirações de uma imensa maioria popular atolada no caos e na miséria.
A CD contesta a legitimidade do último sufrágio que elegeu Aristide e acusa o Lavalas de fraude eleitoral, aproveitando para recordar que o país não possuí parlamento, cujo mandato terminou há cerca de um ano, e que Aristide tem governado, desde então, por decreto.
Depois das grandes manifestações estudantis e da greve geral, que decorreram nos últimos meses, a oposição movida pela CD ganhou novo alento e parece disposta a criar uma verdadeira alternativa ao poder instituído e ao poder insurrecto. A julgar pelas declarações de um dos responsáveis da Coordenadora, Micha Gaillard, cabe ao «movimento popular» a palavra final nos destinos daquela ilha caribenha, e não a nenhum dos beligerantes entrincheirados.
EUA exortam Aristide a pôr fim à crise
Altos responsáveis dos Estados Unidos, do Canadá e de países das Caraíbas, reunidos em Washington, no fim-de-semana, exortaram o presidente do Haiti, Jean Bertrand Aristide, a pôr fim à crise que assola o país.
«O que nós esperamos do presidente Aristide, agora, são actos e não apenas palavras de apoio» aos esforços desenvolvidos pela comunidade dos países da região caribenha (Caricom) para devolver a calma ao país, declarou Powell.
Falando no final de um encontro com vários ministros dos Negócios Estrangeiros, o secretário de Estado norte-americano declarou ainda que não é aceitável qualquer saída para a crise «que se traduza por uma partida ilegal do presidente eleito do Haiti».
Powell garantiu, por outro lado, que não está na ordem do dia qualquer projecto de intervenção militar no Haiti, mas não descartou a hipótese, caso as partes em conflito cheguem a um compromisso político e façam um pedido nesse sentido, de um «número modesto» de polícias estrangeiros ser enviado para o Haiti a título de «assistência».
No comunicado conjunto divulgado no final da reunião, em que participaram também o ministro dos Negócios Estrangeiros do Canadá, Bill Graham, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Cesar Gavirira, e os ministros dos Negócios Estrangeiros de vários países das Caraíbas, exige-se uma solução «pacífica, negociada, democrática e constitucional» para a crise haitiana.
Em nome da Caricom, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Jamaica, Keith Desmond Knight, declarou-se contra «um golpe de Estado qualquer que ele seja», mas fez questão de sublinhar que isso não deve ser interpretado como «um apoio sem críticas ao presidente haitiano».
Os confrontos no Haiti provocaram já a morte de pelo menos meia centena de pessoas, segundo as agências internacionais, não sendo possível avançar com o número de feridos e exilados decorrentes do conflito.