O casino Estoril vai parar
Os trabalhadores resolveram devolver a «generosidade» do magro aumento salarial à administração, na sexta-feira passada, para exigir a negociação do Acordo de Empresa.
Em 18 minutos o casino gera o equivalente ao pretenso aumento
Se a devolução do salário foi motivada pela sua insuficiência face ao custo de vida, o motivo para avançar para uma greve por tempo indeterminado a partir de dia 25 é ainda mais grave.
«Fundamentalmente, o que está aqui em causa é a negociação do AE», revelou ao Avante! o membro da Comissão Sindical, Clemente Alves. Os trabalhadores há anos que exigem da administração que negoceie um AE que reúna num só instrumento a regulamentação que se encontra dispersa por Contratos Colectivos e acordos parcelares.
Para a Comissão Sindical, a administração aguarda que se produzam os efeitos da aplicação do Código do Trabalho, a partir de Dezembro deste ano, data em que cessa o CCT ainda em vigor, onde estão contemplados direitos «que levaram muitos anos a conquistar», salientou aquele dirigente.
A FESAHT, federação sindical do ramo de alimentação, bebidas, hotelaria e turismo, entregou em Outubro a sua proposta de AE, sem que tenha obtido resposta positiva.
Entretanto, a administração afixou para os trabalhadores lerem, no passado dia 28, uma carta que enviou à federação, onde afirmava que os funcionários estão abrangidos pelo CCT dos Restaurantes e Similares, e ao qual a Estoril-Sol aderiu. A administração quer que seja válido para o casino, situação que a Comissão Sindical considera «anómala», uma vez que aquele contrato não atende à especificidade dos serviços e funções dos trabalhadores do casino. Além disso – como se refere um comunicado – esse CCT caduca em Dezembro deste ano.
Muitos direitos e regalias estão ameaçados: direito à alimentação, pagamento de trabalho nocturno, de feriados, o tempo diário e semanal de trabalho (que pode passar a 12 horas por dia ou sessenta por semana), a retribuição das horas extraordinárias, o prémio de línguas, o abono por falhas, as categorias profissionais e a revisão anual de salários são apenas alguns exemplos. Caso até Dezembro não estejam contemplados num próximo CCT, poderão desaparecer de vez.
Tostões e milhões
Já no ano passado, a administração deu início a uma sangria de postos de trabalho ao diminuir o quadro de pessoal em 172 pessoas, cerca de 20 por cento do total. A diminuição levou a um acréscimo de trabalho para quem ficou, sem que isso se tenha repercutido no salário.
De um universo de 812 trabalhadores, 483 – cerca de 66 por cento -corresponderam à iniciativa e devolveram o aumento. Ao todo, os trabalhadores devolveram 7262 euros que, a dividir por cada um, equivalia a um aumento de 13 euros. Por esse motivo, na caixa onde se encontrava o dinheiro para devolver, podia ler-se, «digam lá se 13 euros de aumento por mês não é azar!...».
Nos 812 funcionários, estão incluídos 81 quadros superiores e directores que se excluíram da acção, muitos por não terem tido qualquer actualização este ano.
Dezoito minutos é quanto basta ao casino Estoril para fazer o total do dinheiro proposto pela administração para o aumento salarial deste ano.
O aumento, ironicamente considerado «generoso» pela Comissão Sindical, levou os trabalhadores a avançarem com a original forma de protesto, ao devolverem «os tostões» à administração de Stanley Ho, o magnata macaense do mundo dos casinos, perfeitamente instalado em terras lusas, e do Grupo Amorim.
Clemente Alves revelou que a casa de sorte – ou azar – gera, diariamente, cerca de 60 mil contos na moeda antiga, ou seja, 21 milhões e novecentos mil contos é quanto rende aproximadamente o Casino Estoril anualmente. Mas nem este volume de negócios convence Stanley Ho e Américo Amorim a, pelo menos compensar a inflação deste ano e a do ano passado, quando o aumento de três por cento também não cobriu a inflação de 3,6.
Para os trabalhadores, este aumento, face aos lucros acumulados, foi considerado um acto de provocação, já que também não cobre sequer a inflação de 3,3 por cento registada este ano. Os dois por cento da média salarial equivalem a 13 euros por trabalhador, montante que lhes foi atribuído por decisão administrativa unilateral.
Após várias reuniões da Comissão Sindical com os trabalhadores, ficou decidido que iriam juntar os aumentos de todos e devolvê-los, uma vez que, como nos disse Clemente Alves, não faz sentido que num sector com avultados lucros, se esteja a apertar o cinto aos trabalhadores e a retirar-lhes direitos adquiridos.
Já no ano passado, a administração deu início a uma sangria de postos de trabalho ao diminuir o quadro de pessoal em 172 pessoas, cerca de 20 por cento do total. A diminuição levou a um acréscimo de trabalho para quem ficou, sem que isso se tenha repercutido no salário.
FESAHT adere ao 11 de Março
No passado dia 5, o Secretariado Executivo da Direcção Nacional da Federação dos Sindicatos de Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal esteve reunido para discutir a situação na negociação da contratação colectiva.
Para já, o executivo considera que as respostas patronais às propostas da federação e dos sindicatos são inaceitáveis no que respeita a salários e à melhoria das condições de vida e de trabalho dos trabalhadores do sector.
A federação alerta para a intenção do patronato de liquidar direitos conquistados e de tentar impor as matérias mais gravosas do Código do Trabalho.
Os baixos salários, a precariedade juntamente com o trabalho ilegal e clandestino, a existência de discriminações entre homens e mulheres, as más condições de saúde, higiene e segurança, a sobrecarga horária de trabalho e a falta de investimento na formação e qualificação de quadros são as grandes preocupações da federação sindical deste sector.
O executivo anuncia ainda que vai participar activamente na jornada de luta convocada pelo 10.º Congresso da CGTP-IN para 11 de Março, indo, para esse efeito, emitir um pré-aviso de greve.
Mais adesões
Se, até 11 de Março, o Ministério das Finanças continuar a impedir a publicação e aplicação da tabela salarial, os trabalhadores das escolas de hotelaria e turismo, afectos à FESAHT, vão aderir ao protesto nacional convocado pela CGTP.
As estruturas sindicais dos trabalhadores das escolas de hotelaria e turismo filiadas na federação exigem ver resultados das negociações encetadas com do Instituto Nacional de Formação Turística há mais de dois anos. As partes acordaram a regulamentação de questões sociais, carreiras profissionais e uma tabela salarial mas esta nunca foi aplicada.
O Instituto tinha-se comprometido com a FESAHT a publicar os resultados das negociações como AE ou como Regulamento Colectivo de Trabalho mas a não publicação do texto está a prejudicar seriamente os trabalhadores.
«Fundamentalmente, o que está aqui em causa é a negociação do AE», revelou ao Avante! o membro da Comissão Sindical, Clemente Alves. Os trabalhadores há anos que exigem da administração que negoceie um AE que reúna num só instrumento a regulamentação que se encontra dispersa por Contratos Colectivos e acordos parcelares.
Para a Comissão Sindical, a administração aguarda que se produzam os efeitos da aplicação do Código do Trabalho, a partir de Dezembro deste ano, data em que cessa o CCT ainda em vigor, onde estão contemplados direitos «que levaram muitos anos a conquistar», salientou aquele dirigente.
A FESAHT, federação sindical do ramo de alimentação, bebidas, hotelaria e turismo, entregou em Outubro a sua proposta de AE, sem que tenha obtido resposta positiva.
Entretanto, a administração afixou para os trabalhadores lerem, no passado dia 28, uma carta que enviou à federação, onde afirmava que os funcionários estão abrangidos pelo CCT dos Restaurantes e Similares, e ao qual a Estoril-Sol aderiu. A administração quer que seja válido para o casino, situação que a Comissão Sindical considera «anómala», uma vez que aquele contrato não atende à especificidade dos serviços e funções dos trabalhadores do casino. Além disso – como se refere um comunicado – esse CCT caduca em Dezembro deste ano.
Muitos direitos e regalias estão ameaçados: direito à alimentação, pagamento de trabalho nocturno, de feriados, o tempo diário e semanal de trabalho (que pode passar a 12 horas por dia ou sessenta por semana), a retribuição das horas extraordinárias, o prémio de línguas, o abono por falhas, as categorias profissionais e a revisão anual de salários são apenas alguns exemplos. Caso até Dezembro não estejam contemplados num próximo CCT, poderão desaparecer de vez.
Tostões e milhões
Já no ano passado, a administração deu início a uma sangria de postos de trabalho ao diminuir o quadro de pessoal em 172 pessoas, cerca de 20 por cento do total. A diminuição levou a um acréscimo de trabalho para quem ficou, sem que isso se tenha repercutido no salário.
De um universo de 812 trabalhadores, 483 – cerca de 66 por cento -corresponderam à iniciativa e devolveram o aumento. Ao todo, os trabalhadores devolveram 7262 euros que, a dividir por cada um, equivalia a um aumento de 13 euros. Por esse motivo, na caixa onde se encontrava o dinheiro para devolver, podia ler-se, «digam lá se 13 euros de aumento por mês não é azar!...».
Nos 812 funcionários, estão incluídos 81 quadros superiores e directores que se excluíram da acção, muitos por não terem tido qualquer actualização este ano.
Dezoito minutos é quanto basta ao casino Estoril para fazer o total do dinheiro proposto pela administração para o aumento salarial deste ano.
O aumento, ironicamente considerado «generoso» pela Comissão Sindical, levou os trabalhadores a avançarem com a original forma de protesto, ao devolverem «os tostões» à administração de Stanley Ho, o magnata macaense do mundo dos casinos, perfeitamente instalado em terras lusas, e do Grupo Amorim.
Clemente Alves revelou que a casa de sorte – ou azar – gera, diariamente, cerca de 60 mil contos na moeda antiga, ou seja, 21 milhões e novecentos mil contos é quanto rende aproximadamente o Casino Estoril anualmente. Mas nem este volume de negócios convence Stanley Ho e Américo Amorim a, pelo menos compensar a inflação deste ano e a do ano passado, quando o aumento de três por cento também não cobriu a inflação de 3,6.
Para os trabalhadores, este aumento, face aos lucros acumulados, foi considerado um acto de provocação, já que também não cobre sequer a inflação de 3,3 por cento registada este ano. Os dois por cento da média salarial equivalem a 13 euros por trabalhador, montante que lhes foi atribuído por decisão administrativa unilateral.
Após várias reuniões da Comissão Sindical com os trabalhadores, ficou decidido que iriam juntar os aumentos de todos e devolvê-los, uma vez que, como nos disse Clemente Alves, não faz sentido que num sector com avultados lucros, se esteja a apertar o cinto aos trabalhadores e a retirar-lhes direitos adquiridos.
Já no ano passado, a administração deu início a uma sangria de postos de trabalho ao diminuir o quadro de pessoal em 172 pessoas, cerca de 20 por cento do total. A diminuição levou a um acréscimo de trabalho para quem ficou, sem que isso se tenha repercutido no salário.
FESAHT adere ao 11 de Março
No passado dia 5, o Secretariado Executivo da Direcção Nacional da Federação dos Sindicatos de Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal esteve reunido para discutir a situação na negociação da contratação colectiva.
Para já, o executivo considera que as respostas patronais às propostas da federação e dos sindicatos são inaceitáveis no que respeita a salários e à melhoria das condições de vida e de trabalho dos trabalhadores do sector.
A federação alerta para a intenção do patronato de liquidar direitos conquistados e de tentar impor as matérias mais gravosas do Código do Trabalho.
Os baixos salários, a precariedade juntamente com o trabalho ilegal e clandestino, a existência de discriminações entre homens e mulheres, as más condições de saúde, higiene e segurança, a sobrecarga horária de trabalho e a falta de investimento na formação e qualificação de quadros são as grandes preocupações da federação sindical deste sector.
O executivo anuncia ainda que vai participar activamente na jornada de luta convocada pelo 10.º Congresso da CGTP-IN para 11 de Março, indo, para esse efeito, emitir um pré-aviso de greve.
Mais adesões
Se, até 11 de Março, o Ministério das Finanças continuar a impedir a publicação e aplicação da tabela salarial, os trabalhadores das escolas de hotelaria e turismo, afectos à FESAHT, vão aderir ao protesto nacional convocado pela CGTP.
As estruturas sindicais dos trabalhadores das escolas de hotelaria e turismo filiadas na federação exigem ver resultados das negociações encetadas com do Instituto Nacional de Formação Turística há mais de dois anos. As partes acordaram a regulamentação de questões sociais, carreiras profissionais e uma tabela salarial mas esta nunca foi aplicada.
O Instituto tinha-se comprometido com a FESAHT a publicar os resultados das negociações como AE ou como Regulamento Colectivo de Trabalho mas a não publicação do texto está a prejudicar seriamente os trabalhadores.