Ataque ao serviço público
Privatizar os serviços públicos, governamentalizar a administração e destruir o vínculo de emprego. Tais são, de uma penada, os objectivos do Governo no que designou por «reforma da administração pública».
Não se faz uma reforma da administração pública hostilizando quem nela trabalha
A primeira fase deste pacote legislativo destinado a cumprir as orientações governativas subiu a plenário na semana transacta e foi aprovada com os votos da maioria e a abstenção do PS. Em debate, três projectos relativos à organização da Administração Directa do Estado, ao estatuto do pessoal dirigente e à criação da Lei-Quadro dos Institutos.
Todas as propostas desencadearam enérgicas reacções de crítica por parte da bancada comunista que, pela voz do deputado António Filipe, sem meias palavras, acusou o Executivo de estar a escancarar as portas para entregar os serviços públicos a interesses económicos privados.
A essa luz, no entender do PCP, deve ser entendida a via legislativa agora utilizada, da qual não resultarão seguramente quaisquer acréscimos de qualidade na prestação dos serviços prestados aos cidadãos.
Más experiências
Falou a secretária da Estado da Administração Pública, ao anunciar os propósitos do Governo, aquando da apresentação dos diplomas, em reduzir a burocracia e em simplificar serviços públicos, o que passa por flexibilizar algumas regras.
Mas a verdade é que as experiências de entrega de serviços públicos ao sector privado, nos países em que tal ocorreu, não deixam margem para dúvidas no que respeita à conclusão de que «são experiências muito boas para os lucros das empresas e são experiências péssimas para os cidadãos e para o interesse público».
Foi o que lembrou António Filipe, acrescentando, em reforço da posição da sua bancada, o facto de os utentes só terem perdido com essas concessões e privatizações, uma vez que, disse, «passaram a pagar o que antes não pagavam, confrontaram-se com a degradação dos serviços prestados e com a redução da suas garantias enquanto utentes». Também os Estados, pelos testemunhos que se conhecem, passaram em alguns casos a transferir para as empresas prestadoras verbas superiores às que gastariam se assegurassem directamente o funcionamento dos serviços.
Alimentar o clientelismo
A merecer duras críticas da bancada do PCP esteve também, noutro plano, a intenção do Governo de generalizar a regra do contrato individual de trabalho na administração pública.
Sem deixar de reconhecer a existência de problemas ao nível dos recursos humanos, António Filipe fez notar que o problema do funcionalismo público no nosso País não é o estatuto da função pública.
«O problema é que o funcionalismo público em Portugal é envelhecido, pouco qualificado e, em largos segmentos, mal pago», sublinhou, acrescentando que o regime agora proposto não visa resolver problemas dos serviços mas sim «restringir os direitos dos trabalhadores e consagrar mecanismos discricionários de admissão e progressão nas carreiras que podem dar lugar a todo do tipo de clientelismo».
«Pensar que se pode fazer uma reforma da administração pública agredindo e hostilizando quem nela trabalha tem sido uma das maiores causas do falhanço das reformas administrativas. Também aqui o Governo parece não ter aprendido com as lições do passado», concluiu o deputado comunista.
Em alternativa ao texto do Governo, o PCP apresentou um projecto de Lei-Quadro dos Institutos Públicos no qual define os aspectos fundamentais que, do seu ponto de vista, devem presidir à criação de institutos públicos e à organização da administração indirecta do Estado.
Defendendo a criação dos institutos apenas «por razões fundadas na especificidade técnica das funções a desenvolver», os comunistas entendem que o regime a aplicar-lhes deve ser um regime de direito público, quer quanto ao funcionamento quer quanto ao regime de pessoal.
O projecto de lei do PCP baixou à Comissão, sem votação, para permitir a sua discussão pública.
Todas as propostas desencadearam enérgicas reacções de crítica por parte da bancada comunista que, pela voz do deputado António Filipe, sem meias palavras, acusou o Executivo de estar a escancarar as portas para entregar os serviços públicos a interesses económicos privados.
A essa luz, no entender do PCP, deve ser entendida a via legislativa agora utilizada, da qual não resultarão seguramente quaisquer acréscimos de qualidade na prestação dos serviços prestados aos cidadãos.
Más experiências
Falou a secretária da Estado da Administração Pública, ao anunciar os propósitos do Governo, aquando da apresentação dos diplomas, em reduzir a burocracia e em simplificar serviços públicos, o que passa por flexibilizar algumas regras.
Mas a verdade é que as experiências de entrega de serviços públicos ao sector privado, nos países em que tal ocorreu, não deixam margem para dúvidas no que respeita à conclusão de que «são experiências muito boas para os lucros das empresas e são experiências péssimas para os cidadãos e para o interesse público».
Foi o que lembrou António Filipe, acrescentando, em reforço da posição da sua bancada, o facto de os utentes só terem perdido com essas concessões e privatizações, uma vez que, disse, «passaram a pagar o que antes não pagavam, confrontaram-se com a degradação dos serviços prestados e com a redução da suas garantias enquanto utentes». Também os Estados, pelos testemunhos que se conhecem, passaram em alguns casos a transferir para as empresas prestadoras verbas superiores às que gastariam se assegurassem directamente o funcionamento dos serviços.
Alimentar o clientelismo
A merecer duras críticas da bancada do PCP esteve também, noutro plano, a intenção do Governo de generalizar a regra do contrato individual de trabalho na administração pública.
Sem deixar de reconhecer a existência de problemas ao nível dos recursos humanos, António Filipe fez notar que o problema do funcionalismo público no nosso País não é o estatuto da função pública.
«O problema é que o funcionalismo público em Portugal é envelhecido, pouco qualificado e, em largos segmentos, mal pago», sublinhou, acrescentando que o regime agora proposto não visa resolver problemas dos serviços mas sim «restringir os direitos dos trabalhadores e consagrar mecanismos discricionários de admissão e progressão nas carreiras que podem dar lugar a todo do tipo de clientelismo».
«Pensar que se pode fazer uma reforma da administração pública agredindo e hostilizando quem nela trabalha tem sido uma das maiores causas do falhanço das reformas administrativas. Também aqui o Governo parece não ter aprendido com as lições do passado», concluiu o deputado comunista.
Em alternativa ao texto do Governo, o PCP apresentou um projecto de Lei-Quadro dos Institutos Públicos no qual define os aspectos fundamentais que, do seu ponto de vista, devem presidir à criação de institutos públicos e à organização da administração indirecta do Estado.
Defendendo a criação dos institutos apenas «por razões fundadas na especificidade técnica das funções a desenvolver», os comunistas entendem que o regime a aplicar-lhes deve ser um regime de direito público, quer quanto ao funcionamento quer quanto ao regime de pessoal.
O projecto de lei do PCP baixou à Comissão, sem votação, para permitir a sua discussão pública.