Apontamentos
A aviação militar deve ser uma profissão de emoções fortes. Mas o que sucede todos os anos a muitas norte-americanas que optam por estudar na Academia Militar da Força Aérea não é o tipo de emoção que esperavam. Segundo números adiantados pelo inspector geral do Departamento de Defesa, aproximadamente 12% das mulheres que terminam o curso foram vítimas de violação – ou de tentativa de – durante os estudos. Os números não dizem tudo, e outras fontes afirmam que a situação pode ser pior porque se estima que quatro de cada cinco vítimas nunca chegam a denunciar o seu caso.
Tudo isto começou em Maio, quando meia dúzia de cadetes deram um passo em frente para denunciar a situação e para sublinhar o facto de que as vítimas que ousam revelar o que lhes sucede são sistematicamente castigadas por infracções sem importância, enquanto que os assaltantes conseguem evitar qualquer tipo de julgamento, o que convida ao silêncio de muitas das violadas.
De um total de 659 alunas, 579 aceitaram participar na sondagem. Perto de 70% confessaram terem sido vítimas de assédio sexual nalgum momento e 22% que tinham sentido «pressão para conceder favores sexuais».
Inicialmente, as autoridades trataram de minimizar a questão, mas dois advogados das vítimas – Jim Cox e Joseph Madonia – afirmaram que os resultados da sondagem ajudavam a causa das suas defendidas e também dos senadores republicanos Wayne Allard e Patty Murray, acusados de sobredimensionar a importância dos assaltos sexuais. Por outro lado, o coronel Sam Hudspath, porta-voz da Força Aérea, não contestou os resultados do estudos, e afirmou mesmo que «eram consistentes com os números da própria Força Aérea».
Outro escândalo está no ar. E o general Weida já saiu a público para dizer que «ou revertemos esta tendência ou a própria existência desta instituição está ameaçada».
Quando a tortilla dá a volta…
Gicsa é uma maquiladora – fábrica – mexicana cuja lua-de-mel com o poderoso vizinho do Norte está a chegar ao fim. Agora produz uma terça parte dos jeans de há três anos e a sua força de trabalho diminuiu 30 por cento. Não é um caso único. De 2001 até hoje, 500 das 3700 maquiladoras tiveram de encerrar, lançando mais 18 mil trabalhadores para a rua.
Que se passa? A mão-de-obra barata mexicana é muito cara. As grandes companhias estão a mudar-se para El Salvador, onde a miséria é ainda maior, trabalha-se por ordenados 22 por cento mais baixos e a flexibilização laboral é ainda maior. Contudo, o grande «inimigo» não está na vizinhança.
O México, de há muito rei dos custos baixos e grande exportador para os EUA de caminhões Ford, roupa Hilfiger e computadores IBM, está a ser substituído pela China que, com milhões de trabalhadores a «custos mais razoáveis», ameaça dar cabo do «milagre azeteca» e também desengonçar os próprios fabricantes norte-americanos, de há muito com problemas.
Agora e a pesar dos tratados especiais (tipo NAFTA), os empresários mexicanos começam a ver o negócio ir por água abaixo. As exportações ainda andam pelos 67 000 milhões de dólares mas a China, que aumentou as vendas em 22%, está a morder-lhes a cauda. A situação já mereceu títulos xenófobos na imprensa local. «China: o inimigo a vencer».
Frente ao pragmatismo do capital internacional, talvez não reste ao México mais do que buscar ajuda na Virgem de Guadalupe. Mas isto apresenta outro problema: o país está a ser invadido por figuras da sua padroeira feitas… na China.
Cartão vermelho ao terrorismo de Bush
A Cruz Vermelha Internacional não costuma manifestar publicamente as suas críticas. E isto mesmo foi frisado, quando um dos seus membros de mais alto nível, Christophe Girod, em declarações à BBC, afirmou que era necessário tornar públicos os comentários da instituição sobre Guantanamo porque os «relatórios apresentados privadamente a funcionários norte-americanos não tinham produzido qualquer mudança» nas condições de vida dos reclusos. Segundo o funcionário, a situação dos 600 detidos é «inaceitável» entre outra razões porque «depois de mais de 18 meses de cativeiro, os internos não têm ideia sobre o seu destino e nenhuma possibilidade de recorrer a qualquer mecanismo legal».
Assim fala a Cruz Vermelha, mas como é vermelha não faltará quem pense que isso é coisa critpocomunista ou parecida. Que dizer então de um grupo de ex juízes, diplomatas e advogados militares dos EUA que urgiram o Supremo Tribunal a tomar o assunto em mãos porque não existem razões para manter encarceradas essas pessoas que, depois de dois anos presas, deveriam ter mais direitos? Um deles, Don Gutter, ex juiz da Marinha, afirma que não é necessário manter os reclusos sem direitos até ao fim da guerra contra o terrorismo, até porque a vitória talvez nunca chegue.
Tudo isto começou em Maio, quando meia dúzia de cadetes deram um passo em frente para denunciar a situação e para sublinhar o facto de que as vítimas que ousam revelar o que lhes sucede são sistematicamente castigadas por infracções sem importância, enquanto que os assaltantes conseguem evitar qualquer tipo de julgamento, o que convida ao silêncio de muitas das violadas.
De um total de 659 alunas, 579 aceitaram participar na sondagem. Perto de 70% confessaram terem sido vítimas de assédio sexual nalgum momento e 22% que tinham sentido «pressão para conceder favores sexuais».
Inicialmente, as autoridades trataram de minimizar a questão, mas dois advogados das vítimas – Jim Cox e Joseph Madonia – afirmaram que os resultados da sondagem ajudavam a causa das suas defendidas e também dos senadores republicanos Wayne Allard e Patty Murray, acusados de sobredimensionar a importância dos assaltos sexuais. Por outro lado, o coronel Sam Hudspath, porta-voz da Força Aérea, não contestou os resultados do estudos, e afirmou mesmo que «eram consistentes com os números da própria Força Aérea».
Outro escândalo está no ar. E o general Weida já saiu a público para dizer que «ou revertemos esta tendência ou a própria existência desta instituição está ameaçada».
Quando a tortilla dá a volta…
Gicsa é uma maquiladora – fábrica – mexicana cuja lua-de-mel com o poderoso vizinho do Norte está a chegar ao fim. Agora produz uma terça parte dos jeans de há três anos e a sua força de trabalho diminuiu 30 por cento. Não é um caso único. De 2001 até hoje, 500 das 3700 maquiladoras tiveram de encerrar, lançando mais 18 mil trabalhadores para a rua.
Que se passa? A mão-de-obra barata mexicana é muito cara. As grandes companhias estão a mudar-se para El Salvador, onde a miséria é ainda maior, trabalha-se por ordenados 22 por cento mais baixos e a flexibilização laboral é ainda maior. Contudo, o grande «inimigo» não está na vizinhança.
O México, de há muito rei dos custos baixos e grande exportador para os EUA de caminhões Ford, roupa Hilfiger e computadores IBM, está a ser substituído pela China que, com milhões de trabalhadores a «custos mais razoáveis», ameaça dar cabo do «milagre azeteca» e também desengonçar os próprios fabricantes norte-americanos, de há muito com problemas.
Agora e a pesar dos tratados especiais (tipo NAFTA), os empresários mexicanos começam a ver o negócio ir por água abaixo. As exportações ainda andam pelos 67 000 milhões de dólares mas a China, que aumentou as vendas em 22%, está a morder-lhes a cauda. A situação já mereceu títulos xenófobos na imprensa local. «China: o inimigo a vencer».
Frente ao pragmatismo do capital internacional, talvez não reste ao México mais do que buscar ajuda na Virgem de Guadalupe. Mas isto apresenta outro problema: o país está a ser invadido por figuras da sua padroeira feitas… na China.
Cartão vermelho ao terrorismo de Bush
A Cruz Vermelha Internacional não costuma manifestar publicamente as suas críticas. E isto mesmo foi frisado, quando um dos seus membros de mais alto nível, Christophe Girod, em declarações à BBC, afirmou que era necessário tornar públicos os comentários da instituição sobre Guantanamo porque os «relatórios apresentados privadamente a funcionários norte-americanos não tinham produzido qualquer mudança» nas condições de vida dos reclusos. Segundo o funcionário, a situação dos 600 detidos é «inaceitável» entre outra razões porque «depois de mais de 18 meses de cativeiro, os internos não têm ideia sobre o seu destino e nenhuma possibilidade de recorrer a qualquer mecanismo legal».
Assim fala a Cruz Vermelha, mas como é vermelha não faltará quem pense que isso é coisa critpocomunista ou parecida. Que dizer então de um grupo de ex juízes, diplomatas e advogados militares dos EUA que urgiram o Supremo Tribunal a tomar o assunto em mãos porque não existem razões para manter encarceradas essas pessoas que, depois de dois anos presas, deveriam ter mais direitos? Um deles, Don Gutter, ex juiz da Marinha, afirma que não é necessário manter os reclusos sem direitos até ao fim da guerra contra o terrorismo, até porque a vitória talvez nunca chegue.