Cuba sim, bloqueio não

Decorreu na passada terça-feira, na Embaixada da República de Cuba, em Lisboa, a apresentação do relatório enviado ao Secretário-Geral das Nações Unidas intitulado «Necessidade de pôr fim ao bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba».
Reinaldo Calviac Lafferté, responsável diplomático cubano em Portugal, expôs o conjunto de razões que levam à apresentação da proposta à Assembleia Geral da ONU, entre as quais destacou o crescente endurecimento da campanha agressiva dos EUA contra Cuba e o facto de, segundo os princípios da organização estabelecidos a quando da sua fundação, em 1948, «o bloqueio económico contra qualquer povo é uma forma de genocídio».
«Dois terços da população cubana viveu toda a sua vida sob efeito do bloqueio» e, com a ascensão ao poder da administração republicana, os «EUA têm apoiado e incrementado o crime», sublinhou Reinaldo Calviac.
Mesmo quando estão em causa as mais duras condições o governo imperialista norte-americano não cede, como aconteceu recentemente com o perigo de propagação da pneumonia atípica, situação na qual «o Instituto de Medicina Tropical de Cuba não pode adquirir o meio de diagnóstico da Síndrome Respiratória Aguda a uma empresa americana, tendo que o fazer através de terceiros a preços muito mais elevados». Mais grave, «algumas companhias farmacêuticas americanas compraram empresas que tinham acordos com Cuba», explicou.
Finalmente, instado a comentar os acontecimentos de Abril passado e os sequestros então ocorridos, o embaixador desafiou os presentes a pensarem o porquê de uma campanha que põe constantemente em causa Cuba e o povo cubano, e a questionarem outras formas de bloqueio imposto à ilha, como o cultural e o da verdade informativa, particularmente graves por parte dos meios de comunicação social europeus.


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