Militares da Guiné não querem o poder

Os militares que no domingo derrubaram, sem violência, o regime do presidente Kumba Ialá, na Guiné-Bissau, «não têm qualquer intenção de conservar o poder», afirmou na terça-feira o general Veríssimo Seabra Correia, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas guineenses, que liderou o golpe.
A garantia de Seabra Correia foi dada durante uma reunião com representantes dos partidos políticos, sociedade civil, autoridades religiosas e poder judicial, convocada pelo recém-criado Comité Militar para a Reposição da Ordem Constitucional e Democrática.
No encontro foi constituída uma comissão composta por 16 membros, maioritariamente juristas, de diferente sectores políticos e sociais, e liderada pelo bispo de Bissau, D. José Camnaté Na Bissign. Esta comissão tem a incumbência de apresentar ao comité militar, num prazo de dois ou três dias, um nome para liderar o futuro governo de transição até à realização de eleições.
O golpe de Estado levado a cabo pelo Comité Militar para a Restituição da Ordem Constitucional e Democrática (CMROCD) foi duramente criticado pelo Senegal e pela Nigéria, que segundo uma notícia da Lusa estão a pressionar para o regresso de Kumba Ialá à Presidência da República.

Reacções

Também o Conselho de Segurança da ONU e os EUA tomaram posição, mas sem se referirem ao controverso Kumba Ialá, que desde Janeiro de 2000 presidia aos destinos da Guiné-Bissau.
Washington apelou aos militares para que restabeleçam «um poder civil o mais rapidamente possível», segundo o porta-voz adjunto do Departamento de Estado, Adam Ereli. Os EUA, disse Ereli, defendem que o processo eleitoral, que previa eleições a 12 de Outubro, «seja continuado», e já manifestaram a sua disponibilidade para colaborar com a Comunidade dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), assim como com a França e Portugal, antiga potência colonial, a fim de ajudarem a restaurar um poder civil.
O Conselho de Segurança da ONU, por seu turno, condenou o golpe e exigiu «o restabelecimento rápido da ordem legal». Idêntica posição foi defendida pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que logo no domingo apelou às partes envolvidas para não recorrerem à violência e manifestou o desejo de que tudo seja feito para «garantir a segurança» de todos no país.
Tanto o presidente deposto como os membros do seu governo foram colocados em prisão domiciliária, não se registando quaisquer sinais de violência no país.


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