Rescaldo dos incêndios

336 mil hectares ardidos em Portugal

Mais de 330 mil hectares, área quase equivalente à do distrito de Leiria, arderam este ano em Portugal, de acordo com uma «primeira avaliação» da Direcção-Geral de Florestas.

A vaga de incêndios em Portugal já provocou 18 mortos

A Direcção-Geral de Florestas (DGF) aponta para 336 mil hectares de área ardida, entre povoamentos e matos, mas sem incluir a área agrícola. «Este valor ainda sujeito a confirmação já inclui os grandes incêndios verificados na região do Algarve», precisam os responsáveis da DGF, em comunicado distribuído na sexta-feira.
Este passa a ser o ano em que mais área rural foi consumida pelos fogos em Portugal desde que esta medição é feita.
Nas últimas duas décadas, o ano de 1991 detinha o anterior recorde de área ardida, com 182.486 hectares. Antes desta «primeira avaliação», a última estimativa da DGF apontava para 215 mil hectares ardidos.
A vaga de incêndios em Portugal já provocou 18 mortos e levou à detenção de 73 pessoas, suspeitas de fogo posto.
As anteriores estimativas da DGF, que não contemplavam os grandes incêndios de Mação, Abrantes, Nisa, Portalegre, Monchique e Silves, mostravam que os distritos mais afectados pelos fogos foram Castelo Branco, Santarém, Portalegre e Guarda.
Segundo o relatório preliminar da DGF, em Castelo Branco arderam mais de 65 mil hectares, em Santarém e Portalegre foram consumidos mais de 35 mil hectares e na Guarda mais de 23 mil.

Falência do sistema

Entretanto, face à grave situação que assola o País, a Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais exigiu ao ministro da Administração Interna o pedido de demissão do Coordenador do Centro Nacional de Operações de Socorro, embora tenha aceitado aguardar pelas conclusões do «Livro Branco» - relatório sobre a actuação das as entidades envolvidas no combate aos fogos.
«Vamos esperar até Outubro pelas conclusões de todo o processo», disse, em conferência de imprensa, o presidente da Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais (ANBP), Fernando Curto, à saída de uma reunião com o ministro da Administração Interna, Figueiredo Lopes.
Frisando que é necessário «apaziguar» as relações entre todas as estruturas envolvidas no combate aos incêndios, «contando com os bombeiros profissionais e os bombeiros voluntários», Fernando Curto adiantou que a ANBP irá participar na elaboração do «Livro Branco».
Fernando Curto reiterou ainda a convicção da ANBP de que é necessário fazer mudanças no Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, já que «ficou provada a falência do sistema». «É preciso mudar os técnicos», esclareceu Fernando Curto, sublinhando que «é preciso e é urgente mudar o Coordenador Nacional de Operações de Socorro», Gil Martins.
Recordando as declarações de Gil Martins, no sentido de que os bombeiros profissionais «não têm formação para combater incêndios florestais», o presidente da ANBP acusou o próprio Coordenador Nacional de Operações de Socorro de ter falhado na coordenação dos meios.
«Não houve coordenação. Ele é responsável, tem formação, mas não se compreende, por exemplo, que não saiba onde estão os paióis», afirmou Fernando Curto, sustentando ainda que é injusto os bombeiros profissionais serem coordenados por uma pessoas que não mostra confiança no seu trabalho: «não é justo sermos coordenados por uma pessoa que diz que não somos competentes», sublinhou.


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