O grande Espaço da solidariedade
Num contexto internacional marcado pelas ofensivas militares do imperialismo, e pelos ataques aos direitos dos trabalhadores e dos povos, o Espaço Internacional «vai destacar as lutas pela paz contra o capitalismo neoliberal, destacando a solidariedade com Cuba», revelou Ângelo Alves, membro do Comité Central e da Secção Internacional do Partido.
Visitar o Espaço internacional da Festa é a oportunidade de se conhecer o trabalho e as lutas de numerosos partidos comunistas e progressistas, e a prova da importância que o PCP dá e sempre deu à solidariedade internacionalista e, ainda, do prestígio que tem além fronteiras. As representações de partidos comunistas e progressistas têm aumentado nos últimos anos. A duas semanas da Festa, estão confirmadas as presenças de mais duas delegações em relação ao ano passado. Ao todo está confirmada a participação de 33 delegações estrangeiras, 22 das quais com espaços próprios na Cidade Internacional.
Além da mensagem política que cada delegação nos traz, este espaço caracteriza-se também pelo ambiente de verdadeiro convívio em festa.
Os sabores e os aromas dos cinco continentes misturam-se com as cores do artesanato de regiões tão longínquas como Timor-Leste, a Coreia do Norte ou o Peru, ao som de canções revolucionárias.
Aqui, o visitante pode provar uma verdadeira cachupa cabo-verdiana, a comida tradicional timorense, a vaca frita cubana, as especialidades chinesas, a feijoada à brasileira, as botifarras catalãs, os piscos chilenos, as salsichas com uma cerveja especial alemã e muitos outros pratos, bebidas e doces típicos.
O tema central deste ano vai ser «A luta contra o capitalismo e a guerra», baseado em duas ideias centrais: por um lado a actividade e luta que os partidos comunistas e progressistas travam contra o capitalismo e, por outro, o tipo de resistência adoptado em cada país para fazer frente a esta nova ofensiva, salientando-se as lutas pela paz, as lutas dos trabalhadores na Europa e a resistência de diferentes povos pela autodeterminação, com destaque para a Palestina, Cuba e Sahara Ocidental, entre outros.
«No fundo, pretende-se que o visitante, passeando pelo Espaço Internacional, fique com total certeza de que, por todo o mundo, os povos lutam e resistem ao imperialismo», afirmou Ângelo Alves.
Por toda a área deste Espaço vão ser distribuídos vários painéis pintados com alusões e referências a várias lutas, no contexto do combate pela construção do socialismo e de alternativas à ofensiva imperialista.
A exposição política será complementada com um pequeno espaço de vídeo onde serão apresentados vários documentários «sobre as lutas do povos e dos partidos comunistas e progressistas».
Solidariedade com Cuba
O PCP entende que a ofensiva imperialista a decorrer este ano desde a guerra do Iraque «não pretende apenas dominar o Médio Oriente, como poderá parecer à primeira vista». «Estão a decorrer ataques e ofensivas por todo o mundo e os comunistas e movimentos progressistas são o principal alvo», referiu Ângelo Alves, ao lembrar que «a alteração política que se operou na América Latina - com Hugo Chávez na Venezuela e Lula da Silva no Brasil - criou preocupações acrescidas ao neoliberalismo, originando uma nova escalada de arrogância, de ingerência e interferência nos assuntos internos de vários países, onde Cuba é um dos principais alvos.
Por este motivo, a Festa vai dar um grande destaque à solidariedade com o povo cubano, não apenas no Espaço Internacional como por toda a Festa durante os três dias, com materiais específicos para esse efeito. «Vai ser uma campanha de solidariedade que pretende recolher fundos e alguns bens de primeira necessidade que os EUA impedem de entrar naquele país», salientou.
É a reafirmação da solidariedade com a revolução socialista cubana e o seu povo, numa altura em que, mais uma vez, o imperialismo tenta por todos os meios desprestigiar e destruir este processo revolucionário. Neste contexto, «a campanha é uma necessidade real devido à importância da revolução cubana para todos os povos do mundo».
América Latina
As mudanças políticas registadas no Brasil durante o corrente ano não podiam ficar sem um reflexo no Espaço Internacional da Festa.
Assim, o PT do Brasil e o Partido Comunista do Brasil - duas das forças que foram determinantes para a vitória de Lula nas eleições presidenciais - vão trazer um grande manancial de materiais de informação sobre a realidade actual do Brasil e as políticas encetadas pelo novo governo brasileiro.
A presença da comunidade brasileira residente em Portugal tem vindo a revelar um crescendo de participação na Festa. Este ano tem-se desenvolvido esforços no sentido de conseguir levar à Quinta da Atalaia grupos de música popular brasileira a actuar no Espaço Internacional. Também a situação no Chile e o assinalar dos 30 anos do golpe militar de Pinochet serão alvo de atenção neste Espaço.
Debates
Em anos anteriores, os debates têm sido acima de tudo momentos de solidariedade com os povos em luta. Este ano, optou-se por «tentar transformar os debates em testemunhos de luta discutidos com os seus protagonistas», revelou Ângelo Alves.
Integrado na campanha de solidariedade com Cuba, o debate intitulado «Solidários com o povo cubano» vai contar com a presença de um membro do PC de Cuba, disponível para prestar esclarecimentos aos visitantes da Festa sobre a realidade da pátria de José Marti e Fidel Castro.
«Iraque - seis meses depois, a luta contra a exploração e a guerra» é outro tema em debate que vai, certamente, suscitar uma forte curiosidade e participação.
Agendado para domingo à tarde, «vai ser o momento para se discutir não apenas sobre a situação no Iraque após a invasão norte-americana, mas também para, no mesmo contexto, ser abordada a situação em todo o Médio Oriente, nomeadamente na Palestina ou na Síria, e para se falar da resistência desses povos à ocupação e às limitações de independência e soberania desses países, no contexto da ofensiva mundial do imperialismo», afirmou.
Neste debate, discutir-se-á também sobre a luta e o movimento português pela paz.
Nos últimos anos tem havido uma luta intensa dos trabalhadores e dos povos dando origem ao aparecimento de diferentes processos de luta com a adesão de novas camadas sociais naquilo à luta contra a globalização capitalista.
«A luta contra a globalização capitalista - processos, caminhos e protagonistas», agendado para domingo, pretende ser um debate sobre os processos em curso, os seus protagonistas e as contradições que encerra.
Pretende-se abordar a luta contra a globalização capitalista em todas as suas vertentes, «analisando processos em particular, como por exemplo os fóruns sociais, nomeadamente o português».
Motivo para debate será ainda um acontecimento «que apesar de ter ocorrido há três décadas, terá certamente, desenvolvimentos». «Chile de Allende e mudanças de regime, 30 anos depois do golpe» é o tema para um debate que pretende assinalar as três décadas sobre o golpe militar fascista de Augusto Pinochet apoiado pelos EUA.
O golpe levou ao fim do governo marxista democraticamente eleito de Salvador Allende, assassinado aquando do ataque final das tropas golpistas ao Palácio de La Moneda, sede do governo chileno, bombardeado e assaltado no dia 11 de Setembro de 1973.
Neste debate «pretende-se dar uma ideia sobre o que foi esse período negro da vida do povo chileno e dar a conhecer a realidade actual das forças progressistas, nomeadamente o Partido Comunista do Chile que terá presente um seu representante nesta conversa», explicou Ângelo Alves.
A importância da América Latina no contexto actual para todos os revolucionários será assinalada em tons de festa, «porque a Festa também é luta», acrescentou.
Espectáculos e eventos
Além das presenças de música popular de outros países, destaca-se também um recital de poesia interpretado por elementos do núcleo de Setúbal da Associação de Amizade Portugal - Cuba que conta com a participação de Odete Santos. Trata-se de uma experiência que se repete pela terceira vez e que este ano tomará a forma de homenagem a José Carlos Ary dos Santos aqui traduzida na leitura de poemas seus, subordinados à solidariedade internacionalista e à luta dos povos. Ary tem vários poemas sobre Cuba e o Chile que farão parte deste espectáculo.
Experiência rara será a tentativa de um «casamento» entre as gaitas de foles portuguesas com as galegas num único espectáculo que pretende fazer uma simbiose entre os sons e modas de Bragança com as galegas.
A dança vai ser interpretada pelo Grupo de Danças e Cantares Europeus. Trata-se da terceira vez que este grupo dedicado às danças de salão e tradicionais da Europa vem à Atalaia.
Para sábado à noite, os amantes da dança e da música latina vão poder deliciar-se com uma noite dedicada ao Forró Brasileiro com baile e muita animação, integrada na noite dedicada à América Latina.
Além desta programação, haverá ainda um segundo palco aberto a interpretações artísticas de todas as vertentes, e à livre participação de todos os camaradas e amigos estrangeiros que venham integrados nas suas delegações e tenham conhecimentos e «dotes artísticos» que pretendam revelar.
Este «estrado de animação polivalente» não tem programação definida e é aberto a todas as expressões desde a poesia à música, dança, animação, performance, malabarismo, etc. Alguns grupos de animação de rua também já garantiram ali a sua presença.
Jovens catalães montam a Festa
Nos últimos anos, uma delegação da Juventude Comunista da Catalunha tem marcado presença na construção da Festa do Avante!. Dezenas de jovens têm dado um importante contributo com a sua presença e solidariedade revolucionária traduzida em horas de empenhado trabalho e dedicação em várias vertentes da construção da Festa, e não apenas no Espaço Internacional.
Da Catalunha chegou a confirmação da repetição da sua animada presença que proporciona a todos os camaradas e amigos um intercâmbio de experiências e conhecimentos que se têm revelado bastante positivos para ambas as organizações de jovens comunistas, a portuguesa e a catalã. É já no dia 26 que chegam de Barcelona os «compañeros» catalães.
Também o núcleo do PT do Brasil em Portugal está convidado este ano a participar nas jornadas de trabalho que antecedem a Festa.
«Dentro do que é possível, pretendemos trazer à implantação da Festa cada vez mais camaradas e amigos de outros partidos comunistas e progressistas para que participem na construção e no convívio que a implantação propicia», afirmou Ângelo Alves.
«Trata-se de um intercâmbio interessante e é, sobretudo, um acto de grande generosidade e solidariedade deles com a Festa do Avante!.» «Da experiência que temos tido com os camaradas da Catalunha podemos considerar que a sua presença na construção da Festa ajuda-os a compreender o próprio funcionamento do evento e a criar uma relação de grande comprometimento com a luta dos comunistas portugueses. Não é por acaso que o espaço da Catalunha é um dos mais animados espaços da cidade internacional, durante os três dias de Festa, em resultado da sua contribuição na implantação», concluiu.
Desfile
No ano passado, devido à chuva que se fez sentir no domingo, houve receio de que muitos visitantes não participassem no comício.
À última hora, os responsáveis do Espaço Internacional tomaram a decisão de realizar um desfile que atravessou toda a Festa até ao auditório 1.º de Maio, no sentido de mobilizar o máximo de pessoas possível para o grande comício do PCP.
Todos os stands foram convidados a encerrar e todos os camaradas que ali estavam foram convidados a participar no desfile. O resultado foi uma marcha bastante colorida, com gaiteiros da Galiza e outras músicas de várias proveniências, muito alegre que mobilizou muitas centenas de visitantes.
Os resultados ultrapassaram as expectativas, ao ponto de se ter decidido reeditar a experiência, este ano mais organizada. Assim, às 17 horas de domingo, a actividade no Espaço Internacional vai ser reduzida ao minimo, de forma a proporcionar a participação de todos no grande momento político da Festa. A Organização Concelhia de Almada do PCP - que tem a responsabilidade da implantação e funcionamento de todo o Espaço Internacional - está também a preparar materiais a serem exibidos exclusivamente durante o desfile. Os camaradas de Almada têm a seu cargo a implantação de um espaço, «este ano muito exigente no que respeita à sua concepção e construção».
Trabalho que não se vê
A presença de mais de três dezenas de representações de partidos comunistas e progressistas contribui para que a Festa do Avante! seja considerada uma das mais importantes festas realizada e organizada por um Partido Comunista da Europa. Para além do enorme prestígio que a Festa tem sabido alcançar além fronteiras, é uma grande demonstração da capacidade da organização do Partido, «motivo pelo qual a Festa é conhecida por todos os partidos comunistas e revolucionários do mundo», garantiu Ângelo Alves.
Durante a Festa e alguns dias antes, o Partido realiza reuniões com todas as delegações que nos visitam, com o propósito de lhes serem transmitidas informações sobre a realidade portuguesa, a luta e actividade do PCP na defesa dos interesses e aspirações dos trabalhadores e do povo. Também lhes são transmitidas as análises que o PCP faz à situação internacional. Ficam assim a conhecer melhor o PCP «por dentro» e complementam estas informações com a Festa, e também com um programa de visitas, nomeadamente conhecendo a obra dos comunistas no poder local. «Durante este período, o Partido recebe uma grande quantidade de informação sobre o que se passa no mundo, o que é muito importante.»
Ao todo vão estar 22 stands, número superior ao do ano passado e ainda mais três de organizações portuguesas de solidariedade: o Comité Português para a Paz e Cooperação, a Associação de Amizade Portugal-Cuba e a Associação Yuri Gagarine. Um stand do PCP com materiais de solidariedade com Cuba completam a participação. Há ainda delegações convidadas que, embora sem stand, vêm à Festa trocar experiências e adquirir conhecimentos que lhes sejam úteis para as lutas que desenvolvem nos seus países. O mundo inteiro está na Festa e essa é a maior prova de que a luta continua e de que o projecto comunista, a par da importância que teve no passado, é um projecto cada vez mais válido e necessário para o presente e o futuro de Portugal e do mundo.
Espectáculos no Palco Internacional
Sexta-feira
20:00 – Gaiteiros da Galiza
21:00 – Gaita
22:00 – Dejá Vu
23:00 – Bereg (Música ucraniana e russa)
Sábado
14:30 – «Arco da Velha» – MPP
17:00 – Dili All Stars
18:00 – Grupo de Poesia + música (Ary dos Santos)
20:30 – Julian Del Vale
21:30 – Musica Cubana
23:00 – Forró Brasileiro
Domingo
14:00 – Schalmeienkafelle
15:30 – Filipe Narciso (música de intervenção)
17:30 – Concentração do desfile do Espaço do Internacional
19:30 – Tíbia (Gaita de Foles de Bragança)
20:30 – Danças e Cantares Europeus
22:00 – Haja Saúde
Debates
Sábado
15:30
Chile de Allende e mudanças de regime. 30 Anos do Golpe Militar
Margarida Botelho – Membro da Direcção da JCP
Manuela Bernardino – Membro da Comissão Central de Controlo, do Comité Central e da Secção Internacional
-Representante do PC do Chile
19:00
Solidários com o Povo Cubano
Carlos Amador / Sérgio Vinagre
Representante do PC Cubano
Domingo
14:30
A luta contra a globalização capitalista. Processos, caminhos, protagonistas
João Vieira – Dirigente da CNA
Jorge Cordeiro – membro da Comissão Política do PCP
Florival Lança – membro da Comissão Executiva da CGTP
Um jovem trabalhador
Miguel Madeira – Presidente da FMJD
16:30
Iraque, 6 meses depois... A luta contra a exploração e a guerra
Ângelo Alves – membro do comité central e da Secção Internacional do PCP
Arménio Carlos – membro da Comissão Executiva da CGTP e do Comité Central do PCP
Rui Namorado Rosa – Professor Universitário
Vítor Silva – Dirigente do CPPC
Além da mensagem política que cada delegação nos traz, este espaço caracteriza-se também pelo ambiente de verdadeiro convívio em festa.
Os sabores e os aromas dos cinco continentes misturam-se com as cores do artesanato de regiões tão longínquas como Timor-Leste, a Coreia do Norte ou o Peru, ao som de canções revolucionárias.
Aqui, o visitante pode provar uma verdadeira cachupa cabo-verdiana, a comida tradicional timorense, a vaca frita cubana, as especialidades chinesas, a feijoada à brasileira, as botifarras catalãs, os piscos chilenos, as salsichas com uma cerveja especial alemã e muitos outros pratos, bebidas e doces típicos.
O tema central deste ano vai ser «A luta contra o capitalismo e a guerra», baseado em duas ideias centrais: por um lado a actividade e luta que os partidos comunistas e progressistas travam contra o capitalismo e, por outro, o tipo de resistência adoptado em cada país para fazer frente a esta nova ofensiva, salientando-se as lutas pela paz, as lutas dos trabalhadores na Europa e a resistência de diferentes povos pela autodeterminação, com destaque para a Palestina, Cuba e Sahara Ocidental, entre outros.
«No fundo, pretende-se que o visitante, passeando pelo Espaço Internacional, fique com total certeza de que, por todo o mundo, os povos lutam e resistem ao imperialismo», afirmou Ângelo Alves.
Por toda a área deste Espaço vão ser distribuídos vários painéis pintados com alusões e referências a várias lutas, no contexto do combate pela construção do socialismo e de alternativas à ofensiva imperialista.
A exposição política será complementada com um pequeno espaço de vídeo onde serão apresentados vários documentários «sobre as lutas do povos e dos partidos comunistas e progressistas».
Solidariedade com Cuba
O PCP entende que a ofensiva imperialista a decorrer este ano desde a guerra do Iraque «não pretende apenas dominar o Médio Oriente, como poderá parecer à primeira vista». «Estão a decorrer ataques e ofensivas por todo o mundo e os comunistas e movimentos progressistas são o principal alvo», referiu Ângelo Alves, ao lembrar que «a alteração política que se operou na América Latina - com Hugo Chávez na Venezuela e Lula da Silva no Brasil - criou preocupações acrescidas ao neoliberalismo, originando uma nova escalada de arrogância, de ingerência e interferência nos assuntos internos de vários países, onde Cuba é um dos principais alvos.
Por este motivo, a Festa vai dar um grande destaque à solidariedade com o povo cubano, não apenas no Espaço Internacional como por toda a Festa durante os três dias, com materiais específicos para esse efeito. «Vai ser uma campanha de solidariedade que pretende recolher fundos e alguns bens de primeira necessidade que os EUA impedem de entrar naquele país», salientou.
É a reafirmação da solidariedade com a revolução socialista cubana e o seu povo, numa altura em que, mais uma vez, o imperialismo tenta por todos os meios desprestigiar e destruir este processo revolucionário. Neste contexto, «a campanha é uma necessidade real devido à importância da revolução cubana para todos os povos do mundo».
América Latina
As mudanças políticas registadas no Brasil durante o corrente ano não podiam ficar sem um reflexo no Espaço Internacional da Festa.
Assim, o PT do Brasil e o Partido Comunista do Brasil - duas das forças que foram determinantes para a vitória de Lula nas eleições presidenciais - vão trazer um grande manancial de materiais de informação sobre a realidade actual do Brasil e as políticas encetadas pelo novo governo brasileiro.
A presença da comunidade brasileira residente em Portugal tem vindo a revelar um crescendo de participação na Festa. Este ano tem-se desenvolvido esforços no sentido de conseguir levar à Quinta da Atalaia grupos de música popular brasileira a actuar no Espaço Internacional. Também a situação no Chile e o assinalar dos 30 anos do golpe militar de Pinochet serão alvo de atenção neste Espaço.
Debates
Em anos anteriores, os debates têm sido acima de tudo momentos de solidariedade com os povos em luta. Este ano, optou-se por «tentar transformar os debates em testemunhos de luta discutidos com os seus protagonistas», revelou Ângelo Alves.
Integrado na campanha de solidariedade com Cuba, o debate intitulado «Solidários com o povo cubano» vai contar com a presença de um membro do PC de Cuba, disponível para prestar esclarecimentos aos visitantes da Festa sobre a realidade da pátria de José Marti e Fidel Castro.
«Iraque - seis meses depois, a luta contra a exploração e a guerra» é outro tema em debate que vai, certamente, suscitar uma forte curiosidade e participação.
Agendado para domingo à tarde, «vai ser o momento para se discutir não apenas sobre a situação no Iraque após a invasão norte-americana, mas também para, no mesmo contexto, ser abordada a situação em todo o Médio Oriente, nomeadamente na Palestina ou na Síria, e para se falar da resistência desses povos à ocupação e às limitações de independência e soberania desses países, no contexto da ofensiva mundial do imperialismo», afirmou.
Neste debate, discutir-se-á também sobre a luta e o movimento português pela paz.
Nos últimos anos tem havido uma luta intensa dos trabalhadores e dos povos dando origem ao aparecimento de diferentes processos de luta com a adesão de novas camadas sociais naquilo à luta contra a globalização capitalista.
«A luta contra a globalização capitalista - processos, caminhos e protagonistas», agendado para domingo, pretende ser um debate sobre os processos em curso, os seus protagonistas e as contradições que encerra.
Pretende-se abordar a luta contra a globalização capitalista em todas as suas vertentes, «analisando processos em particular, como por exemplo os fóruns sociais, nomeadamente o português».
Motivo para debate será ainda um acontecimento «que apesar de ter ocorrido há três décadas, terá certamente, desenvolvimentos». «Chile de Allende e mudanças de regime, 30 anos depois do golpe» é o tema para um debate que pretende assinalar as três décadas sobre o golpe militar fascista de Augusto Pinochet apoiado pelos EUA.
O golpe levou ao fim do governo marxista democraticamente eleito de Salvador Allende, assassinado aquando do ataque final das tropas golpistas ao Palácio de La Moneda, sede do governo chileno, bombardeado e assaltado no dia 11 de Setembro de 1973.
Neste debate «pretende-se dar uma ideia sobre o que foi esse período negro da vida do povo chileno e dar a conhecer a realidade actual das forças progressistas, nomeadamente o Partido Comunista do Chile que terá presente um seu representante nesta conversa», explicou Ângelo Alves.
A importância da América Latina no contexto actual para todos os revolucionários será assinalada em tons de festa, «porque a Festa também é luta», acrescentou.
Espectáculos e eventos
Além das presenças de música popular de outros países, destaca-se também um recital de poesia interpretado por elementos do núcleo de Setúbal da Associação de Amizade Portugal - Cuba que conta com a participação de Odete Santos. Trata-se de uma experiência que se repete pela terceira vez e que este ano tomará a forma de homenagem a José Carlos Ary dos Santos aqui traduzida na leitura de poemas seus, subordinados à solidariedade internacionalista e à luta dos povos. Ary tem vários poemas sobre Cuba e o Chile que farão parte deste espectáculo.
Experiência rara será a tentativa de um «casamento» entre as gaitas de foles portuguesas com as galegas num único espectáculo que pretende fazer uma simbiose entre os sons e modas de Bragança com as galegas.
A dança vai ser interpretada pelo Grupo de Danças e Cantares Europeus. Trata-se da terceira vez que este grupo dedicado às danças de salão e tradicionais da Europa vem à Atalaia.
Para sábado à noite, os amantes da dança e da música latina vão poder deliciar-se com uma noite dedicada ao Forró Brasileiro com baile e muita animação, integrada na noite dedicada à América Latina.
Além desta programação, haverá ainda um segundo palco aberto a interpretações artísticas de todas as vertentes, e à livre participação de todos os camaradas e amigos estrangeiros que venham integrados nas suas delegações e tenham conhecimentos e «dotes artísticos» que pretendam revelar.
Este «estrado de animação polivalente» não tem programação definida e é aberto a todas as expressões desde a poesia à música, dança, animação, performance, malabarismo, etc. Alguns grupos de animação de rua também já garantiram ali a sua presença.
Jovens catalães montam a Festa
Nos últimos anos, uma delegação da Juventude Comunista da Catalunha tem marcado presença na construção da Festa do Avante!. Dezenas de jovens têm dado um importante contributo com a sua presença e solidariedade revolucionária traduzida em horas de empenhado trabalho e dedicação em várias vertentes da construção da Festa, e não apenas no Espaço Internacional.
Da Catalunha chegou a confirmação da repetição da sua animada presença que proporciona a todos os camaradas e amigos um intercâmbio de experiências e conhecimentos que se têm revelado bastante positivos para ambas as organizações de jovens comunistas, a portuguesa e a catalã. É já no dia 26 que chegam de Barcelona os «compañeros» catalães.
Também o núcleo do PT do Brasil em Portugal está convidado este ano a participar nas jornadas de trabalho que antecedem a Festa.
«Dentro do que é possível, pretendemos trazer à implantação da Festa cada vez mais camaradas e amigos de outros partidos comunistas e progressistas para que participem na construção e no convívio que a implantação propicia», afirmou Ângelo Alves.
«Trata-se de um intercâmbio interessante e é, sobretudo, um acto de grande generosidade e solidariedade deles com a Festa do Avante!.» «Da experiência que temos tido com os camaradas da Catalunha podemos considerar que a sua presença na construção da Festa ajuda-os a compreender o próprio funcionamento do evento e a criar uma relação de grande comprometimento com a luta dos comunistas portugueses. Não é por acaso que o espaço da Catalunha é um dos mais animados espaços da cidade internacional, durante os três dias de Festa, em resultado da sua contribuição na implantação», concluiu.
Desfile
No ano passado, devido à chuva que se fez sentir no domingo, houve receio de que muitos visitantes não participassem no comício.
À última hora, os responsáveis do Espaço Internacional tomaram a decisão de realizar um desfile que atravessou toda a Festa até ao auditório 1.º de Maio, no sentido de mobilizar o máximo de pessoas possível para o grande comício do PCP.
Todos os stands foram convidados a encerrar e todos os camaradas que ali estavam foram convidados a participar no desfile. O resultado foi uma marcha bastante colorida, com gaiteiros da Galiza e outras músicas de várias proveniências, muito alegre que mobilizou muitas centenas de visitantes.
Os resultados ultrapassaram as expectativas, ao ponto de se ter decidido reeditar a experiência, este ano mais organizada. Assim, às 17 horas de domingo, a actividade no Espaço Internacional vai ser reduzida ao minimo, de forma a proporcionar a participação de todos no grande momento político da Festa. A Organização Concelhia de Almada do PCP - que tem a responsabilidade da implantação e funcionamento de todo o Espaço Internacional - está também a preparar materiais a serem exibidos exclusivamente durante o desfile. Os camaradas de Almada têm a seu cargo a implantação de um espaço, «este ano muito exigente no que respeita à sua concepção e construção».
Trabalho que não se vê
A presença de mais de três dezenas de representações de partidos comunistas e progressistas contribui para que a Festa do Avante! seja considerada uma das mais importantes festas realizada e organizada por um Partido Comunista da Europa. Para além do enorme prestígio que a Festa tem sabido alcançar além fronteiras, é uma grande demonstração da capacidade da organização do Partido, «motivo pelo qual a Festa é conhecida por todos os partidos comunistas e revolucionários do mundo», garantiu Ângelo Alves.
Durante a Festa e alguns dias antes, o Partido realiza reuniões com todas as delegações que nos visitam, com o propósito de lhes serem transmitidas informações sobre a realidade portuguesa, a luta e actividade do PCP na defesa dos interesses e aspirações dos trabalhadores e do povo. Também lhes são transmitidas as análises que o PCP faz à situação internacional. Ficam assim a conhecer melhor o PCP «por dentro» e complementam estas informações com a Festa, e também com um programa de visitas, nomeadamente conhecendo a obra dos comunistas no poder local. «Durante este período, o Partido recebe uma grande quantidade de informação sobre o que se passa no mundo, o que é muito importante.»
Ao todo vão estar 22 stands, número superior ao do ano passado e ainda mais três de organizações portuguesas de solidariedade: o Comité Português para a Paz e Cooperação, a Associação de Amizade Portugal-Cuba e a Associação Yuri Gagarine. Um stand do PCP com materiais de solidariedade com Cuba completam a participação. Há ainda delegações convidadas que, embora sem stand, vêm à Festa trocar experiências e adquirir conhecimentos que lhes sejam úteis para as lutas que desenvolvem nos seus países. O mundo inteiro está na Festa e essa é a maior prova de que a luta continua e de que o projecto comunista, a par da importância que teve no passado, é um projecto cada vez mais válido e necessário para o presente e o futuro de Portugal e do mundo.
Espectáculos no Palco Internacional
Sexta-feira
20:00 – Gaiteiros da Galiza
21:00 – Gaita
22:00 – Dejá Vu
23:00 – Bereg (Música ucraniana e russa)
Sábado
14:30 – «Arco da Velha» – MPP
17:00 – Dili All Stars
18:00 – Grupo de Poesia + música (Ary dos Santos)
20:30 – Julian Del Vale
21:30 – Musica Cubana
23:00 – Forró Brasileiro
Domingo
14:00 – Schalmeienkafelle
15:30 – Filipe Narciso (música de intervenção)
17:30 – Concentração do desfile do Espaço do Internacional
19:30 – Tíbia (Gaita de Foles de Bragança)
20:30 – Danças e Cantares Europeus
22:00 – Haja Saúde
Debates
Sábado
15:30
Chile de Allende e mudanças de regime. 30 Anos do Golpe Militar
Margarida Botelho – Membro da Direcção da JCP
Manuela Bernardino – Membro da Comissão Central de Controlo, do Comité Central e da Secção Internacional
-Representante do PC do Chile
19:00
Solidários com o Povo Cubano
Carlos Amador / Sérgio Vinagre
Representante do PC Cubano
Domingo
14:30
A luta contra a globalização capitalista. Processos, caminhos, protagonistas
João Vieira – Dirigente da CNA
Jorge Cordeiro – membro da Comissão Política do PCP
Florival Lança – membro da Comissão Executiva da CGTP
Um jovem trabalhador
Miguel Madeira – Presidente da FMJD
16:30
Iraque, 6 meses depois... A luta contra a exploração e a guerra
Ângelo Alves – membro do comité central e da Secção Internacional do PCP
Arménio Carlos – membro da Comissão Executiva da CGTP e do Comité Central do PCP
Rui Namorado Rosa – Professor Universitário
Vítor Silva – Dirigente do CPPC