Tony Blair, um servidor exemplar
Por mais desacreditado que esteja Tony Blair, e com ele a sua corte de serventuários do sistema (Guidens, Mandelson e Cª), a verdade é que o sujeito ainda esbraceja e o grande capital britânico e internacional, a cuja causa se tem tão entusiasticamente dedicado, ainda precisa dos seus serviços apesar do visível esgotamento do seu campo de manobra.
Tony Blair dificilmente poderá resistir por muito mais tempo à avalanche de revelações que o desmascaram como um manobrador sem princípios e um mentiroso sem escrúpulos. À contestação social e ao poderoso movimento contra a guerra no Iraque, que golpearam duramente a sua «popularidade», segue-se agora uma onda de indignação perante a evidência de que TB e o seu governo colocaram a Grã-Bretanha a reboque dos EUA com base numa montanha de falsificações, abusando da opinião pública e das instituições. Nas sondagens a cotação de TB e do governo trabalhista caem a pique. A morte do seu conselheiro em armas de destruição massiva pode mergulhar o país numa crise política de grandes proporções. O repelente papel que o «New Labour», um dos principais partidos da Internacional Socialista, tem desempenhado como tábua de salvação do capital, tem os dias contados. Os Conservadores aí estão já no topo das sondagens preparados para revezar os Trabalhistas na liderança da grande causa capitalista comum.
Entretanto, com uma fidelidade canina, TB desenvolve uma frenética actividade internacional concertada com o amigo norte-americano, Clinton ou Bush, tanto faz. A sua recente visita aos EUA constituiu uma encenação cuidadosamente montada para tentar escamotear a sórdida posição de falsários a que ambos se prestaram para dar cobertura à guerra no Iraque, e para projectar uma imagem de solidez de uma aliança de guerra que está a ser confrontada no terreno com dificuldades tão sérias (em que a morte quotidiana de militares norte-americanos não é certamente a menor) que os invasores estão a ser obrigados a constantes recuos nos seus planos de ocupação, recuos que representam em si mesmos uma espectacular derrota política. É por isso que o rastejante tributo que TB foi a Washington prestar à «liderança» de Bush e às pretensões de hegemonia planetária do imperialismo norte-americano, têm algo de patético.
Pincelada de «esquerda»
TB está em queda e é bem provável que sejam os seus próprios patrões da City e de Wall Street a dar-lhe o empurrão final, uma vez esgotado o seu papel. Entretanto explorarão quanto puderem os seus reconhecidos dotes de tartufo para dificultar ao máximo o desenvolvimento de reais alternativas de esquerda e de progresso. É o caso da chamada «Conferência para uma governação progressista» recentemente realizada em Londres visando, nas palavras de um dos seus «gurus», Peter Mandelson, promover uma «nova onda de renovação progressista», e em relação à qual, publicações tão influentes como o El País, vão ao ponto de afirmar que «Blair encabeça o esforço para renovar a visão progressista do mundo» (20.07.03).
Como se gente como Tony Blair, Clinton, Schroder, Solana e outros não estivessem estruturalmente comprometidos com a globalização capitalista e a ofensiva de recolonização imperialista do mundo.
Como se a presença em Londres de prestigiadas figuras com o Lula não visasse tão só dar uma pincelada «de esquerda» à conferência e, simultaneamente, a recuperação do processo brasileiro em que a Internacional Socialista (a sua reunião de Outubro será no Brasil) está particularmente empenhada.
Como se entre a reunião de Berlim da «Terceira Via» (Junho de 2000) e esta conferência de Londres, a social-democracia não tivesse sido varrida da maior parte dos governos na União Europeia, precisamente por se haver rendido aos dogmas do neoliberalismo e provocado o desencanto do eleitorado que nela confiou.
Como se tudo isto afinal não constituísse uma manobra de diversão mais para tentar cobrir «à esquerda» a violenta ofensiva de exploração e de guerra que aí está, e de que TB é precisamente um dos protagonistas mais destacados.
Entretanto, com uma fidelidade canina, TB desenvolve uma frenética actividade internacional concertada com o amigo norte-americano, Clinton ou Bush, tanto faz. A sua recente visita aos EUA constituiu uma encenação cuidadosamente montada para tentar escamotear a sórdida posição de falsários a que ambos se prestaram para dar cobertura à guerra no Iraque, e para projectar uma imagem de solidez de uma aliança de guerra que está a ser confrontada no terreno com dificuldades tão sérias (em que a morte quotidiana de militares norte-americanos não é certamente a menor) que os invasores estão a ser obrigados a constantes recuos nos seus planos de ocupação, recuos que representam em si mesmos uma espectacular derrota política. É por isso que o rastejante tributo que TB foi a Washington prestar à «liderança» de Bush e às pretensões de hegemonia planetária do imperialismo norte-americano, têm algo de patético.
Pincelada de «esquerda»
TB está em queda e é bem provável que sejam os seus próprios patrões da City e de Wall Street a dar-lhe o empurrão final, uma vez esgotado o seu papel. Entretanto explorarão quanto puderem os seus reconhecidos dotes de tartufo para dificultar ao máximo o desenvolvimento de reais alternativas de esquerda e de progresso. É o caso da chamada «Conferência para uma governação progressista» recentemente realizada em Londres visando, nas palavras de um dos seus «gurus», Peter Mandelson, promover uma «nova onda de renovação progressista», e em relação à qual, publicações tão influentes como o El País, vão ao ponto de afirmar que «Blair encabeça o esforço para renovar a visão progressista do mundo» (20.07.03).
Como se gente como Tony Blair, Clinton, Schroder, Solana e outros não estivessem estruturalmente comprometidos com a globalização capitalista e a ofensiva de recolonização imperialista do mundo.
Como se a presença em Londres de prestigiadas figuras com o Lula não visasse tão só dar uma pincelada «de esquerda» à conferência e, simultaneamente, a recuperação do processo brasileiro em que a Internacional Socialista (a sua reunião de Outubro será no Brasil) está particularmente empenhada.
Como se entre a reunião de Berlim da «Terceira Via» (Junho de 2000) e esta conferência de Londres, a social-democracia não tivesse sido varrida da maior parte dos governos na União Europeia, precisamente por se haver rendido aos dogmas do neoliberalismo e provocado o desencanto do eleitorado que nela confiou.
Como se tudo isto afinal não constituísse uma manobra de diversão mais para tentar cobrir «à esquerda» a violenta ofensiva de exploração e de guerra que aí está, e de que TB é precisamente um dos protagonistas mais destacados.