Colonização do Iraque contestada
A resistência iraquiana às forças de ocupação está a aumentar. Os atentados sucedem-se e a presença dos EUA no Iraque tornou-se sinónimo de caos.
Seis soldados britânicos morreram e oito ficaram feridos em dois incidentes perto de al-Amarah, a norte de Bassorá, principal cidade do sul do Iraque, anunciou terça-feira em Londres o gabinete do primeiro-ministro britânico.
As tropas norte-americanas que guardavam uma central eléctrica em Falloujah, a oeste de Bagdad, foram atacadas com «rockets» na madrugada do mesmo dia. A capital iraquiana ficou às escuras.
Estes incidentes fazem subir para 26 o número de ataques contra as forças que ocupam o Iraque só em 24 horas.
No domingo, uma explosão num oleoduto a 140 quilómetros a norte da capital estragou a festa com que os ocupantes norte-americanos se preparavam para assinalar o reinicio das exportações de petróleo iraquiano. Dez dias antes, outro oleoduto que leva petróleo para a Turquia foi igualmente danificado por uma explosão.
As acções de sabotagem e os atentados sucedem-se, apesar das operações norte-americanas em curso, dos nomes sonantes com que são baptizadas e das encenações que as acompanham.
Segunda a imprensa árabe, o 1º batalhão do 124º Regimento de Infantaria, que participa na operação «Escorpião do Deserto» desencadeada há mais de 15 dias, sai da sua base em Ramadi ao som da «Cavalgada das Valquírias», numa evidente alusão à cena do filme «Apocalypse Now» onde a musica de Wagner serve de fundo a um massacre de civis durante a guerra do Vietname.
Os iraquianos não parecem impressionados, apesar de os norte-americanos terem prendido mais de 500 «suspeitos» em apenas uma semana.
No sábado, cerca de 2000 xiitas manifestaram-se em frente das instalações da administração ocupante em Bagdad, exigindo a retirada dos invasores e a formação de «um governo nacional».
Militares vão receber salários
Numa tentativa de fazer diminuir o clima de tensão que se vive no país, as forças anglo-saxónicas anunciaram na segunda-feira que vão pagar os salários aos soldados iraquianos desmibilizados. Na mesma altura prometeram igualmente formar um novo exército iraquiano, embora de menores dimensões do que o desmantelado após a invasão.
«Os ordenados serão pagos aos militares de carreira a partir de 14 de Julho», e o montante «varia entre 50 e 250 dólares», à semelhança da função pública, refere um comunicado da coligação. A medida aplica-se a cerca de 250 mil homens, o que no entanto está longe de resolver o problema criado pelo desmantelamento das forças do antigo regime.
Recorda-se que, no mês passado, o administrador norte-americano, Paul Bremer, dissolveu não só as Forças Armadas mas também as agências de segurança e os ministérios da Defesa e da Segurança, lançando no desemprego cerca de 400 mil iraquianos. A fome e o desespero grassa entre os desmobilizados, que têm provocado confrontos directos com os invasores. Recentemente, dois homens que participavam numa manifestação de protesto em Bagdad foram mortos pelas forças norte-americanas, o que fez aumentar ainda mais a revolta dos iraquianos.
Fala-se agora da possibilidade de formar um exército com cerca de 40 mil efectivos, cujo recrutamento, segundo afirmou esta semana Paul Bremer numa conferência de imprensa na Jordânia, deverá começar dentro de duas semanas. Será este novo exército, disse Bremer, que «a seu tempo assegurará as fronteiras do país».
Americanos admitem ataque ao Irão
O Washington Post divulgou, na segunda-feira, uma sondagem segundo a qual a maioria dos norte-americanos concorda com uma intervenção militar contra o Irão.
Os resultados da pesquisa, realizada em conjunto com a cadeia de televisão ABC, reflectem o medo - persistentemente instilado pela administração Bush - de que o Irão possa vir a possuir armamento nuclear, mas relevam igualmente a crescente preocupação com as baixas militares dos EUA no Iraque.
De acordo com a sondagem, a afirmação de Bush de que os EUA «não tolerarão» armas nucleares no Irão e que é necessário impedi-lo de as desenvolver tem o apoio de 56 a 38 por centos dos inquiridos. A maioria continua ainda a manifestar-se favorável à forma como o governo tratou da questão iraquiana, embora esse apoio tenha baixado de 75 por cento em Abril para os actuais 67 por cento.
Por outro lado, embora considerando que os benefícios da guerra superam os respectivos custos, a esmagadora maioria - 70 por cento - está preocupada com a eventualidade de a permanência militar no Iraque se prolongar por muito tempo, considerando-a perigosa.
Outro aspecto curioso desta sondagem, que incidiu num universo de 1024 pessoas e foi realizada entre 18 e 22 de Junho, é o facto de mais de 60 por cento considerar que a guerra contra o Iraque se justificou, apesar de continuarem por aparecer as alegadas armas de destruição maciça que os EUA diziam estar na posse do Iraque. Esta é a mesma lógica que está subjacente a um eventual futuro ataque ao Irão, que juntamente com o Iraque e a Coreia do Norte integra o «eixo do mal» inventado pela Casa Branca.
Apenas um em cada quatro dos inquiridos respondeu que a guerra só se justifica se forem encontradas as referidas armas, ou se houver provas de que o Iraque estava a tentar desenvolvê-las.
Muitos outros norte-americanos pensam no entanto de maneira diferente, como ainda esta semana se verificou nas manifestações de protestos contra a política belicista de Bush.
As tropas norte-americanas que guardavam uma central eléctrica em Falloujah, a oeste de Bagdad, foram atacadas com «rockets» na madrugada do mesmo dia. A capital iraquiana ficou às escuras.
Estes incidentes fazem subir para 26 o número de ataques contra as forças que ocupam o Iraque só em 24 horas.
No domingo, uma explosão num oleoduto a 140 quilómetros a norte da capital estragou a festa com que os ocupantes norte-americanos se preparavam para assinalar o reinicio das exportações de petróleo iraquiano. Dez dias antes, outro oleoduto que leva petróleo para a Turquia foi igualmente danificado por uma explosão.
As acções de sabotagem e os atentados sucedem-se, apesar das operações norte-americanas em curso, dos nomes sonantes com que são baptizadas e das encenações que as acompanham.
Segunda a imprensa árabe, o 1º batalhão do 124º Regimento de Infantaria, que participa na operação «Escorpião do Deserto» desencadeada há mais de 15 dias, sai da sua base em Ramadi ao som da «Cavalgada das Valquírias», numa evidente alusão à cena do filme «Apocalypse Now» onde a musica de Wagner serve de fundo a um massacre de civis durante a guerra do Vietname.
Os iraquianos não parecem impressionados, apesar de os norte-americanos terem prendido mais de 500 «suspeitos» em apenas uma semana.
No sábado, cerca de 2000 xiitas manifestaram-se em frente das instalações da administração ocupante em Bagdad, exigindo a retirada dos invasores e a formação de «um governo nacional».
Militares vão receber salários
Numa tentativa de fazer diminuir o clima de tensão que se vive no país, as forças anglo-saxónicas anunciaram na segunda-feira que vão pagar os salários aos soldados iraquianos desmibilizados. Na mesma altura prometeram igualmente formar um novo exército iraquiano, embora de menores dimensões do que o desmantelado após a invasão.
«Os ordenados serão pagos aos militares de carreira a partir de 14 de Julho», e o montante «varia entre 50 e 250 dólares», à semelhança da função pública, refere um comunicado da coligação. A medida aplica-se a cerca de 250 mil homens, o que no entanto está longe de resolver o problema criado pelo desmantelamento das forças do antigo regime.
Recorda-se que, no mês passado, o administrador norte-americano, Paul Bremer, dissolveu não só as Forças Armadas mas também as agências de segurança e os ministérios da Defesa e da Segurança, lançando no desemprego cerca de 400 mil iraquianos. A fome e o desespero grassa entre os desmobilizados, que têm provocado confrontos directos com os invasores. Recentemente, dois homens que participavam numa manifestação de protesto em Bagdad foram mortos pelas forças norte-americanas, o que fez aumentar ainda mais a revolta dos iraquianos.
Fala-se agora da possibilidade de formar um exército com cerca de 40 mil efectivos, cujo recrutamento, segundo afirmou esta semana Paul Bremer numa conferência de imprensa na Jordânia, deverá começar dentro de duas semanas. Será este novo exército, disse Bremer, que «a seu tempo assegurará as fronteiras do país».
Americanos admitem ataque ao Irão
O Washington Post divulgou, na segunda-feira, uma sondagem segundo a qual a maioria dos norte-americanos concorda com uma intervenção militar contra o Irão.
Os resultados da pesquisa, realizada em conjunto com a cadeia de televisão ABC, reflectem o medo - persistentemente instilado pela administração Bush - de que o Irão possa vir a possuir armamento nuclear, mas relevam igualmente a crescente preocupação com as baixas militares dos EUA no Iraque.
De acordo com a sondagem, a afirmação de Bush de que os EUA «não tolerarão» armas nucleares no Irão e que é necessário impedi-lo de as desenvolver tem o apoio de 56 a 38 por centos dos inquiridos. A maioria continua ainda a manifestar-se favorável à forma como o governo tratou da questão iraquiana, embora esse apoio tenha baixado de 75 por cento em Abril para os actuais 67 por cento.
Por outro lado, embora considerando que os benefícios da guerra superam os respectivos custos, a esmagadora maioria - 70 por cento - está preocupada com a eventualidade de a permanência militar no Iraque se prolongar por muito tempo, considerando-a perigosa.
Outro aspecto curioso desta sondagem, que incidiu num universo de 1024 pessoas e foi realizada entre 18 e 22 de Junho, é o facto de mais de 60 por cento considerar que a guerra contra o Iraque se justificou, apesar de continuarem por aparecer as alegadas armas de destruição maciça que os EUA diziam estar na posse do Iraque. Esta é a mesma lógica que está subjacente a um eventual futuro ataque ao Irão, que juntamente com o Iraque e a Coreia do Norte integra o «eixo do mal» inventado pela Casa Branca.
Apenas um em cada quatro dos inquiridos respondeu que a guerra só se justifica se forem encontradas as referidas armas, ou se houver provas de que o Iraque estava a tentar desenvolvê-las.
Muitos outros norte-americanos pensam no entanto de maneira diferente, como ainda esta semana se verificou nas manifestações de protestos contra a política belicista de Bush.