A aposta no reforço das capacidades militares
Na ocasião da assinatura da adesão dos dez países candidatos, quarta-feira, 16, os Quinze tentaram recuperar a imagem de unidade desfeita com a guerra do Iraque.
A UE quer ter um papel significativo na reconstrução do Iraque
Os líderes dos Quinze e dos dez novos países que dentro de um ano integrarão a União Europeia adoptaram na passada semana, em Atenas, uma declaração que afirma a sua vontade de agir em conjunto na cena internacional e define algumas orientações comuns.
Neste texto, onde é clara a intenção de vincular novos e antigos membros a uma posição única europeia, os Vinte e Cinco assumem o compromisso de criar «uma só Europa». «Assumiremos as nossas responsabilidades perante o mundo». «Apoiaremos a prevenção de conflitos, promoveremos a justiça, ajudaremos a manter a paz e a defender a estabilidade mundial».
Na declaração de Atenas, os signatários afirmam-se ainda decididos a «lutar a todos os níveis contra o terrorismo mundial e contra a produção de armas de destruição maciça». E neste sentido, assinalam, a União «continuará a melhorar as suas capacidades civis e militares com a finalidade de reforçar a estabilidade fora das suas fronteiras e promover os seus objectivos humanitários».
Sobre a situação no Iraque, a declaração defende que as Nações Unidas «devem desempenhar um papel central no processo conducente à formação de um governo autónomo» naquele país e reafirma o empenhamento da UE em «desempenhar um papel significativo na reconstrução económica e política do país».
Por outro lado, a UE pede à coligação anglo-norte-americana que assuma a responsabilidade de «garantir um ambiente seguro, incluindo para a ajuda humanitária e para a protecção do património cultural e museológico».
A União Europeia mostra-se ainda empenhada no êxito do processo de paz israelo-palestiniano «através da aplicação das etapas previstas no plano faseado de paz do Quarteto (Estados Unidos, União Europeia, ONU e Rússia) nos prazos previstos». «É essencial uma aprovação rápida pelo presidente palestiniano, Yasser Arafat, e pelo Conselho Legislativo palestiniano de um governo nomeado por Abu Mazen e destinado a realizar reformas», acrescenta a declaração.
Unidade aparente
Este documento partiu de uma iniciativa dos quatro países membros com assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas (Alemanha, Espanha, França e Grã-Bretanha) que defenderam posições opostas em relação à guerra no Iraque. Agora, em aparente unidade afirmam que também que «os países vizinhos do Iraque devem apoiar a estabilidade no Iraque e na região», ao mesmo tempo que saúdam a participação do Fundo Monetário Internacional (FMI) na reconstrução do Iraque «segundo as modalidades» definidas pelo G7, o grupo dos sete principais países industrializados.
A UE congratula-se também com a nomeação de um conselheiro especial para o Iraque junto do secretário-geral das Nações Unidas e espera «um novo reforço do envolvimento da ONU no Iraque do pós-guerra, a começar pela coordenação humanitária».
Mas se em relação ao papel da ONU «estamos todos de acordo», como sublinhou o presidente francês Jacques Chirac, já em relação ao desenho institucional da nova Europa a 25 subsistem profundas divisões entre os grandes e pequenos países.
Reforma
das instituições
Por exemplo, Chirac entende que a Europa só poderá constituir-se como «um pólo forte e coerente» se «as suas ambições políticas forem clarificadas e o seu funcionamento profundamente alterado».
Também o primeiro-ministro belga, Guy Verhofstadf, desejou que a Europa não seja apenas um «observador complacente» do mundo ou «uma organização humanitária generosa», mas «um actor global», considerando que uma política externa «puramente declarativa» não pode ser tomada a sério.
Mais claro foi o italiano Silvio Berlusconi que exigiu que a Europa se dote de instituições que lhe permitam «tratar de igual para igual com a única superpotência do planeta, os Estados Unidos da América». Por seu turno, o presidente polaco optou um tom prudente declarando-se favorável a uma Europa «fundada sobre relações transatlânticas sãs».
Segundo Valéry Giscard d’Estaing, presidente da Convenção, que até Junho próximo irá apresentar um projecto de Constituição Europeia, as discordâncias quanto à reforma das instituições mantêm-se, mas há um ponto em que já há acordo: a «quasi unanimidade» dos participantes na Convenção aprovaram o princípio da criação de um ministro europeu dos Negócios Estrangeiros.
Em contrapartida, a ideia de substituir a actual presidência rotativa da UE por um presidente do Conselho Europeu continua a não agradar aos pequenos países. Bélgica, Holanda e Luxemburgo em conjunto com Portugal, Áustria e Finlândia são contra, enquanto os grandes estados que representam a maioria da população europeia estão a favor.
«Bush fascista!»
Com gás lacrimogénio, jactos de água, balas e bastonadas, um forte dispositivo policial reprimiu os milhares de manifestantes que, no dia da cimeira da União Europeia, encheram as ruas de Atenas protestando contra a guerra e contra presença de Blair, Aznar e Berlusconi que apoiaram a agressão dos Estados Unidos ao Iraque.
Aos slogans anti-americanos, os manifestantes acrescentaram palavras de ordem contra o capitalismo, visto por muitos como a verdadeira causa da guerra. Até ser disperso pela polícia, o desfile deteve-se junto da embaixada da Grã-Bretanha e aproximou-se da embaixada dos EUA. Aí, os manifestantes, gritando «americanos fora», «Bush fascista», foram interrompidos pelas granadas de gás e pelas balas da polícia. Cinco pessoas foram feridas, 106 detidas, «um número raramente atingido, mesmo durante os jogos de futebol», reconheceram as autoridades policiais.
Neste texto, onde é clara a intenção de vincular novos e antigos membros a uma posição única europeia, os Vinte e Cinco assumem o compromisso de criar «uma só Europa». «Assumiremos as nossas responsabilidades perante o mundo». «Apoiaremos a prevenção de conflitos, promoveremos a justiça, ajudaremos a manter a paz e a defender a estabilidade mundial».
Na declaração de Atenas, os signatários afirmam-se ainda decididos a «lutar a todos os níveis contra o terrorismo mundial e contra a produção de armas de destruição maciça». E neste sentido, assinalam, a União «continuará a melhorar as suas capacidades civis e militares com a finalidade de reforçar a estabilidade fora das suas fronteiras e promover os seus objectivos humanitários».
Sobre a situação no Iraque, a declaração defende que as Nações Unidas «devem desempenhar um papel central no processo conducente à formação de um governo autónomo» naquele país e reafirma o empenhamento da UE em «desempenhar um papel significativo na reconstrução económica e política do país».
Por outro lado, a UE pede à coligação anglo-norte-americana que assuma a responsabilidade de «garantir um ambiente seguro, incluindo para a ajuda humanitária e para a protecção do património cultural e museológico».
A União Europeia mostra-se ainda empenhada no êxito do processo de paz israelo-palestiniano «através da aplicação das etapas previstas no plano faseado de paz do Quarteto (Estados Unidos, União Europeia, ONU e Rússia) nos prazos previstos». «É essencial uma aprovação rápida pelo presidente palestiniano, Yasser Arafat, e pelo Conselho Legislativo palestiniano de um governo nomeado por Abu Mazen e destinado a realizar reformas», acrescenta a declaração.
Unidade aparente
Este documento partiu de uma iniciativa dos quatro países membros com assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas (Alemanha, Espanha, França e Grã-Bretanha) que defenderam posições opostas em relação à guerra no Iraque. Agora, em aparente unidade afirmam que também que «os países vizinhos do Iraque devem apoiar a estabilidade no Iraque e na região», ao mesmo tempo que saúdam a participação do Fundo Monetário Internacional (FMI) na reconstrução do Iraque «segundo as modalidades» definidas pelo G7, o grupo dos sete principais países industrializados.
A UE congratula-se também com a nomeação de um conselheiro especial para o Iraque junto do secretário-geral das Nações Unidas e espera «um novo reforço do envolvimento da ONU no Iraque do pós-guerra, a começar pela coordenação humanitária».
Mas se em relação ao papel da ONU «estamos todos de acordo», como sublinhou o presidente francês Jacques Chirac, já em relação ao desenho institucional da nova Europa a 25 subsistem profundas divisões entre os grandes e pequenos países.
Reforma
das instituições
Por exemplo, Chirac entende que a Europa só poderá constituir-se como «um pólo forte e coerente» se «as suas ambições políticas forem clarificadas e o seu funcionamento profundamente alterado».
Também o primeiro-ministro belga, Guy Verhofstadf, desejou que a Europa não seja apenas um «observador complacente» do mundo ou «uma organização humanitária generosa», mas «um actor global», considerando que uma política externa «puramente declarativa» não pode ser tomada a sério.
Mais claro foi o italiano Silvio Berlusconi que exigiu que a Europa se dote de instituições que lhe permitam «tratar de igual para igual com a única superpotência do planeta, os Estados Unidos da América». Por seu turno, o presidente polaco optou um tom prudente declarando-se favorável a uma Europa «fundada sobre relações transatlânticas sãs».
Segundo Valéry Giscard d’Estaing, presidente da Convenção, que até Junho próximo irá apresentar um projecto de Constituição Europeia, as discordâncias quanto à reforma das instituições mantêm-se, mas há um ponto em que já há acordo: a «quasi unanimidade» dos participantes na Convenção aprovaram o princípio da criação de um ministro europeu dos Negócios Estrangeiros.
Em contrapartida, a ideia de substituir a actual presidência rotativa da UE por um presidente do Conselho Europeu continua a não agradar aos pequenos países. Bélgica, Holanda e Luxemburgo em conjunto com Portugal, Áustria e Finlândia são contra, enquanto os grandes estados que representam a maioria da população europeia estão a favor.
«Bush fascista!»
Com gás lacrimogénio, jactos de água, balas e bastonadas, um forte dispositivo policial reprimiu os milhares de manifestantes que, no dia da cimeira da União Europeia, encheram as ruas de Atenas protestando contra a guerra e contra presença de Blair, Aznar e Berlusconi que apoiaram a agressão dos Estados Unidos ao Iraque.
Aos slogans anti-americanos, os manifestantes acrescentaram palavras de ordem contra o capitalismo, visto por muitos como a verdadeira causa da guerra. Até ser disperso pela polícia, o desfile deteve-se junto da embaixada da Grã-Bretanha e aproximou-se da embaixada dos EUA. Aí, os manifestantes, gritando «americanos fora», «Bush fascista», foram interrompidos pelas granadas de gás e pelas balas da polícia. Cinco pessoas foram feridas, 106 detidas, «um número raramente atingido, mesmo durante os jogos de futebol», reconheceram as autoridades policiais.