Os mortos dão vida à Bolsa

O jornal de economia L’Expansion (Fevereiro de 2003) analisou a influência das guerras promovidas pelos EUA sobre o Dow Jones desde que este índice bolsista foi criado, em 1896, e chegou à conclusão de que, se no dia seguinte ao desencadear dos conflitos o Dow Jones baixa em média 2%, seis meses mais tarde, pelo contrário, regista uma progressão média de 6,7%, muito mais do que em tempo normal (de 1896 a 2003, a progressão semestral foi de 2,6%).
A análise, retomada pelo jornal belga Solidaire, é elucidativa: no espaço de seis meses após a primeira Guerra do Golfo (1991) o Dow Jones aumentou 18,9%; após a intervenção dos EUA na Somália (1992), 7,8%; e depois do ataque ao Afeganistão (2001), 12,6%.
Curiosamente, no passado dia 21 de Março, imediatamente a seguir à nova busharia no Iraque, o Dow Jones já estava a subir 2,76%. A explicação, segundo os especialistas, radica no facto de os investidores estarem confiantes num conflito de curta duração. Vale a pena lembrar que um porta-voz do exército britânico chegou a afirmar que as forças anglo-americanas chegariam a Bagdad em três ou quatro dias. De notar ainda que um outro jornal de economia (La Tribune, 21/3/03) sublinhou que «apesar do incêndio de alguns poços de petróleo, nada indica que as infraestruturas petrolíferas estejam por agora ameaçadas», o que contribuiu igualmente para que os investidores respirassem de alívio.
Na lógica da administração Bush, a guerra deve renovar a confiança nos mercados, dar perspectivas de crescimento económico às empresas, reafirmar a supremacia mundial dos EUA. Alcançar estes objectivos tornou-se uma necessidade imperiosa para o imperialismo norte-americano, dada a catastrófica situação económica em que o país se encontra. Os EUA confrontam-se com um endividamento récorde desde 1945: a dívida ascende a cerca de 20 000 mil milhões de dólares, ou seja o dobro do seu Produto Interno Bruto.
Neste cálculos a vida humana pouco vale. O que é preciso é que a guerra acabe depressa e os novos senhores tomem o controlo da situação.


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