Produtores de café na miséria

Cerca de 25 milhões de agricultores em mais de 50 países em desenvolvimento estão a sofrer os efeitos da continuada quebra do preço do café que, nos últimos três anos, baixaram mais de 50 por cento, atingindo o nível mais baixo, em termos reais, dos últimos cem anos, o que se traduz no agravamento da instabilidade política e agitação social.
Face a esta situação, o Parlamento Europeu aprovou na passada semana, uma resolução, apresentada em conjunto por deputados de vários grupos políticos, entre os quais Joaquim Miranda, na qual exorta a Comissão e o Conselho a assumir «uma verdadeira liderança política» destinada a mitigar a crise do café.
A resolução propõe uma acção concertada no âmbito da cooperação ACP-UE utilizando, em primeira instância, dotações não utilizadas do Fundo Europeu de Desenvolvimento (FED) para apoiar os agregados familiares dependentes da produção do café.
Estas dotações devem ser utilizadas para apoiar a diversificação do sector e a transformação do café em grão, por forma a estimular a produção de produtos finais que possam ser comercializados na UE e noutros mercados.
Por outro lado, os deputados lembram que, apesar da crise, as margens de lucro das quatro empresas que controlam quase metade das vendas de café mundiais (Nestlé, Kraft, Sara Lee e Procter &Gamble) «continuam a aumentar».
Por forma colocar esta questão a nível internacional, os deputados pedem à Comissão que prepare uma comunicação relativa aos produtos de base, a ser apresentada antes da mesa redonda de alto nível da Organização Internacional do Café (OIC) e do Banco Mundial, a realizar em 19 de Maio próximo.


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