O pacto da recessão

Reagindo às negras previsões económicas divulgadas na passada semana, os dois eurodeputados do PCP interpelaram a Comissão sobre os efeitos negativos das orientações e recomendações comunitárias.
Depois de Ilda Figueiredo ter exigido no hemiciclo de Estrasburgo a revisão do Pacto de Estabilidade «para podermos apostar em investimento público, na criação de mais emprego, na melhoria do poder de compra, num combate eficaz à pobreza e exclusão social», foi a vez de Joaquim Miranda, numa pergunta escrita ao executivo comunitário, chamar a atenção para a grave situação portuguesa.
O deputado lembra os mais recentes dados comunitários, que indicam Portugal como o país com mais pobreza, e as previsões da própria Comissão de um aumento do desemprego de 27,5 por cento, podendo atingir em 2004 mais de 390 mil pessoas. Acresce que o nosso país já se encontra em recessão, prevendo-se que em 2003 registe o pior desempenho económico de toda a União Europeia.
Em contradição com estas previsões, como observa Miranda, a Comissão insiste no estrito cumprimento do Pacto de Estabilidade, recomendando como prioridade a redução das despesas com domínios com a educação, a saúde e a segurança social. «Que preocupa mais a Comissão: o crescimento do desemprego e o aprofundamento da pobreza ou a evolução de um indicador económico fixado sem qualquer fundamento científico?», pergunta o deputado.


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