Desentendimentos...
O Reino Unido não vai transferir para uma conta bancária controlada pelos Estados Unidos os 300 milhões de euros de contas iraquianas congeladas em bancos britânicos, noticiou esta semana o jornal The Guardian, citando o ministro da Economia britânico, Gordon Brown.
Segundo o ministro, o governo de Blair prefere que sejam as Nações Unidas a administrar o dinheiro retido, que ascende a um total de 592 milhões de euros, congelados desde 1991. A decisão, afirma Brown, já foi comunicada ao secretário do Tesouro norte-americano, John Snow.
Tanto Londres como Washington garantem que o dinheiro será aplicado «em benefício da população iraquiana», mas os dois governos não parecem confiar suficientemente um no outro nesta matéria.
Os Estados Unidos, recorda o jornal, pediram a oito países que transfiram
para uma nova conta na Reserva Federal, em Nova Iorque, o dinheiro iraquiano congelado nesses países. No início da semana, o principal banco suíço, UBS, anunciou que «vai aceder ao pedido do Departamento do Tesouro americano», mas recusou-se a revelar qual o montante. O porta-voz da instituição, Axel Langer, informou que o dinheiro bloqueado nos seus cofres dos EUA era proveniente da compra de petróleo bruto pelas companhias americanas.
De acordo com informações vindas a público, a administração Bush recorreu na passada quinta-feira aos seus poderes especiais em tempo de guerra para confiscar cerca de 1,74 mil milhões de dólares de fundos iraquianos congelados nos bancos dos EUA desde 1991. O passo seguinte foi solicitar a transferência de todo o dinheiro iraquiano no estrangeiro para os EUA.
...e confissões
Dinheiro à parte, Blair continua com Bush de alma e coração no respeitante ao Iraque.
Anteontem, em declarações à imprensa em Downing Street, o primeiro-ministro britânico afirmou que a prioridade das forças anglo-norte-americanas no Iraque afinal não é a de procurar armas de destruição maciça mas sim a de desmantelar o regime.
Segundo a Lusa, Tony Blair disse que «virá o momento em que estaremos em condições de procurar de forma apropriada as armas de destruição maciça».
Para a eventualidade de tais armas demorarem - ou nunca chegarem - a aparecer, Blair foi dizendo que «é essencial insistir no facto de que o Iraque é um país muito
grande, duas vezes maior do que o Reino Unido», pelo que rejeita a possibilidade de as forças dos dois países poderem «descobrir subitamente», durante o ataque, as referidas armas.
Aparentemente esquecido das «provas» que desde sempre afirmou possuir da existência de armas proibidas, o chefe de Governo britânico admitiu que «haverá todos os tipos de pessoas dispostas a fornecer as informações que procuramos», uma vez que o regime esteja desmantelado.
«Por agora, o importante é continuar a fazer aquilo de pudermos para desmantelar o regime», disse, acrescentando que «não há dúvidas de que as armas de destruição maciças existem». Na lógica de Blair, a «prova» disso é que «se não existissem, teria sido muito, muito fácil (ao Iraque) cooperar com os inspectores».
Vale a pena lembrar que o último relatório dos inspectores de armamento da ONU referia a cooperação iraquiano e pedia «não dias, não anos, mas meses» para concluir o seu trabalho.