Milhões sem trabalho
Mais de 180 milhões de pessoas estão sem trabalho em todo o mundo e as perspectivas de uma melhoria nesta área são «escassas»
Mais de 550 milhões trabalhadores auferem menos de um dólar por dia
Um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) conclui que o número de desempregados atingiu um nível sem precedentes e a situação tende a agravar-se rapidamente, pelo menos durante este ano, em que não se prevê uma recuperação significativa da economia mundial.
O documento precisa que só no ano passado cerca de 20 milhões de pessoas juntaram-se ao exército de desempregados, sendo os mais afectados os jovens e as mulheres, aqueles que se vêm obrigados a trabalhar em sectores particularmente vulneráveis às crises económicas.
Depois de um crescimento do emprego, verificado sobretudo nos finais dos anos 90, entre 2000 e 2002, registou-se uma diminuição na maioria dos países industrializados, à excepção de Itália e Nova Zelândia. Na União Europeia a taxa de desemprego baixou entre 2000 e 2001 de 7,8 para 7,4 por cento, no entanto voltou a aumentar no ano passado para 7,6 por cento. Nos Estados Unidos este índice passou de 4,8 por cento para 5,6 por cento no mesmo período.
O momento de viragem na economia é situado pela OIT na Primavera de 2001, quando entraram em colapso as empresas de tecnologias de informação e de comunicação. A crise agravou-se na sequência dos atentados de 11 de Setembro originando um crescimento mais lento dos países industrializados que se traduziu na extinção de postos de trabalho nas indústrias exportadoras dos países em desenvolvimento.
A OIT estima que em 2010 cerca de 60 por cento da força de trabalho mundial estará concentrada na Ásia e que só a China contará com um quarto da população activa de todo o planeta. Paralelamente a força de trabalho nos países industrializados e economias em transição diminuirá para um quinto do total.
Criar 400 milhões
de empregos
Para absorver a mão de obra disponível nos mercados de trabalho seria necessário criar qualquer coisa como mil milhões de empregos na próxima década, calcula o relatório, acrescentando que os novos empregos terão de ser de maior produtividade e com melhores condições de trabalho para que contribuam efectivamente para a redução da extrema pobreza, conforme objectivo fixado pela ONU até 2015.
Para tanto será necessário contrariar a tendência para o aumento do número de trabalhadores pobres, ou seja com rendimentos inferiores a um dólar por dia, calculando-se que hoje estejam nessa situação 550 milhões de pessoas, tantas como em 1998.
Isto deve-se não ao drama do desemprego mas ao alastramento da economia clandestina nos países em desenvolvimento onde os trabalhadores lutam pela sobrevivência auferindo salários de miséria.